Essa matéria foi assinada pelo Ministro Guilherme Cassel, no Jornal do Commercio/PE, em 07 de agosto de 2008.
O mundo atual enfrenta uma crise gerada pela pressão nos preços dos alimentos. É provocada por diferentes fatores, como a redução drástica nos estoques mundiais e o aumento de consumo nos países emergentes, o preço em alta do barril de petróleo, a especulação internacional sobre as commodities agrícolas e a utilização do milho na produção de biocombustível nos Estados Unidos. Estamos frente a uma crise que deve ser duradoura e que exige medidas rápidas e estruturantes. E a agricultura familiar pode fornecer uma resposta imediata a essa crise.
É ela que produz 70% dos alimentos que consumimos no dia-a-dia e tem seus preços formados majoritariamente no mercado interno. Ou seja, o aumento de sua produção reflete direto na estabilização e até na redução dos preços. O Brasil mostra-se mais preparado que outros países para superar a crise porque tem uma economia estável e aposta há anos na agricultura familiar. Ela vem se tornando mais diversificada e produtiva, recebendo mais crédito, mais assistência técnica, seguros contra intempéries climáticas e oscilações de preços. Já representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Ao mesmo tempo, está distante da fronteira tecnológica e produtiva mundial.
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2008/2009 parte dessa lógica: são os agricultores e as agricultoras familiares que agora podem apresentar ao Brasil uma alternativa ante a crise. É um avanço em relação aos anos anteriores. Se até hoje o Brasil oferecia anualmente um plano para a garantia da produção da agricultura familiar, desta vez é ela que apresenta uma resposta efetiva: a de que podemos enfrentar a crise com o aumento da produção e da produtividade e com preços justos ao consumidor.
O governo federal está destinando R$ 13 bilhões ao Plano Safra da Agricultura Familiar - R$ 6 bilhões dos quais ao Plano Safra Mais Alimentos, que institui uma linha de crédito de até R$ 100 mil por agricultor, com pagamento em até 10 anos e juros de 2% ao ano. O Mais Alimentos combina a disseminação da tecnologia e do conhecimento. Conta com descontos para a compra de tratores e outros implementos agrícolas pela agricultura familiar, que chegam a 17,5%, devido a acordo com entidades do setor. Na assistência técnica, os 230% a mais de recursos em relação ao ano passado vão possibilitar o aumento dos agentes em campo e a vinculação à pesquisa, uma apropriação imediata de tecnologia pela agricultura familiar.
A meta é que, em 2010, a agricultura familiar já aumente a produção em 18,5 milhões de toneladas/ano. Para tanto, um milhão de propriedades serão beneficiadas com R$ 25 bilhões para investimento em três anos. Uma forte política de compras e estoques públicos vai evitar movimentos bruscos de preços, como o que ocorreu com o feijão.
O que se pretende é uma reestruturação. E, para isso, o valor destinado para Pernambuco neste Plano Safra da Agricultura Familiar é R$ 225,2 milhões - R$ 42,66 milhões para custeio e outros R$ 182,58 milhões para investimento. Para a região Nordeste estão reservados R$ 2,3 bilhões.
Estamos diante de uma oportunidade singular de reafirmar o papel da agricultura familiar para a segurança e a soberania alimentar. Os homens e mulheres da agricultura familiar estão mais preparados para ampliar sua produtividade e, com isso, ajudar de forma efetiva a conter a inflação nos alimentos, um risco real, que atinge a população de mais baixa renda e pode limitar a capacidade de crescimento sustentável do País. Com essa aposta do governo federal ganham todos: a agricultura familiar, o consumidor brasileiro e o Brasil.
Segurança alimentar
O mundo atual enfrenta uma crise gerada pela pressão nos preços dos alimentos. É provocada por diferentes fatores, como a redução drástica nos estoques mundiais e o aumento de consumo nos países emergentes, o preço em alta do barril de petróleo, a especulação internacional sobre as commodities agrícolas e a utilização do milho na produção de biocombustível nos Estados Unidos. Estamos frente a uma crise que deve ser duradoura e que exige medidas rápidas e estruturantes. E a agricultura familiar pode fornecer uma resposta imediata a essa crise.
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JOSE ROBERTO BUSTO LIBARDI
OURINHOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/08/2008
Utilização do milho na produção de biocombustível:
Eu acho que os Estados Unidos não estão usando o milho indevidamente. Eles estão apenas agregando valor a sua produção. A quantidade de milho destinada à produção de ração animal, simplesmente passa antes nas destilarias de álcool. Depois o resíduo que chamamos aqui de "vinhaça", é desidratada e o milho já moído e cozido, segue para a produção de ração.
Aqui usamos o bagaço de cana para produção de energia, com combustível de fornos que geram energia elétrica, também como volumoso no arraçoamento de gado confinado hidrolisado com cal microprocessado ou soda. Eu ja usei o bagaço num pequeno semiconfinamento há alguns anos atrás. Não sou entendido no assunto, mas o milho cozido creio que seja melhor na produção de ração, visto que sofreu fermentação, não prejudicando a digestão do animal. Conheço duas destilarias que usam milho para produção de álcool de cereais no município vizinho de São Pedro do Turvo. O resíduo é vendido a produtores de leite na região.
Eu acho que os Estados Unidos não estão usando o milho indevidamente. Eles estão apenas agregando valor a sua produção. A quantidade de milho destinada à produção de ração animal, simplesmente passa antes nas destilarias de álcool. Depois o resíduo que chamamos aqui de "vinhaça", é desidratada e o milho já moído e cozido, segue para a produção de ração.
Aqui usamos o bagaço de cana para produção de energia, com combustível de fornos que geram energia elétrica, também como volumoso no arraçoamento de gado confinado hidrolisado com cal microprocessado ou soda. Eu ja usei o bagaço num pequeno semiconfinamento há alguns anos atrás. Não sou entendido no assunto, mas o milho cozido creio que seja melhor na produção de ração, visto que sofreu fermentação, não prejudicando a digestão do animal. Conheço duas destilarias que usam milho para produção de álcool de cereais no município vizinho de São Pedro do Turvo. O resíduo é vendido a produtores de leite na região.