Responsabilidade social das empresas e das pessoas

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Por Henrique Costales Junqueira1

Como será que se sente uma pessoa que após vinte e três anos de trabalho em uma fábrica, ao ver as portas dessa sendo fechada? Como será ver todo um trabalho de dedicação à cadeia do leite ser jogado fora? Agora imagine você que, como justificativa para esse ato, deixe-se transparecer que a causa seria a incompetência dessa pessoa e dos seus colegas.

Não estamos falando de uma fabriqueta nem de pessoas quaisquer. Estamos falando de uma unidade industrial que até novembro de 2001, processava 180.000 litros de leite por dia, que tinha como resultados médios de qualidade da matéria prima, contagem de mesófilos e psicrotróficos próximos a 200.000 UFC/ml. Uma unidade que remunerava o produtor de acordo com esses resultados e também por volume e remuneração de fato em função do teor de gordura do leite. Uma planta que tirou primeiro lugar em uma auditoria internacional de qualidade. Uma unidade que foi considerada inviável!

Estamos falando das pessoas e da unidade industrial da Parmalat em Cerqueira César. Foi comunicado no dia de hoje (11/07) aos seus funcionários, 180, o fechamento da fábrica. Unidade que chegou a contribuir por volta de 70% da arrecadação do município. Unidade que tem a sua história iniciada pela família Moura Leite e que em 1996 iniciou um salto quântico relativo à competitividade. Hoje as pessoas que ali trabalham foram chamadas, nas entrelinhas, de incompetentes.

Trabalhei seis anos nessa unidade, quando ainda da Fleischmann & Royal, contribuí e estimulei produtores e outros membros da cadeia à praticar o dito salto quântico. Muitos tiveram sucesso, alguns fracasso. Mas como explicar agora essa situação, quem poderia imaginar tamanha irresponsabilidade social, fechar uma unidade em 6 ou 7 meses após a aquisição e sem aviso prévio? Peço desculpas aos que ficaram na mão se sentem-se hoje inseguros quanto aos seus investimentos.

Comecei minha vida na cadeia do leite desenvolvendo um trabalho na fazenda de meu avô em Juiz de Fora, tomei confiança e participei na transformação do Sítio Cristais em Viçosa , MG. Participei do processo de Cerqueira César e agora estou trabalhando em uma cooperativa, após nove anos em uma multinacional.

Os contrastes entre a "multi" e a cooperativa são enormes. Essa não é a razão desse texto, porém encontrei nas cooperativas um ambiente positivo, as vezes entusiasmado, ou até beirando o fanatismo no que diz respeito a defesa dos interesses do produtor e da sociedade.

No dia de hoje ficou muito claro entender, a sociedade tem que se defender. O que eu gostaria de perguntar, se as corporações são o que são, ou são o resultado das pessoas que as controlam? Hoje acredito mais na segunda possibilidade, vejo as empresas perderem sua identidade, empresas centenárias são transformadas por executivos que visam o sucesso de suas carreiras. Onde é a linha limítrofe entre a responsabilidade das pessoas e das empresas ?

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1Engenheiro Agrônomo, Gerente de Campo - Cooperativa Central de Laticínios da Bahia
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