Autor do artigo:
Francisco Zuza de Oliveira
Agrônomo
zuza.ce@gmail.com
São meritórios os avanços nos recursos hídricos no Ceará, com estudos de seca, construção de 153 grandes açudes, com capacidade de 18 bilhões de m³ de água, 318 km de canais, 300 km de adutoras, perenização de 81 rios, 30 mil poços, 300 mil cisternas, além da alta competitividade da agricultura irrigada, e da reconhecida liderança da COGERH em gestão hídrica. Apesar de tudo isso, chega outro ciclo de secas e o Ceará encontra-se sem a água suficiente para beber, irrigar, e indústria.
Vários governos já implantaram projetos para acabar com a rota do carro pipa, e nesta seca, o velho pipa continua sendo a esperança de água das donas de casa no campo e cidades. Os perímetros irrigados estão reduzindo as irrigações, com redução no emprego e da renda no interior. O mais grave é a queda de confiança do produtor investir em irrigação com a insegurança hídrica.
Onde devemos melhorar? No planejamento, na gestão efetiva das águas ou não implantamos as estruturas necessárias? O certo é que o consumo cresceu mais do que a oferta, agravado nesta estiagem. Na última seca de 79 a 83 tínhamos uns 20 mil hectares irrigados e hoje temos 100 mil, além da demanda crescente dos outros setores. Precisamos melhorar muito para não sermos pegos no contra pé, em outro ciclo de seca que sempre virá no Nordeste. Se não houvesse o desperdício de água, ainda praticado nas cidades e no campo, hoje, em torno de 35 por centos, esta crise hídrica seria bem menor.
Os fatos apontam que os gestores dos recursos hídricos do Nordeste precisam voltar à escola e estudar mais, principalmente essa correlação entre a oferta de água, sempre irregular, com o crescimento contínuo da demanda. A gestão hídrica que hoje prioriza mais as ações na oferta, precisa ter um viés acentuado em relação a demanda, por cadeia produtiva, em função dos interesses socioeconômicos que a sociedade queira desenvolver. Não é só construir açudes e canais (imprescindíveis), esperar a chuva e depois distribuir a água porcentualmente.
Precisa criar e operacionalizar, em cada Estado, sob a orientação da ANA, um fundo financeiro para compensar usuários que suspenderem a irrigação, por exemplo, além de uma modelagem do mercado de água, pois, com esse aumento da demanda, algum setor vai ficar sem água. A prioridade da água sempre será o consumo humano, hoje, utilizando 26 por cento, enquanto o consumo animal gira em torno de 3% da água distribuída no Ceará. A irrigação usa 58 % e a indústria 13.
Nesta seca, mesmo faltando água para beber e produzir, muita gente varre calçadas com água potável, agricultores com irrigações ineficientes, e a CAGECE com os vazamentos recorrentes, todos sem nenhuma punição. Na irrigação a instalação de hidrômetros e outorga para medição do consumo é insignificante. Um absurdo! Julgo que os gestores das água no Ceará precisam mudar o “ chip” do sistema atual, e eles têm competência para otimizar essa gestão, mas precisam ter humildade para reconhecer essa necessidade.
Nós consumidores temos a obrigação de fazer o uso racional da água e, a principal ação é evitar o desperdício em casa e no trabalho. Não precisa de professor, de cartilhas ou de desculpas. Dizem que nas crises surgem as soluções. Sem terceirizar a culpa e cada um fazendo sua parte, compartilhando os saberes, poderemos encontrar soluções eficazes.
Atenção! Em 2016 deverá ter mais uma seca no Nordeste. Ai a crise de água vai chegar a todos, do sertão a beira mar.
Reflexões sobre a gestão de recursos hídricos no Ceará
Seção Espaço Aberto: "São meritórios os avanços nos recursos hídricos no Ceará, com estudos de seca, construção de 153 grandes açudes, com capacidade de 18 bilhões de m³ de água, 318 km de canais, 300 km de adutoras, perenização de 81 rios, 30 mil poços, 300 mil cisternas, além da alta competitividade da agricultura irrigada, e da reconhecida liderança da COGERH em gestão hídrica. Apesar de tudo isso, chega outro ciclo de secas e o Ceará encontra-se sem a água suficiente para beber, irrigar, e indústria", por Francisco Zuza de Oliveira, agrônomo e consultor.
Publicado por: Francisco Zuza de Oliveira
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Francisco Zuza de Oliveira
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ALCIDES JORGE MONTAGNA
JAGUARIÚNA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 22/09/2015
Gostei da explanação do dr. Zuza. Todos tem o dever de economizar. Achei estranho em Fortaleza usar HIDRÔMETRO coletivo ( 01 para toda a rua ).
-Dr. Zuza acho necessário fazer inúmeros bolsões de água nas beiras dos córregos e rios para reter toda a água da chuva. Chove muito mas 2a3dias depois tudo chegou ao mar. Tchau e tudo de bom. AJMontagna
-Dr. Zuza acho necessário fazer inúmeros bolsões de água nas beiras dos córregos e rios para reter toda a água da chuva. Chove muito mas 2a3dias depois tudo chegou ao mar. Tchau e tudo de bom. AJMontagna