O IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal divulgou, nos últimos dias, a produção total de leite no Brasil em 2001, distribuída por unidade da federação, que foi de 20,51 bilhões de litros. Em 2000, segundo o IBGE, a produção foi de 19,77 bilhões de litros, o que significa que a produção de leite no Brasil, em 2001, cresceu 3,75% em relação à do ano anterior.
O IBGE já havia divulgado, há mais tempo, a produção de leite sob inspeção no Brasil, em 2001, que foi de 13,27 bilhões de litros. Em 2000, a produção sob inspeção foi de 12,11 bilhões de litros. Assim, a produção sob inspeção, em 2001, cresceu 9,57% em relação à do ano anterior.
Em resumo, o leite sob inspeção representou 61,20% do total de leite, em 2000, e 64,70%, em 2001, resultado exatamente igual à estimativa elaborada pelo Pensa e divulgada no Anualpec 2002 (página 228).
O maior crescimento do leite sob inspeção (9,57%), em comparação com a produção total (3,75%), significa redução no crescimento do leite não-inspecionado. Mas, afinal, qual é o destino desse leite? Ele vai todo para o mercado? A resposta é que apenas parte vai para o mercado, enquanto o restante destina-se ao autoconsumo da fazenda, para a alimentação humana e de animais. É um erro grosseiro considerar que todo o leite não-inspecionado vai para o mercado, formando o chamado mercado informal. Desconsiderar o autoconsumo é imaginar, por exemplo, que o leite utilizado no aleitamento artificial deveria passar pela inspeção, antes de ser distribuído para os bezerros. O mesmo raciocínio se aplica ao leite distribuído para os empregados e o consumido pela família do produtor.
Segundo estimativas elaboradas pelo Pensa e publicadas no Anualpec 2002, em 2001, a distribuição da produção de leite, no Brasil, foi a seguinte: Mercado formal, 64%; mercado informal, 22%; e autoconsumo na fazenda, 14%.
Apesar das evidências, até hoje profissionais que atuam na cadeia produtiva do leite afirmam que o mercado informal representa 40% da produção nacional; alguns por falta de informação, outros, por razões não esclarecidas, mas todos os que assim afirmam falam sem argumentação fundamentada.
Para finalizar duas questões da maior importância: 1a) Todo o esforço deve ser feito para melhorar a qualidade do leite tanto do mercado sob inspeção quando do não-inspecionado. É ingenuidade imaginar que todo leite do mercado inspecionado seja de boa qualidade, assim como todo o leite do mercado não-inspecionado seja de má qualidade; 2a) Em hipótese alguma defendo o mercado não-inspecionado de leite, dados os inúmeros problemas que ele causa à sociedade. Meu ponto central diz respeito ao tamanho do mercado não-inspecionado, que, segundo meus cálculos e também do Pensa, é significativamente menor que as estimativas apresentadas por importantes líderes da cadeia láctea nacional. O reconhecimento que o bicho não é tão feio, quanto se dizia, dá mais ânimo para enfrentá-lo.
________________________________
Escrito em 13/12/2002.
Reduz o crescimento do leite não-inspecionado
Publicado por: Sebastião Teixeira Gomes
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Material escrito por:
Sebastião Teixeira Gomes
Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa
Acessar todos os materiais