Qualidade do leite: quem ganha com a instrução normativa 51?
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
A globalização da economia trouxe a necessidade de mudanças nos aspectos culturais, sociais, econômicos, tecnológicos e ambientais. Muitas pessoas não aceitam, até hoje, a complexidade e a velocidade das mudanças necessárias para continuar competitivamente no mercado. De um lado, encontramos um consumidor que quer ser encantado todo o dia e ter à sua disposição variedade de produtos e preços baixos onde e quando desejar, na quantidade e qualidade que preferir. De outro lado, o agente produtivo, são exigidos menores custos, alta produtividade, elevada escala de produção, alta tecnologia, melhor qualidade e maior segurança alimentar possível.
O mercado consumidor existe e é crescente. É necessário ter competência para conquistá-lo e para mantê-lo a nós atrelado através dos produtos e serviços que oferecemos. O Brasil entrou no jogo das exportações, sendo que 2004 foi o primeiro ano no qual exportou mais lácteos do que importou. As exportações poderão crescer enormemente, dependendo dos subsídios dos países ricos e da competência brasileira em oferecer produtos de qualidade e preços competitivos.
O leite é um alimento completo, perecível, saboroso, íntegro, inócuo, nutritivo e desempenha papel fundamental no crescimento e desenvolvimento do ser humano em suas diferentes fases de vida. A sua composição depende do potencial genético, alimentação e manejo alimentar do rebanho leiteiro. A gordura e proteína têm relação direta no rendimento industrial. Na medida em que a indústria reduz a produção de leite fluido, ela precisa buscar mais sólidos e aí tem a necessidade de remunerar melhor os sólidos, ou seja, pagar pela qualidade em função da necessidade de buscar rendimento industrial, menores perdas e riscos de doenças, bem como problemas digestivos e de toxicidade, que pode causar no ser humano. Em outras palavras, o leite deve ter qualidade higiênica, composicional, sensorial, nutricional e tecnológica. Este é um processo moroso porque os sólidos não podem ser aumentados rapidamente, leva tempo. A CCGL (hoje Elegê) iniciou o processo de pagamento por qualidade e produtividade nos anos 80 e, só agora, no Brasil, está se falando em qualidade do leite. Países como Dinamarca, Holanda, Alemanha e Canadá já remuneram há muitos anos o leite de acordo com os sólidos totais. Este é um processo irreversível tanto para a produção voltada ao mercado externo quanto para aquela voltada ao mercado interno e isto será mais rápido do que muitos imaginam.
A qualidade do leite é interessante e agrega valor a todos os elos da cadeia. Vejamos os diferentes segmentos da cadeia produtiva do leite:
Em nível de consumidor:
O consumidor terá à sua disposição produtos que oferecem mais segurança, valor nutricional e melhores características organolépticas (odor, sabor, cor, aspecto); melhores preços e maior variedade de produtos nas gôndolas dos supermercados; maior tempo de conservação e de vida útil dos produtos.
Em nível de ponto de venda:
Os supermercados, padarias e mercearias terão produtos com maior vida útil nas prateleiras, menores perdas, menor custo operacional, clientela mais satisfeita e atrelada a eles.
Em nível de indústria:
Com a melhor qualidade do leite a indústria poderá oferecer produtos a melhor preço, menor custo operacional, menor risco e maior confiança alimentar, maior produtividade industrial, menores perdas, maior rendimento industrial, melhor imagem e possibilidade de exportação.
Em nível de produtor:
No produtor reside atualmente o maior gargalo, mas existem grandes oportunidades de ganhos e melhorias e, por isto, é importante o pagamento por qualidade.
O consumo dos lácteos vem crescendo e continuará a crescer no mundo, bem como no mercado interno. As exportações continuarão a crescer e, embora o mercado interno ainda seja muito grande frente à produção brasileira, só lhe falta renda e incentivos através de programas sociais para incrementar o consumo.
O produtor terá mais renda, menor risco, menores custos de produção, maior poder de negociação, maior profissionalização, boa relação custo-benefício, possibilidade de produção de produtos orgânicos e rastreáveis, melhor sanidade e segurança alimentar, grandes oportunidades de exportação da produção e melhorias tecnológicas de produção.
Em nível de governo:
O governo terá ganhos com a qualidade pois ele é o responsável pela saúde da população. Com a qualidade, ele passará a ter menos gastos públicos em saúde, melhor imagem política, mais geração de renda e melhor balança comercial (redução das importações e aumento das exportações).
Como se pode observar, todos ganham com a qualidade, pois ela levará a economia a uma maior atividade econômica (emprego, renda e estabilidade social). A assistência técnica também sairá ganhando, bem como terá um papel fundamental treinando, assistindo tecnologicamente e gerencialmente o produtor, assim como a pesquisa que deverá desenvolver e alcançar ferramentas de trabalho e de produção ao produtor.
Por fim, a instrução normativa levará a sociedade a um envolvimento com os diferentes elos da cadeia produtiva do leite e a mídia, forçosamente, falará muito desse assunto, sendo ele tão importante como é.
_____________________________________
¹ Engº agr. M. Sc., Professor titular da UPF, Presidente da COOPLIB, Diretor da Avipal - S.A.
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.
Deixe sua opinião!

OUTRO - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 21/05/2005

VIÇOSA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 12/05/2005
O país mais uma vez abre espaço para se integrar ao mundo como um todo. Só fica no ar uma preocupação: o impacto dessa nova tecnologia para o pequeno pecuarista. Pode ser que ele não esteja preparado para se integrar a ela. Temos que voltar nossos olhos para nossas unidades produtoras e verificar se elas estão realmente preparadas para a implementação dessa tecnologia em vez de apenas ficar comparando nosso possível sucesso com os casos do exterior.

CUNHA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 03/05/2005
Na minha opinião se as empresas captadoras de leite, entenda-se aqui também por Cooperativas/Laticínios, não fizerem um esforço em tecnificar o pequeno, esse pequeno ou foge para o leite informal ou não conseguirá produzir leite com boa relação custo/beneício. Para isso deve usar do pagamento por qualidade como incentivo e não punição.
Outros que tendem a ganhar com a instrução normativa e a valorização da qualidade do leite somos nós, os prestadores de serviço em nutrição, manejo, sanidade.... é mais uma maneira de mostrarmos a importância do nosso trabalho.

RIO CLARO - SÃO PAULO - EMPRESÁRIO
EM 30/04/2005