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Produtividade e taxa de remuneração do capital investido na produção de leite

POR SEBASTIÃO TEIXEIRA GOMES

ESPAÇO ABERTO

EM 06/04/2004

2 MIN DE LEITURA

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Entre as medidas de resultado econômico da produção de leite, a taxa de remuneração do capital investido (TRC) é uma das mais interessantes, visto que permite comparar a rentabilidade do negócio com investimentos alternativos no mercado financeiro. Em outras palavras, a TRC permite verificar a atratividade do negócio.

A TRC resulta da divisão da margem líquida pelo capital investido, vezes 100. A margem líquida é igual à renda bruta menos os custos diretos (custo operacional efetivo), menos os custos correspondentes às depreciações de benfeitorias e máquinas e menos os custos referentes à mão-de-obra familiar.

O capital investido na produção de leite é composto de valores das benfeitorias, das máquinas, dos animais e da terra. Em razão das peculiaridades do fator terra, foram calculadas TRCs' incluindo e excluindo o valor da terra.

Quando se compara a TRC com a taxa real de juros, o resultado indica a conveniência, ou não, de continuar a produção de leite ou vender a propriedade, aplicando o dinheiro no mercado financeiro. Em análises dessa natureza, tem sido comum considerar 6% ao ano como piso da TRC. Este valor é o da taxa real de juros da caderneta de poupança, que não deve ser confundida com a taxa nominal de juros, correspondente à taxa real de juros mais a inflação.

Os resultados apresentados, a seguir, são dos produtores de leite do projeto Educampo, coordenado pelo Sebrae-Minas. Os produtores foram estratificados segundo a variável produção/vaca em lactação.

Feitas essas considerações metodológicas, vamos, agora, aos resultados. Segundo dados da Tabela 1, excluindo o valor da terra, os sistemas de produção dos três estratos são atrativos (TRC maior que 6% ao ano), e a atratividade aumenta com o aumento da produtividade. Todavia, incluindo o valor da terra, os sistemas de produção do primeiro estrato (até 5 litros/vaca em lactação) não são atrativos; os do segundo, indiferentes; e os do terceiro, atrativos. Para os produtores do terceiro estrato (mais de 12 litros/vaca em lactação), mesmo incluindo o valor da terra, é melhor negócio produzir leite que vender a propriedade e aplicar o dinheiro na caderneta de poupança.

O aumento da produtividade é uma estratégia para aumentar o volume de produção e, por extensão, reduzir o custo fixo médio. Com certeza, essa é a principal explicação dos resultados encontrados.

Em resumo, a analise dos dados permite chegar às seguintes conclusões: 1) Incluindo o valor da terra, os sistemas de produção de baixa produtividade não são atrativos porque a TRC é menor que a taxa real de juros da caderneta de poupança; 2) Os sistemas de produção de maior produtividade são atrativos, mesmo incluindo o valor da terra na composição do capital investido; e 3) Para os produtores analisados, produzir leite com produtividade é um negócio lucrativo, razão por que tais produtores ocupam parcela cada vez maior na produção total do país.

SEBASTIÃO TEIXEIRA GOMES

Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa

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