Prêmio à sustentabilidade
Espaço Aberto: Agricultura sustentável - esse tema motivou uma reunião, recentemente realizada em Berlim, na Alemanha, interessada em descobrir os caminhos futuros do campo. Parecer unânime: é preciso unificar a agenda da produção com a da preservação. Nada se concluiu, porém, sobre os custos dessa equação. Quem pagará a conta? Por Xico Graziano
Publicado em: - 3 minutos de leitura
No gelo atípico deste início da primavera europeia, participaram do encontro cerca de 90 pessoas, oriundas de vários países. Durante dois dias especialistas em certificação, pesquisadores universitários, operadores de mercado, ambientalistas, agricultores e diretores de empresas, de diversos ramos da agroindústria e do comércio de alimentos, trocaram suas figurinhas carimbadas. Todos sacramentaram os conceitos básicos da sustentabilidade.
Ressaltar o óbvio, às vezes, é necessário. Por mais que alguns políticos, ou organizações civis, queiram assenhorear-se da problemática ecológica, tomando como seu privilégio decifrá-la, formou-se certo consenso na sociedade mundial em favor da sustentabilidade. Sente-se, com maior ou menor idealismo, que a pegada ecológica sobre os recursos naturais periga romper os limites do planeta. Vislumbram-se, em decorrência, modificações na produção material, no consumo e no comportamento da civilização humana. Ninguém defende a destruição ambiental.
Existe também boa concordância quanto à necessidade de mensurar a sustentabilidade. No início do movimento ambientalista, gritar era fundamental para fazer avançar a consciência sobre os problemas ecológicos. Predominavam os discursos inflamados. Agora, mais que falar, é preciso fazer. E a ação prática somente poderá ter seus resultados aquilatados por meio da metodologia científica. Medir para manejar.
Inúmeros protocolos se definem, mundo afora, estabelecendo critérios, mais ou menos rígidos e abrangentes, para verificar a sustentabilidade. Muitos deles, seus prós e contras, foram discutidos nessa reunião em Berlim. A empresa alemã Basf, promotora do evento, apresentou seu método, chamado AgBalance, pelo qual quantifica, com 69 indicadores distribuídos em 16 categorias, o "balanço energético" de uma empresa rural, incluindo todos os elos da cadeia produtiva. Muito interessante.
O enfoque do measure and management domina a agenda mundial da sustentabilidade. Presente na Alemanha, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) enfatizou a importância das "métricas" ao falar sobre o Global Livestock Environmental (GLE), patrocinado pelo órgão da ONU. Susanne Stalder, por sua vez, seguiu na mesma linha com o Response Inducing Sustainability Evaluation (Rise), um protocolo seguido por 1.350 produtores rurais, localizados em 37 países. Caminho sem volta.
Comandado pela Stanford University (Califórnia), com a participação das importantes entidades ambientalistas WWF e TNC, o Natural Capital Project (NatCap) detalhou seu sistema integrado de avaliação de serviços ambientais. Grandes redes de varejo, como a norte-americana Walmart, e as multinacionais de alimentos Nestlé e PepsiCo deixaram clara a força da mudança que chega pelo lado dos consumidores. Rigorosos critérios, como os do Sustentability Consortium, começam a impor-se aos fornecedores de matérias-primas, especialmente alimentos.
Fica claro que os requisitos da produção sustentável exercem, progressivamente, forte pressão sobre os agricultores. E aqui reside a grande questão. A modificação tecnológica nas práticas agrícolas, tornando-as mais amigáveis da natureza, nem sempre operam a favor da rentabilidade dos negócios rurais. Os processos sustentáveis geram, muitas vezes, custos que comprometem a sobrevivência econômica do produtor rural. São os trade-offs.
Esse viés, o da economia, normalmente tem sido minimizado nas discussões sobre o desenvolvimento sustentável. Carrega-se no ecologicamente correto, destaca-se o socialmente justo, mas se esquece do economicamente viável, deformando o famoso tripé da sustentabilidade. Por isso os agricultores começam, eles também, a definir seus protocolos de conduta. Richard Wilkins, presidente da poderosa American Soybean Association (ASA), que representa 275 mil produtores norte-americanos, com 30 milhões de hectares de cultivo, deixou claro em Berlim que eles não aceitam os ditames que lhes querem impor. Articulada com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a ASA está definindo um protocolo próprio, no qual o requisito da produção sustentável mantenha, e não roube, a terra herdada dos antepassados.
No Brasil, ninguém melhor que a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) se dedica ao tema. Sua proposta Soja Plus segue a linha da produção sustentável, com respeito às leis trabalhistas e ao Código Florestal. Presente em Berlim, seu representante questionou: estariam os mercados consumidores, na Europa ou alhures, dispostos a pagar um "prêmio" à sustentabilidade? Não, responderam.
Sinuca de bico. Todos defendem o desenvolvimento sustentável, mas cada qual o define, e o mensura, conforme lhe convém. Nesse jogo de interesses, estoura a corrente produtiva no elo mais fraco: os agricultores. Assim não dá. Na busca da sustentabilidade, as empresas, os consumidores ou os governos, em nome da sociedade, precisam auxiliar, e não sufocar os produtores rurais. Há uma agravante: as regras da sustentabilidade precisam levar em conta as dificuldades inerentes aos agricultores familiares dos países em desenvolvimento. Não funcionará na Ásia, nem na África ou no Brasil um protocolo refinado, elaborado pela elite dos países ricos.
Desenvolvimento sustentável exige parcerias, não se enfia na goela do agricultor. Senão, azeda a comida.
Material escrito por:
Xico Graziano
Acessar todos os materiaisDeixe sua opinião!
SERRA TALHADA - PERNAMBUCO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/10/2013
O território brasileiro (Brasil) Terra de Sta.Cruz ,como foi identificada pelos portugueses na chamada época do descobrimento , no ano de 1.500 dC. Verdade é que os países europeus continuam descobrindo o nosso Brasil -isto é: descobrindo a terra brasileira de tudo de bom que ela pode oferecer-lhes em alimentos, madeira, minérios, ouro etc. - É pena que nós, os BRASILEIROS descendentes do cruzamento ou missigenação entre: Europeus, Africanos, Indios , Árabes e Judeus , ainda não conseguimos enxergar o Brasil como uma terra rica e próspera o suficiente para tornar sustentável a manutenção alimentar do resto do mundo . Infelizmente continuamos com a mentalidade de escravos do resto do mundo pois, o resto do mundo se une e decidem o que fazer e, nós , apenas produzimos o que e como eles determinam. No passado compramos a tecnologia , os equipamentos e até mesmo os venenos que eles não desejavam mais usar em suas terras por ter lhes feito muitos máles ex. cancer e outras doenças mais. O Mundo todo está alvoroçado e gritando pela SUSTENTABILIDADE do que não podem alcançar devido aos seus abusos do passado devastador e querem forçar, no grito, que os Países em desenvolvimento e com auto capacidade de tornarem-se AUTO-SUSTENTÀVEL pela sua própria capacidade de terras, águas doce e florestas, como é o caso do nosso BRASIL com suas cinco regiões de climas diferentes ,produtivas e bem definidas em suas regiões: NORTE; NORDESTE; SUL ; SUDESTE e CENTRO-OESTE. Infelizmente, o AGRONEGÓCIO que é representado por poucas emresas muti-nacionais e meia dúzia de produtores de soja que destroem as matas, produzem os alimentos e os exportam para os países famintos por produtos de boa qualidade e pagam caro. Enquanto que o Governo Federal cria o chamo AGRICULTOR FAMILIAR e determina que eles produzam os seus próprios sustento alimentar regionalmente dando-lhes apenas o direito de fazer empréstimos bancários e deixando de auxiliar-lhes com a devida e merecida assistencia técnica na área rural. Agora buscam forçar-nos a praticar a tão clamada "SUSTENTABILIDADE MUNDIAL . Devemos primeiro nos tornarmos auto-sustentáveis internamente, para só depois sustentarmos o resto do mundo. ACORDA BRASIL ! DESCOBRE A TUA CARA ! CUIDA PRIMEIRO DOS TEUS PARA QUE TENHAMOS ESTÍMULO PARA CUIDARMOS DOS NOSSOS VIZINHOS ! " DEUS NOS DEU , VERDADEIRAMENTE, UMA TERRA QUE MANA LEITE E MEL " ; ACORDA POVO BRASILEIRO, ABRE OS OLHOS E CONTEMPLA ESTA BENÇÃO QUE SOMOS .
Eu, JOSÉ CARLOS - Técnico em Zootecnia - Serra Talhada e S.Jose do Belmonte - Pernambuco.

SALVADOR DAS MISSÕES - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 24/04/2013
Acredito que ninguém é a favor de destruir o meio-ambiente, mas temos que ter em mente que se a produção for inviabilizada economicamente (ou perto disso), teremos escassez de alimento, com aumentos significativos de preços.
Outra questão diz respeito ao interesse de jovens, possíveis futuros produtores, mostrarem interesse em seguir na atividade primária. Vendo a angústia de seus pais, baixa remuneração, pouca infraestrutura, e exigências crescentes, estão fugindo "como o diabo da cruz" da atividade primária, e acredito que teremos que, num futuro bem próximo, "garimpar" possíveis interessados na imensa população urbana, em produzir alimentos, caminho que só será percorrido com excelente remuneração.
Precisamos sempre lembrar também aos consumidores, que além de cobrar produção sustentável e ecologicamente correta, que nos DÊEM EXEMPLOS de como fazer, e sugiro que primeiramente "limpem seu pátio de casa", diminuindo a poluição na sua cidade, a ponto de poderem, por exemplo, pescar nos rios e riachos que cortam sua cidade.
Concordo plenamente com os produtores americanos, que simplesmente NÃO CONCORDAM com exigências impostas "goela abaixo". O mundo precisa de comida, e precisam nos valorizar, e nos ouvir.
Parabéns novamente pela sensatez, Sr. Graziano, e peço que manifeste sempre que possível sua visão muito correta desta questão, pois nós precisamos de quem nos defenda.
Att,
Paulo Luis Heinzmann

TRÊS LAGOAS - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 22/04/2013
Deveriam colocar em discussão uma mudança na política de créditos de carbono, repassando o dinheiro das empresas poluidoras, para os produtores que praticão técnicas sustentáveis na sua produção. Mas para isto é necessário mensurar, possíveis ganhos, gastos entre outros .

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/04/2013
Também concordo que essas diretrizes sejam formuladas por todos os afetados por elas, ouseja, toda a sociedade, incluindo principalmente os diretamente afetados, os produtores!
UMIRIM - CEARÁ
EM 18/04/2013

PEJUÇARA - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 18/04/2013

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 18/04/2013
Ou se gera tecnologias sustentáveis, ou alguém paga a conta pelo uso de tecnologias ambientalmente corretas mas não competitivas ou vamos ficar nos discursos.