O que pensam Jorge Rubez e a Leite Brasil

Publicado por: MilkPoint

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Marcello de Moura Campos Filho

O informe publicitário da Leite Brasil, com o título "As Liquidações de Vacas", publicado no Suplemento Agrícola de 04/07/2001, comentando as controvérsias provocadas pelo artigo de Jorge Rubez, publicado no Suplemento Agrícola com o título "As Liquidações Leiteiras", mas publicado inicialmente no MilkPoint com o título "As Preocupações do Governador", só serve para confirmar a falta de sensibilidade da Leite Brasil com os problemas regionais.

Ninguém nega que é necessário atuação nas grandes questões estratégicas, como a ALCA, as barreiras comerciais, o leite clandestino, as novas normas de produção etc., que a Leite Brasil coloca como suas preocupações e o objetivos de sua atuação. Mas o que parece que Jorge Rubez e a Leite Brasil não percebem é que embora isto seja necessário, não é suficiente.

O que muitos produtores paulistas estão questionando não é uma simples venda de vacas, como Rubez e a Leite Brasil colocam a questão, mas o preço extremamente baixo que os mesmos estão recebendo pelo leite, que está inviabilizando a produção e provocando uma quantidade enorme de leilões de liqüidação em São Paulo. O que os produtores de leite paulistas não entendem é por que laticínios compram leite em Goiás que colocado em São Paulo chega a R$ 0,48 por litro, e de forma geral não chegam a pagar nem R$ 0,45 por litro para os produtores paulistas. O que muitos produtores paulistas acham é que o crescimento da atividade em alguns estados não pode ser feito às custas do esfacelamento da atividade em outros. O que muitos produtores paulistas estão dizendo é que existem interesses regionais legítimos e que precisam ser preservados. E estes produtores paulistas não estão apenas advogando em causa própria, pois entendem que existem interesses legítimos de produtores de outros estados, os quais não gostariam de ser prejudicados num futuro próximo, como hoje está acontecendo com os produtores paulistas.

Mas parece que Rubez e a Leite Brasil não dão importância aos problemas regionais. Aliás, no 1º Encontro de Produtores e Associações de Produtores de Leite, realizado no CEPEA/ESALQ em julho da ano passado, o plenário dos produtores presentes recomendou que para o fortalecimento da organização dos produtores seriam necessárias transformações na Leite Brasil para que esta pudesse ter atuação regional e sensibilidade para os problemas regionais. Foi encaminhado um relatório para Rubez com as sugestões do 1º Encontro de Produtores, mas parece que a Leite Brasil não deu importância ao mesmo. O coletivo é feito de partes e não é possível resolver o problema coletivo sem resolver o problema das partes. Por isso, para viabilizar o enorme potencial da atividade leiteira no Brasil, que pode vir a ser inclusive um grande exportador de leite, é necessário discutir os problemas de todas as partes, inclusive o de vendas de vacas, quando isto está acontecendo com a dimensão das liqüidações dos plantéis paulistas.

O informe publicitário da Leite Brasil diz que o que está acontecendo em São Paulo é por que a lei de mercado não foi revogada. Parece que a Leite Brasil neste informe está esquecendo que realmente não existe lei de mercado no caso do leite, quando de um lado das negociações está o oligopólio dos laticínios dominado por multinacionais e, do outro lado, um milhão e duzentos mil produtores completamente desarticulados. Aliás, organizações como a FAEG em Goiás e a FAEMG em Minas Gerais já perceberam que a lei de mercado para o leite só poderá ser estabelecida se for fortalecida a organização e o poder de negociação dos produtores, e vem realizando um trabalho efetivo neste sentido.

Estamos em julho, e logo teremos o 2º Encontro de Produtores de Leite CEPEA/ESALQ, agora com o apoio também da EMBRAPA. A Leite Brasil e outras entidades foram convidadas a participar para discutir com os produtores estratégias de mobilização da base e fortalecimento do setor leiteiro. Tenho a esperança de que Rubez e a Leite Brasil percebam a importância e urgência de transformar a Leite Brasil, para que a mesma, além de atuar nas grandes questões do leite, tenha sensibilidade para os problemas regionais e possa ter atuação regional, de forma que o interesse de todas as partes seja considerado, fortalecendo, aí sim, a organização dos produtores, e ganhando mais força para resolver as grandes questões do leite.

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Marcello de Moura Campos Filho - Tel/Fax (19) 3254-5496 - E-mail: maxisol@mpcnet.com.br
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