Pode haver um aviso aí: em todos esses 26 anos que pratico a atividade, tenho assistido a ciranda de preços ao produtor. Quando comecei ainda existia o "malfadado" controle de preço ao produtor (decretado pelo estado), logo depois veio o fim dessa proteção com a abertura da economia e o fim do controle desses preços. Tivemos, de um minuto pra outro, ter que encarar a competição (o que é ótimo, pois abre espaço pra eficiência e pressiona a ineficiência).
Nesse tempo todo houve também muita especulação por parte dos que compram, através das suas "bocas de aluguel". Ameaças com a importação a cada entressafra de leite ofertado a baixo preço (houve um ano que ameaçaram até com leite vindo da Ucrânia [rejeito da contaminação de Chernobyl por certo]). E assim tem sido. Todo ano, nesse momento, o produtor brasileiro "tira o pé" (e com isso "$ucateia" seu negócio).
Sempre acompanhei esse momento de desânimo com atenção, e acompanhei também a "retomada" quando da recuperação, porém, esse ano "a coisa" tomou uma dimensão bem maior. Estou curioso pra ver a retomada, mas algo me diz que o ímpeto não será o mesmo, portanto, que ninguém assuste se o produto vier a faltar. Os empreendedores devem estar sentindo que mais uma vez é o momento de empreender, mas teremos a coragem?
Junte-se a isso fatos como o da retirada de importantíssimo programa de assistência técnica subsidiada para o pequeno produtor, como vem ocorrendo. É óbvio que o GRITO é pelos que provavelmente deixarão de produzir e talvez nunca mais tenham a chance de recomeçar. Quem me autorizou a dizer isso foram minhas andanças por esse país e o desalento de muitos de meus amigos produtores espalhados por esse "rincão". Oxalá esteja dizendo uma "baita" asneira.