Num vôo na Argentina li, na Gaceta del Cielo de 19/08/2010, uma matéria onde a presidente Cristina Kirchner dizia que os direitos de importação na Argentina não são pagos apenas pelo setor primário, mas por todos os setores. E explicava que embora alguns creiam que esses direitos de exportação sejam apenas instrumento de arrecadação fiscal, na realidade trata-se de uma política econômica que permite que se fomente agregar valor aos produtos e ao mesmo tempo ter um dólar diferenciado, que permite sustentar o modelo. De fato, o peso argentino desvalorizado em 52% com relação ao dólar americano favorece exportações e dificulta importações.
No Brasil temos uma situação inversa, onde o real sobrevalorizado em 31% com relação ao dólar americano dificulta as exportações e facilita importações. Até o presidente Lula não deu nenhuma explicação para essa política.
Estava na Argentina para descansar, mas ao passar numa banca de revistas não resisti e comprei um exemplar da Infortambo, número 255, de agosto de 2010, e me chamou a atenção uma matéria do Engº. Agrônomo Alejandro Sammartino, sobre a apresentação de um estudo por Juan José Linari na Sociedade Rural Argentina, com o título de "Oportunidades de acesso via negociações internacionais: caso específico do setor lácteo".
Alguns números colocados por Lanari:
- Até 2018 o consumo mundial de queijo terá uma demanda adicional de 400.000 toneladas, sendo que a Argentina poderá aportar no mercado mundial 126.000 toneladas até 2015;
- O excedente exportável da Argentina é de 25%;
- 6% dos 699 milhões de toneladas de leite produzidos em 2009 foram comercializados internacionalmente.
Lanari mostrou que países como os USA, Nova Zelândia e Austrália, que hoje concentram 80% das exportações de lácteos terão grandes limitações para aproveitar esse crescimento da demanda mundial, surgindo oportunidades para países do Cone Sul, como o Brasil, Argentina e Uruguai. Mas advertiu que para aproveitar essas oportunidades não basta produzir leite a custos competitivos, mas de acordo entre esses países.
Lanari colocou que tendo em conta a dinâmica do comércio e os interesses em jogo a nível dos diferentes países do bloco, seria mais conveniente levar adiante negociações a partir do Mercosul esquemas país a país.
Em função das diferentes políticas cambiais e das colocações de Lanari, me convenço do acerto da posição da cadeia produtiva brasileira, que será apresentada aos argentinos dia 01 de setembro no Rio Grande do Sul, de que a integração dos setores lácteos brasileiro e argentino deve ter por objetivo uma plataforma para a exportação para terceiros países e não o comércio entre os dois países. Em função da colocação de Lanari, talvez fosse interessante estender os entendimentos ao Uruguai nesse acordo, caracterizando uma posição do Mercosul.
O desafio do mercado internacional de leite para os países do Cone Sul
Num vôo na Argentina li, na Gaceta del Cielo de 19/08/2010, uma matéria onde a presidente Cristina Kirchner dizia que os direitos de importação na Argentina não são pagos apenas pelo setor primário, mas por todos os setores. E explicava que embora alguns creiam que esses direitos de exportação sejam apenas instrumento de arrecadação fiscal, na realidade trata-se de uma política econômica que permite que se fomente agregar valor aos produtos e ao mesmo tempo ter um dólar diferenciado, que permite sustentar o modelo.
Publicado por: Marcello de Moura Campos Filho
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Material escrito por:
Marcello de Moura Campos Filho
Membro da Aplec (Associação dos Produtores de Leite do Centro Sul Paulista ) Presidente da Associação dos Técnicos e Produtores de Leite do Estado de São Paulo - Leite São Paulo
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