O campo produz paz

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Por Roberto Rodrigues, Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

A sociedade brasileira foi surpreendida com declarações de representantes de movimentos sociais no campo incitando à guerra contra os produtores rurais. Trata-se de um absurdo inconcebível, um equívoco brutal, e uma ameaçadora agressão ao Estado de Direito e à Democracia. Defender uma solução violenta para a questão agrária é não ter compromisso com o Império da Lei, com a Democracia e com a Paz.

Tais declarações estão na contramão dos extraordinários avanços econômicos alcançados pelo campo nos últimos tempos. A ameaça feita contra os empresários rurais revela total desconhecimento sobre a verdadeira revolução pacífica vivida pelo agronegócio brasileiro. Basta ler o relatório divulgado pela ONU há duas semanas, prevendo que o Brasil deverá ser o maior produtor agrícola do mundo num prazo de 12 anos.

O agronegócio é o mais importante setor da economia nacional, responde por 27% do PIB, gerando 37% do total dos empregos no Brasil e garantindo o saldo da balança comercial: a extraordinária competitividade determinada pela impressionante modernização do campo produziu um saldo comercial nos últimos 12 meses superior a 24 bilhões de dólares. É, na verdade, o setor que mais incorporou tecnologia nos últimos anos: a área plantada desde 1990 cresceu 14%, enquanto a produção em toneladas aumentou 107%. E tudo isto foi feito suportando o peso imenso de ter que garantir a estabilização da economia e o combate à inflação. Não é por outra razão que foi chamado de "âncora verde" no Plano Real e, hoje, é considerado o grande motor da economia.

Pois é este setor, que trabalha dia e noite rasgando a fronteira agrícola, enfrentando o protecionismo externo dos países ricos, abastecendo o povo brasileiro, abrindo mercados estrangeiros na base da eficiência e modernidade, que vem sendo ameaçado por declarações que não podem ter mais vez no mundo democrático que todos almejamos.

O campo é moderno e competitivo, mas é pacífico e solidário. Sua guerra é contra a fome e a miséria, produzindo comida, empregos e excedentes exportáveis que reduzem nossa dependência de dólares de fora e contribuem para diminuir a vulnerabilidade externa de nossa economia.

O campo quer a Paz, sem o quê perde a confiança para investir e continuar a ser a grande alavanca do desenvolvimento nacional, gerando poupança para a promoção de outros setores da economia.

O campo precisa da Paz, até porque qualquer guerra não ficará restrita a ele: terminará invadindo as cidades.

O campo quer a reforma agrária para promover a justiça social e compensar os excluídos rurais, vítimas de erros passados, de décadas de descaso para com o setor. Mas é absolutamente imprescindível que esta reforma agrária seja feita dentro da legalidade, com o respeito à Constituição, ao direito de propriedade e à intocabilidade das terras produtivas.

O Estado de Direito é a única via para o país seguir avançando. A alternativa a ele é a barbárie. Esta situação não interessa à Democracia e muito menos ao cidadão comum, que acaba sendo a grande vítima de uma eventual quebra do Contrato Social.

Não se pode continuar atribuindo atraso ao setor que mais se desenvolveu no Brasil, pelo esforço hercúleo dos produtores rurais. O discurso de que o campo é atrasado é muito mais atrasado: estacionou no século passado, enquanto o setor rural avançou rumo ao terceiro milênio.

Paz no campo é a verdadeira saída para o desenvolvimento equilibrado. Preservá-la é uma garantia para atrair investimentos externos produtivos. Reforma agrária sim, mas dentro da Lei. Sem violência.
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Nota oficial divulgada pelo Roberto Rodrigues, Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na sexta-feira, 25 de Julho de 2003
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Marco Antônio de Souza Vieira Junger
MARCO ANTÔNIO DE SOUZA VIEIRA JUNGER

GUANAMBI - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 31/07/2003

Enfim, uma voz se levanta e marca posição contra a covardia instalada nos setores governistas responsáveis pela reforma agrária.

O produtor rural tem e exigirá o direito de trabalhar em paz!
José Iêdo Mota Mendonça
JOSÉ IÊDO MOTA MENDONÇA

MACEIO - ALAGOAS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 30/07/2003

Quero parabenizar o Ministro Roberto Rodrigues pela coragem da manisfestação, num momento bastante dificil que passa a sociedade brasileira e ele como membro de um governo que assiste a tudo isso, sem exercer sua autoridade constitucional, que é de coibir essa violência e não o faz.

Portanto, registro aqui meu apoio incondicional ao Ministro Roberto Rodrigues, pela maneira digna como se comporta.
José Luiz Bianchi
JOSÉ LUIZ BIANCHI

BOITUVA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 30/07/2003

Magnífico o artigo do nosso Ministro da Agricultura, Engenheiro Agrônomo Roberto Rodrigues, colocando ordem e lembrando aos desavisados da importância da agropecuária no contexto da economia nacional.

É imperativo que as autoridades competentes tomem medidas para conter excessos na retórica e nas ações que estão sendo orquestradas por movimentos que, como se sabe, possuem interesses outros que não sómente a distribuição de terras, para que o campo possa continuar a desempenhar o seu grandioso papel de fornecer alimentos para saciar a fome do nosso povo e gerar excedentes exportáveis que contribuem significativamente para o bom desempenho de nossa balança comercial.

A paz, tão cultivada no campo, só será possível se os responsáveis constitucionalmente cumprirem o seu papel.

É o que se espera para o bem desta grande nação.
Carlos A. Ortenblad
CARLOS A. ORTENBLAD

OUTRO - SÃO PAULO

EM 30/07/2003

Essas corajosas e inequívocas palavras do meu prezado amigo Roberto Rodrigues, honram não apenas a biografia dele, como também a memória de seu pai, fazendeiro exemplar, grande Secretário da Agricultura, e vice-governador do estado de São Paulo.

Nosso ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é praticamente a ultima barreira entre a normalidade e a babárie no campo.
Qual a sua dúvida hoje?