Mas, com certeza, o pior se dá com os consumidores, desinformados, desavisados, ou mesmo enganados por uma série de "coincidências" maldosas ou não, quer pela semelhança absoluta das embalagens; quer pelo apelo de se usar o nome LONGA VIDA para se identificar um processo industrial (UHT) quando o consumidor associa este termo a LEITE; quer pela localização deste produto nas gôndolas dos supermercados, junto com o leite longa vida propriamente dito; quer pelas caixas colocadas em pilhas gigantescas nos corredores, com a expressão LONGA VIDA nas caixas que acondicionam as embalagens individuais, invariavelmente na cor vermelha; ou ainda, nas propagandas veiculadas nas redes de televisão, em horário nobre, chamando BEBIDA LÁCTEA de LEITE LONGA VIDA.
A posição da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por intermédio da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNPL), não é, seguramente, como tentam informar a opinião pública, o conceito irresponsável de não se aproveitar o SORO.
Temos a convicção, talvez antes mesmo daqueles que hoje defendem o uso do soro, da importância de seu aproveitamento, por todos os motivos por eles tão bem explicitados, desde suas qualidades nutricionais, até a preservação do meio ambiente, passando naturalmente pelo seu baixo custo.
A CNA defende apenas que a utilização do SORO seja RESPONSÁVEL, HONESTA, preocupada com a SEGURANÇA ALIMENTAR, SEM SUBTERFÚGIOS, com o propósito básico de AUMENTAR O CONSUMO de lácteos, e não só AUMENTAR O LUCRO de algumas indústrias.
A CNA, portanto, é contra as FRAUDES, seja na preparação de produtos que não são autorizados a conter soro em suas fórmulas, seja na confusão de fazer com que o consumidor leve "GATO POR LEBRE", até porque ambas são crimes e não há como alguém defender essas práticas.
A proposta apresentada por um técnico em laticínios na reunião da CNPL em Sete Lagoas (MG), no último dia 24 de setembro, contratado para este fim, preocupa-se basicamente em acabar com estas distorções.
O mais curioso é que industriais da BEBIDA LÁCTEA parece que novamente não concordaram com a proposta de implantar uma melhor regulação do setor.
O contraditório é que não concordam em serem adotadas medidas com o intuito de caracterizar de forma clara e transparente o produto que tanto defendem.
Se a BEBIDA LÁCTEA tem qualidade; se seu preço é menor em torno de 20% na comparação com o do leite longa vida; se atende as camadas C e D da sociedade brasileira; qual o risco de IDENTIFICÁ-LA de forma a não gerar dúvidas ou enganos?
É, no mínimo, conflitante, para não dizer absurda, a avaliação dessas pessoas, que por fim demonstram uma total insegurança em seu próprio discurso.
Portanto, gostaríamos de definitivamente externar a avaliação da CNPL - CNA em relação ao aproveitamento do SORO no Brasil:
- Somos a favor do aproveitamento do soro, SIM, desde que sua produção obedeça normas para lhe garantir qualidade. O SORO, no Brasil, até muito pouco tempo era utilizado para alimentação animal, e VIA DE REGRA não foram feitos investimentos para a sua aplicação na alimentação humana.
- Somos favoráveis à uma nova regulamentação de produtos modificados, para que se estabeleça regras e normas inquestionáveis e definitivas.
- Somos a favor de criação de novas formas de utilização de SORO, para que não haja concorrência de produtos lácteos com produtos lácteos, o que não interessa a ninguém. A exemplo do trabalho do US DAIRY EXPORT COUNCIL, que publicou um manual de referência para produtos de soro.
- E, por fim, somos a favor de TODOS, indústrias, supermercados, cooperativas, produtores de insumos, consumidores; enfim, todos que sejam parceiros para resolvermos os problemas da cadeia de lácteos brasileira, em benefício de seu crescimento, de melhores margens em todos os seus elos, de melhor qualidade dos produtos e da matéria-prima, na abertura de novos mercados, na maior previsibilidade e estabilidade de preços.
E, se me disserem que isto é utópico, EU LHES DIREI QUE SOMOS MUITO INCOMPETENTES.
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