Metodologia do cálculo de preços do litro de leite - Cepea/USP

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Por Leandro A. Ponchio1

Os preços do litro de leite, divulgados mensalmente no Boletim do Leite, referem-se ao preço médio bruto recebido pelos produtores de leite nas principais bacias leiteiras do país. Ou seja, a média ponderada dos preços pagos aos produtores no mês atual, referente ao leite entregue no mês anterior.

Cada bacia leiteira é subdividida em regiões, contactados pelo CEPEA mensalmente. Com os preços regionais, é calculada a média aritmética de cada região e posteriormente a média de cada estado. A média de cada estado, por sua vez, é baseada nas ponderações descritas nas tabelas 1, 2, 3, 4, 5,6. A principal finalidade é a criação de um índice de preço do litro de leite, que se aproxime ao máximo da realidade regional. O trabalho de pesquisa para definição das regiões e dos informantes foi feito entre janeiro e fevereiro de 1997, sendo constantemente atualizado.

É importante lembrar que as ponderações são feitas com os dados oficiais do IBGE, em que cada região produtora recebe sua devida importância, variando de acordo com participação da produção no estado. Para o cálculo da média BRASIL do preço do litro de leite recebido pelos produtores é feita a média aritmética dos seis principais estados produtores (Goiás, Paraná, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo).

As principais regiões levantadas hoje são:

1- Goiás.

Tabela 1: Ponderações regionais para o Estado de Goiás.



2- Paraná.

Tabela 2: Ponderações regionais para o Estado do Paraná.



3- Bahia,

Tabela 3: Ponderações regionais para o Estado da Bahia



4- Rio Grande do Sul,

Tabela 4: Ponderações regionais para o Estado do Rio Grande do Sul



5- São Paulo,

Tabela 5: Ponderações regionais para o Estado de São Paulo



6- Minas Gerais,

Tabela 6: Ponderações regionais para o de Minas Gerais



O preço do litro de leite recebido pelos produtores, é calculado com base nos preços fornecidos pelos laticínios e produtores de cada região, tendo atualmente 135 informantes (cooperativas e laticínios e produtores) em todo o país. Por se tratar de informações confidenciais, é de inteira responsabilidade do Cepea o sigilo das mesmas, sendo somente divulgadas as médias dos preços do litro de leite por cada Estado.

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1Leandro A. Ponchio, CEPEA - ESALQ/USP
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Antônio Carlos de Souza Lima Jr.
ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA LIMA JR.

GOIÂNIA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/02/2003

Prezado Leandro,

Tenho percebido que os preços de Goiás publicados pelo CEPEA, em geral são inferiores aos praticados pelas indústrias, baseado em informações que mensalmente tenho de indústrias e/ou cooperativas associadas ao Sindileite-GO.

Antônio Carlos de Souza Lima Júnior - Engenheiro Agrônomo-Goiânia-GO
João Paulo V. Alves dos Santos
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/02/2003

Prezado Senhor Leandro,
Fico grato em ter as informações sobre a metodologia do cálculo do preço do litro de leite. Gostaria entretanto de registrar algumas observações:

1 - O que é preço médio bruto ? Inclui encargos sociais, contribuições a cooperativas,e, principalmente, frete ?

2 - As pesquisas realizadas entre os meses 1 e 2 de 97, muito embora, sempre atualizadas, como VS afirmam, levam em consideração a dinâmica da captação x ponto de entrega ?

3 - Já que falamos de preço bruto, qual a avaliação feita em relação ao custo do frete, para chegarmos ao preço do produto na ponta da captação ?

4 - Ficou claro que as fontes são sigilosas, mas seria indiscrição sabermos, por exemplo, que em São Paulo, ou Minas, ou Goiás, qual o percentual de produtores, cooperativas e laticínios são ouvidos, e quais os documentos exigidos dessas fontes de informação para a elaboração dos preços regionais ?

5 - entendi também que os preços regionais são ponderados, de acordo com os índices fornecidos pelo IBGE; mas não ficou claro, pelo menos para mim, que o preço Brasil seja resultado de uma média aritimética das ponderações regionais.

6 - Considero o Cepea/USP um orgão dos mais credenciados para a apuração do preço do leite, quer regional, quer nacional, e para isso que solicito a maior transparência e discussão dos métodos de avaliação. Obrigado, José Humberto

<b>Resposta do pesquisador Leandro Ponchio, CEPEA/USP</b>1- O preço médio bruto refere-se ao preço médio recebido pelo produtor, inclusos frete e INSS (Funrural). Não estão nestes preços valores de bonificação dos produtores por qualidade, como gordura, células somáticas, etc....

2- Os valores ponderados de cada região são referentes ao último levantamento MUNICIPAL do IBGE, realizados em 1997.
Assim, cada microregião levantada tem seu devido peso no estado.

3- Normalmente captamos o preço do frete do leite, porém são dados que tem uma variação muito grande entre os valores, e devido à desoniformidade destes dados, optamos por não publicá-los, uma vez que estes valores variam muito de produtor para produtor, mesmo pertencentes a mesma linha de captação.

4- Acredito que seja sim, uma vez que em algumas regiões, sabemos que existe um número limitado de laticínios, e por compromisso com estes informantes optamos por não divulgá-los. Porém, esteja certo que os principais laticínios de cada município (pertencentes ao levantamento) estão sendo levantados.

5- O dado nacional é referente à média nacional, e no ano de 2002, não foi possível fazer a ponderação nacional, devido à falta de dados do IBGE (pesquisa trimestral do leite). Os dados que lá constam até hoje são referentes à setembro de 2002. Estamos avaliando se podemos considerar na média ponderada nacional, valores defasados de produção em 6 meses.

6- Acredito que toda discussão construtiva é sempre bem vinda e só tem a trazer melhoras para toda a cadeia produtiva.
Nós do CEPEA, estamos sempre abertos a recebermos críticas e sugestões de melhora. Sendo assim, sinta-se à vontade de nos enviar qualquer tipo de crítica ou sugestão.


João Paulo V. Alves dos Santos
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/02/2003

Prezado Senhor Leandro,

Fico grato em ter as informações sobre a metodologia do cálculo do preço do litro de leite. Gostaria entretanto de registrar algumas observações:

1 - O que é preço médio bruto ? Inclui encargos sociais, contribuições a cooperativas,e, principalmente, frete ?

2 - As pesquisas realizadas entre os meses 1 e 2 de 97, muito embora, sempre atualizadas, como VS afirmam, levam em consideração a dinâmica da captação x ponto de entrega ?

3 - Já que falamos de preço bruto, qual a avaliação feita em relação ao custo do frete, para chegarmos ao preço do produto na ponta da captação ?

4 - Ficou claro que as fontes são sigilosas, mas seria indiscrição sabermos, por exemplo, que em São Paulo, ou Minas, ou Goiás, qual o percentual de produtores, cooperativas e laticínios são ouvidos, e qual os documentos exigidos dessas fontes de informação para a elaboração dos preços regionais ?

5 - Entendí também que os preços regionais são ponderados, de acordo com os índices fornecidos pelo IBGE; mas não ficou claro, pelo menos para mim, que o preço Brasil seja resultado de uma média aritimética das ponderações
regionais.

6 - Considero o Cepea/USP um orgão dos mais credenciados para a apuração do preço do leite, quer regional, quer nacional, e para isso que solicito a maior transparência e discussão dos métodos de avaliação. Obrigado, José Humberto
Jose Luiz Ribeiro
JOSE LUIZ RIBEIRO

PASSOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/02/2003

Doutor Ponchio, gostaria de informar que uma prática comum entre laticinios e, pior ainda, uma cooperativa, é pagar um preço na nota fiscal e fazer uma bonificação em dinheiro 'vivo' aos melhores fornecedores. Somente uma ação mais punitiva do Governo poderá melhorar o preço ao produtor rural. Na minha opinião, como produtor rural, não queremos nenhum subsídio; isenção fiscal ou qualquer outro beneficio. Queremos que o governo não deixe os laticinios nacionais, multinacionais, falsas cooperativas e supermercados, continuando a fazer cartel e impedindo o produtor rural de receber um preço digno pelo seu produto. Exemplo: Durante a C.P.I. do leite em Minas Gerais o produtor rural recebia em média R$ 0,25 por litro de leite enquanto no supermercado o litro de leite longa vida era vendido ao consumidor por R$ 1,25. Uma pequena margem entre produtor e consumidor de 400%. Portanto, o setor leite tem informações erradas, cartel e lideranças sem compromisso.
Qual a sua dúvida hoje?