Leite: antecipação de preços sinaliza evolução... mas é pouco !

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Aloisio Teixeira Gomes1

Muito se tem discutido e escrito a respeito das mudanças que vêm ocorrendo na cadeia agroindustrial do leite e dos entraves para se obter avanços mais rápidos e decisivos em todos os seus segmentos, da produção ao consumo.

Com certeza as perspectivas para o desenvolvimento do agronegócio do leite envolvem fatalmente a questão da modernização, da melhoria tecnológica e, conseqüentemente, de melhorias de eficiência técnica e econômica em todos os elos que compõem o agronegócio do leite.

Também são fundamentais as políticas de governo direcionadas a: (1) gerar tecnologias; (2) regulamentar e fiscalizar a qualidade dos produtos lácteos; (3) evitar distorções nos mercados doméstico e internacional; e (4) socorrer o setor em épocas de crise.

Outra questão recorrente é a que diz respeito ao consumo de leite e seus derivados, que ainda é muito baixo no Brasil, contribuindo para as constantes crises no mercado.

Eu acredito que tal quadro tem suas raízes na falta de uma coordenação adequada que predomina na cadeia do leite. Este fato acarreta constantes conflitos entre os agentes, fruto da falta de um ambiente de confiança, parceria e cooperação, que deve estar presente para que haja harmonização dos interesses entre os segmentos da cadeia.

Um fato que tem mudado na relação entre indústrias e produtores de leite diz respeito à divulgação antecipada dos preços do leite, ou seja, antes de seu fornecimento. Entendo que, para os produtores que só conheciam o preço de venda de seu leite de 30 a 60 dias após fornecimento, o chamado "preço surpresa" já foi um avanço. Muitos laticínios estão anunciando o preço que será pago no próximo mês com 15 a 30 dias de antecedência. Assim, ainda que de forma precária, os produtores têm um elemento para tomar algumas decisões de curto prazo.

Considerando o grande universo de produtores de leite, ainda temos muito a caminhar nas boas relações produtor/indústria. Preços antecipados já é algo interessante. Melhor seria se fossem estabelecidos, via negociações entre as partes, com maior antecedência e de forma mais duradoura e formalizada na forma de um contrato.

Porém, há que existir compromissos sobre parâmetros de qualidade, critérios claros de pagamento, valorização da cota etc., como ocorre em todos os países com tradição leiteira. Enfim, muito se pode estabelecer, de comum acordo, para que produtores e indústria sejam verdadeiros parceiros, aliando-se para enfrentar a organização e a força de supermercados cada dia mais organizados e poderosos.

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1Pesquisador da Embrapa Gado de Leite - agomes@cnpgl.embrapa.br
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José Almeida
JOSÉ ALMEIDA

VILA REAL - VILA REAL - PESQUISA/ENSINO

EM 17/06/2002

Parabéns pelo comentário orientando o Produtor de Leite. Nós, aqui em Alagoas, mais especificamente uma família no Município de Major Isidoro, firmamos contrato de compra e venda com a indústria ILPISA para o fornecimento de 30 mil litros diários com preço mínimo garantido; variação mensal para mais e para menos de acordo com o mercado, com as bonificações de praxe por qualidade, produtividade, representabilidade, pagamento quinzenal, preço antecipado e etc. As partes estão cientes do êxito comercial e que poderá servir de exemplo para o produtor de leite, desde que se aglutinem em prol da causa. A FAMÍLIA AMARAL encabeça uma nova comercialização que, acreditamos, poderá servir de parâmetro para uma nova fase dentro do segmento da cadeia
láctea.

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