Jersey X Holandês: o cruzamento ideal - comentários
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Já um pouco atrasado, finalmente pude sentar e comentar este artigo (clique aqui para ler). Conforme já mencionado em outro comentário, talvez a melhor contribuição da raça Jersey neste, e em qualquer outro cruzamento, seja no quesito fertilidade. Inúmeras pesquisas comprovam a diferenciada fertilidade da raça Jersey através de menores dias em aberto, menor incidência de distúrbios reprodutivos pós-parto e maior número de partos e portanto de dias em lactação ao longo de sua vida útil. Ainda que eu seja fã confesso do programa de melhoramento genético do Gir Leiteiro e do Girolando, este aspecto realmente diferencia o Jersey dos zebuínos, enquanto alternativas para imprimir rusticidade. Ainda sobre fertilidade, também é válido, já que muito se tem comentado sobre a Nova Zelândia, lembrar que o Holandês deles (ou Frísio) também merece atenção neste sentido. A razão neste caso tem a ver com o próprio sistema de produção deles que penaliza fortemente, através do descarte ou da geração de cruzados com raças de corte, as vacas que não emprenham precocemente e que, portanto, não irão parir na primavera seguinte. Esta seleção indireta, mas muito rigorosa por alta fertilidade merece atenção.
Quanto à citada facilidade de parto da vaca Jersey, (não há "parteiros" em fazendas de Jersey, nem os catálogos de sêmen da raça se preocupam com "facilidade" de partos..) eu não chegaria ao ponto de dizer que a vaca Jersey pare bezerros de touros holandês com altos índices de dificuldade de parto, facilmente. Em nossa produção de animais cruzados a partir de ventres Jersey inseminados com HPB, utilizamos apenas sêmen de touros com alta facilidade de parto em vacas Jersey já com duas crias. As novilhas continuam sendo inseminadas com Jersey. Para os criadores de Holandês e Girolando que desejem usar sêmen Jersey será com certeza um alívio poder esquecer as dificuldades de parto de suas novilhas.
"Febre do Leite": embora a raça Jersey tenha efetivamente uma maior predisposição ao problema, não creio que isto seja relevante nos mestiços. Apenas a combinação de vacas jersey puras de alta produção com proprietários mal orientados pode tornar o problema relevante.
"Resistência a Carrapatos": gostaria de ouvir a respeito o testemunho da Drª Cecília Veríssimo do Inst. de Zootecnia, que vem estudando as diferenças entre raças de resistência ao parasita. Na verdade, me surpreende ainda tratarmos do assunto: o domínio de técnicas como rotação de princípios ativos, aplicações estratégicas, a sinergia com a técnica de pastejo rotacionado e os ótimos resultados apresentados por produtos homeopáticos (apesar do que diz o Fantástico...) já deveriam ter tornado isto uma questão menor.
Resultados: sabemos de inúmeros criadores que já praticam o cruzamento há bastante tempo, e que portanto poderiam apresentar resultados concretos. Novamente o Instituto de Zootecnia poderia nos dizer como andam os resultados dos diferentes cruzamentos entre Gir, Holandês e Jersey produzidos em Ribeirão Preto.
Por último um comentário particular sobre "fórmulas mágicas" e "esterco na botina": bons e péssimos animais existem em todas as raças e portanto o segredo está em cruzar "bons com bons". Saber diferenciar "bons" de "péssimos" exige não só "esterco na botina", mas também muito conhecimento técnico.
_______________________________________________
1 Médico Veterinário e Produtor de Leite em São Paulo
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.
Deixe sua opinião!

ALTO PARANÁ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 09/02/2014

URUTAÍ - GOIÁS - ESTUDANTE
EM 21/11/2011

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/05/2010

NOVA ODESSA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 09/06/2004
Também foi feita uma análise genética do comprimento do pêlo desse rebanho Jersey, que revelou uma herdabilidade de 38%, indicando que existe variação genética aditiva no rebanho, e que é possível reduzir o comprimento dos pêlos por meio de seleção (trabalho divulgado na ZOOTEC 2004, Veríssimo et al. Estimativa da herdabilidade do comprimento do pêlo e um rebanho da raça Jersey).

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO
EM 06/06/2004
A resposta de algumas colocações de seu artigo podem ser encontradas no site www.geneticasueca.com.br. O gado da raça sueco vermelha e branca saiu-se bem nas provas da California, com um indice melhorador de 7% nos cruzamentos com Holstein emquanto que o jersey alcançou 2,5%.
Se possível veja a proposta genética da Suécia com seleção por produção, fertilidade da femea, sanidade.
Antonio Nunes
e-mail info@geneticasueca.com.br

MACHADO - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 05/06/2004
A respeito do cruzamento entre Jersey e Holandês quero acrescentar que como você citou o frísio da Nova Zelândia com certeza é a raça em que melhor resultado vai apresentar no cruzamento por seu pequeno porte, daria para estar alternando, pois não teria problema de parto.
Também no item rusticidade, aquele país ao longo de mais de 60 anos, vem selecionando sua genética para fertilidade, longevidade e uma capacidade maior de converter pasto em leite, onde os produtores brasileiros vão ter uma maior rentabilidade no setor. E com este cruzamento vamos com certeza estar definindo a raça tão esperada para a produção de leite no Brasil, já que as duas são produtivas e, com o vigor híbrido gerado pelos cruzamentos, vamos superar todas essas dificuldades até então passadas.
Quanto a Homeopatia, já tem resultado bastante satisfatório em minha região Sul de Minas, tradicional bacia leiteira do país, tanto no controle de carrapatos como também em outras enfermidades que acometem o rebanho leiteiro. Sempre aconselho os produtores a fazer uma escovação em seus animais. Com isso, você estará diminuindo a infestação destes parasitas em sua pastagem.
Vamos fazer uma conta simples se você tem 50 animais cada um com 20 teleógenas ingurgitadas e você escovar, estará retirando do pasto nada mais do que 3 milhões de carrapatos e, em pouco tempo, vamos ter o controle destes parasitas. Pensem nisto e vamos juntos com a Homeopatia enfrentar, pois esta prática não interfere no controle onde vários predadores naturais como (aves, ratos, camundongos, sapos, formigas, aranhas, tesourinhas, garça vaqueira e as galinhas domésticas). Como muito bem lembrou a Pesquisadora Científica do Instituto de Zootecnia (APTA/SAA-SP) Cecília José Veríssimo.
Dionísio Caproni, representante do laboratório homeopático Arenales e da NZ Brasil, genética zeo-zelandesa, em Machado, MG

POMPÉU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/06/2004
Muito pertinentes as suas observações sobre o artigo de minha autoria e obrigado por dividir conosco tantas observações importantes sobre o cruzamento. Cheguei a deletar uma frase quase idêntica a sua sobre Gir e Girolando com medo da repercussão negativa (curioso como pode se dizer coisas praticamente idênticas sem ser plágio).
Quanto a vacas Jersey parindo filhos de touros holandeses, me baseei em um estudo de Weigel e Barlass 2002 que atribuiram notas de 1 a 5 para facilidade de parto de vacas Holandesas, Meio Sangue e Jersey encontrando 2,2, 2,9 e 3,6 respectivamente. E a frase que citei estava nos comentários.
Também gostaria de ouvir a opinião da Drª Cecília Veríssimo do Inst. de Zootecnia sobre a pretensa resistência a carrapatos. Vamos colocá-la na roda para discutir.
De qualquer forma acho que a discussão está sendo bem produtiva para todos nós, pois com a sua já são 12 cartas comentando o artigo.
Obrigado a todos.
Renato Serra Machado