Importância da inclusão do leite nos programas institucionais

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Marcelo Costa Martins1

Duas medidas de extrema relevância para o setor leiteiro podem ser implementadas ainda este ano. A primeira, o Projeto Lei nº 41/2003 de autoria do senador Helio Costa, aprovada por unanimidade pela Comissão de Educação do Senado no dia 23 de setembro do corrente ano, determina a inclusão de leite fluido e pasteurizado na merenda escolar.

A outra, proposta de iniciativa do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate a Fome diz respeito à criação do Programa de Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite. Este programa tem por objetivo utilizar o leite para combater a desnutrição de crianças de seis meses a seis anos de idade e de gestantes a partir da constatação da gestação.

A abrangência destas propostas ultrapassa a esfera social, influenciando diretamente no desenvolvimento econômico de regiões produtoras de leite. Dessa forma, os produtos lácteos poderão assumir papel decisivo não apenas na tarefa de erradicar a fome, mas também na de assegurar o direito à alimentação de qualidade à população de baixa renda, principalmente entre crianças em idade escolar.

O leite é um dos alimentos mais completos que dispomos. Possui a maioria dos elementos essenciais - micronutrientes, aminoácidos e ácidos graxos - em porções maiores que qualquer outro produto isolado. Possui, ainda, proteínas de alta qualidade, elevado percentual de cálcio, além de outras substâncias bioativas, como enzimas, fatores de crescimento, hormônios e citocinas. Todos esses componentes reforçam a importância do leite como alimento diário fundamental.

Além da importância social, os programas institucionais devem ter como objetivo fortalecer a pecuária de leite pelo estímulo ao aumento da produção para atender o crescimento da demanda. O Programa de Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite, por exemplo, pretende comprar um milhão de litros de leite/dia na região do semi-árido nordestino e na região Norte do Estado de Minas Gerais (gráfico 1).


Já o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), também conhecido como "merenda escolar", atende cerca de 37 milhões de alunos matriculados no ensino pré-escolar e fundamental de escolas públicas e filantrópicas em todo o país. Se cada aluno consumir 0,25 litro de leite por dia durante o período letivo, a demanda anual será superior a 2 bilhões de litros de leite no País, ou seja, 10% da produção.

No entanto, é fundamental que os programas privilegiem a produção leiteira regional, em vez de leite importado, como ocorre em alguns Estados. Fortalecer a pecuária leiteira, principalmente nas regiões mais pobres do País significa manter o homem no campo e gerar emprego e renda. Na região do semi-árido, por exemplo, em anos nos quais chove menos de 400 mm, a única atividade que se sustenta é a produção de leite, viabilizada pela utilização de palma forrageira na suplementação do rebanho. Além do mais, a atividade leiteira emprega permanentemente em todo país mais de três milhões de pessoas, só na produção primária.

Dessa forma, com a implementação dos programas institucionais, ganha a economia regional, pois são criados novos postos de trabalho na área rural pela intensificação da utilização de mão-de-obra, gerando renda local para os pequenos produtores de leite e incentivando as demais atividades produtivas locais pelo beneficiamento e comercialização de produtos lácteos nos municípios.

*Texto publicado originalmente no Informe Econômico do Leite - Embrapa Gado de Leite/CNA
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1Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA
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Nevio Primon de Siqueira
NEVIO PRIMON DE SIQUEIRA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 01/12/2003

Apesar de parecer um tanto quanto óbvio o uso do leite produzido regionalmente no consumo dos programas sociais, até agora o que vimos não confirma essa lógica em vários casos. Além de ser uma pena, é uma burrice, pois além da inclusão do leite nos programas sociais, temos os benefícios de gerar negócios, renda e emprego nas regiões com a produção do leite. É pena que nem todos os políticos tem essa visão ou, melhor dizendo, essa inteligência.
Edson Felix Costa
EDSON FELIX COSTA

GRAVATÁ - PERNAMBUCO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 01/12/2003

Curiosamente, ontem, 30/11/2003, a Folha de São Paulo publicou uma matéria onde dizia que o Conselho Federal de Nutrição considerava a distribuição de leite a populações carentes, como um retrocesso do ponto de vista nutricional e comparava a medida com um programa semelhante, existente no governo Sarney. Ora, é muito fácil ter uma visão simplista do Brasil, quando se está em regiões cujo consumo médio diário de leite já está situado nos 400 ml diários por habitante, recomendados pela FAO. Agora, a realidade nordestina é totalmente diferente, o consumo médio não passa de 150 ml por habitante por dia, isto talvez explique a baixa estatura média da população nordestina.

O curioso é que uma classe da maior importância, como os nutricionistas, tem coragem de atacar uma iniciativa que visa prover alguns ml diários de um alimento essencial, como o leite, a populações carentes de elementos nutritivos essenciais. A quem será que interessa essa posição dos nutricionistas?

Edson Felix Costa

Produtor de Leite em Pernambuco
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