Há leite ou não há, verdade ou mentira, manipulação ?

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Leonardo Moreira Costa de Souza1

Termina o mês de setembro e, coincidentemente, começam os boatos, as conversas de porteira e as fofocas sobre a redução do preço do leite. Mas, sabemos que tudo se deve à pressão evidente para que ocorra a queda dos preços, já ferozmente defasados, com base em argumentos frágeis e, no mínimo, por pura demagogia visando colocar o elo forte do setor em posição de pessoas frágeis e agredidas por não conseguirem vender os seus produtos.

Deve-se falar em redução dos preços do leite pela queda do consumo ou em razão da manutenção dos lucros dos poucos que se beneficiam da cadeia produtiva do leite?

Será justo forçar o produtor a ter prejuízos? Por que os produtores? Por não estarem unidos? Por serem pouco organizados? E o Governo? Um copo de água continuará valendo mais do que 1 (um) litro de leite? Até quando?

Até 1 (um) mês atrás se falava em falta de leite, em estabilidade de preços e todos eram incentivados a produzir mais, pois muitos produtores estavam liquidando os seus plantéis por não acreditarem na viabilidade da atividade. E, agora, já se começa a falar que apesar de não existir excesso de leite há falta de consumo. Será verdade? Há leite ou não há?

A queda de consumo pode até ser verdadeira, pois é notória a preguiça econômica do nosso País. Contudo, será que apenas este fato se justifica para, por mera coincidência, no início de outubro, falar-se em queda de preços e excesso de leite no mercado? Muita coincidência!

Não estão subestimando a capacidade dos produtores de compreender o óbvio, qual seja, a manipulação de mercado acobertado sempre por argumentos duvidosos? As CPIs já foram esquecidas? E as margens de até 100% que foram apontadas naqueles relatórios, como divulgado amplamente pela imprensa especializada?

É muito difícil esta situação. Os insumos não tem pena dos produtores, assim como a energia elétrica, a mão-de-obra, a manutenção e todas as demais despesas necessárias para se ter produto de qualidade. O preço ainda é muito baixo para remunerar a atividade minimamente. Conseguiremos sobreviver? Vamos viver sempre desta forma? Quando teremos o preço justo pelos nossos produtos? Não vamos negociar o que produzimos? E o contrato de fornecimento? A escravidão não foi abolida?

Isto não pode prosseguir. Esta na hora das associações de raças também lutarem conjuntamente em prol dos seus associados, criadores de raças de leite e, portanto, produtores. Afinal, o que sustenta a atividade associativa e alimenta as crianças do País é o leite que produzem. Caso contrário, não há justificativa para se produzir, exceto o gosto pela beleza dos animais, o que também deve ser respeitado, embora não deva ser a regra.

Não podemos permitir que plantem argumentos e tentem convencer a opinião pública de que todos os elos da cadeia estão certos e que os produtores tem o dever de amargar prejuízos. Não parece justo, mas é o que sempre acontece.

Podemos acreditar quando se fala em estabilidade de preços? Há como planejar? Como investir em qualidade se uma hora falta leite e 30 (trinta) dias depois o consumo cai e há excesso de leite.

Temos que pressionar, negociar, incentivar o consumo do nosso produto, fortalecer as associações o máximo possível, procurar o Governo sério e lutar, lutar e lutar !!! Sem manipulação, contra-senso e falácias, a atividade é bastante interessante para o empresário e fundamental para a economia nacional.

Afinal, em vários países a trajetória foi a mesma até que os produtores se organizaram e mostraram à opinião pública a verdade dos fatos, o abuso de poucos e o prejuízo de muitos produtores. Lembre-se que estes últimos são os mantenedores do trabalho no campo, os geradores de inúmeros empregos e os responsáveis pelo início da cadeia alimentar.

Será que não há nada errado? Vamos continuar permitindo?

Peço a todos os nossos associados que pensem, reflitam e concluam as suas idéias, pois precisaremos delas na luta longa e dura contra os abusos na redução do preço do leite, por coincidência, na mesma época e mediante argumentos pouco convincentes.

A Associação Mineira pede e agradece a todos que desejem se manifestar sobre este assunto e contribuir com a nossa união.

Plagiando a nossa amiga e também vice-presidente da entidade, Dra. Maria Lucia Garcia, ter lucro, UAI NOT !!!
_______________________________

1Vice-Presidente da ACGHMG
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Sergio Maia
SERGIO MAIA

ANDRELÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/12/2018

Olá tenho uma propriedade de nome Fazenda da Travessa da Guanabara em Andrelandia - Sul de Minas Gerais.
Nos últimos dez anos, acompanhei os preços pagos pela minha produção de quase 400l/dia.
Insumos mais caros e preços flutuantes do leite e sempre sem saber qual será o praticado, foram as tônicas singulares desse desafio. Não deve ter outra atividade no Brasil com tantas incertezas...
Diante de tantas perguntas e sem as respostas que o autor coloca no artigo acima, como evitar a concentração da compra potencializando o seu poder na mesa de negociação? Qual o motivo de nunca se ter uma politica de preço mínimo ajustada para o setor? O que se pretende o governo e lideranças em deixar a deriva esse negócio leite? Infelizmente meu caro autor, além de suas perguntas acrescento essas e ainda desorientado para uma estratégia adequada para 2019, permaneço de pé e a ordem para bem ouvir, aprender e agir.
Saudações.
Antonio Sergio de Carvalho Maia
cooperativa agropecuaria de alfenas
COOPERATIVA AGROPECUARIA DE ALFENAS

OUTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/11/2003

O artigo revela a atual situação do setor leiteiro e as cartas anexas mostram as diferenças de opiniões, mas uma coisa para mim ficou bastante evidente, é a necessidade de união para que possamos continuar na atividade.
Estive na Expomilk e vi um exemplo de união que está funcionando muito bem. Esclareço: tinhamos uma mesa de debatedores do qual, um deles, era nada mais nada menos que os produtores da Nova Zelândia, representados pelo senhor Galan, discutindo como ganhar dinheiro com o leite no Brasil. A FONTERRA (Cooperativa Neozelandesa), na verdade, está no Brasil e em outros paises ganhando dinheiro para seus donos, produtores, e isto só está ocorrendo porque eles se uniram em torno de um objetivo comum que é ganhar dinheiro com a sua atividade e isto hoje está ocorrendo nas suas propriedades e fora delas, em diversos paises do mundo, inclusive no Brasil.
Será que não está na hora de pensarmos maior, na união dos produtores e cooperativas em torno de uma cooperativa forte e que represente os interesses dos produtores e dêem a eles maior poder de barganha diante da estrutura já existente no paíis?

Uma das maneiras de haver estabilidade é estarmos inseridos no mercado externo tanto exportando quando temos excesso de oferta mas também importando quando temos realmente falta de produtos, mas só vamos conseguir isto quando os produtores estiverem na frente deste processo de exportação pois são eles os interessados em manter estável o preço de seu produto. Um exemplo claro disto ocorreu neste ano com o Trigo que teve uma produção expressiva, porém não é suficiente para abastecer o mercado interno, o preço caiu abaixo do que o praticado no mercado externo e os produtores atraves da união de cooperativas conseguiram exportar um volume até que pequeno mas com isso fizeram com que o preço no mercado interno ficasse comparado com o mercado externo, pois se os preços não evoluissem, grande parte do trigo produzido no país seria exportado, e a força da união levou o produto ao seu preço real, e não ao preço praticado anteriomente.

Temos que ser eficientes em nossas propriedades mas isso só não basta para ganharmos dinheiro em nossa atividade. Precisamos vender nossos produtos a preços compatíveis com os custos e para que isso ocorra só com união no sentido amplo da palavra.

Está na hora de arregaçarmos as mangas, deixarmos as diferenças de lado e partirmos para a união como ocorreu em outros países e que está ocorrendo com os fornecedores de insumos no país, tornando-os cada vez mais fortes. Um exemplo claro disso é a Bunge.

José Americo Simões Manuelito
Cooperativa Agropecuaria de Alfenas
francisco peres justino
FRANCISCO PERES JUSTINO

ITAPETININGA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/11/2003

Sou agrônomo, e produtor de leite no estado de São Paulo.
Vejo com muito bons olhos este artigo, pois, como participante desta cadeia produtiva, vivo e sinto todas as dificuldades que o setor enfrenta.

Quero expressar meu breve comentário a respeito. O produtor, tanto faz aquele que produz 100 litros/dia ou aquele que produz 20.000 litros/dia, não deve ficar acomodado com as pequenas melhoras que surgem na entressafra, pois elas são sazonais. Sendo assim, um dia virão nos dizer que há super produção ou falta de consumo, forçando o preço do leite para baixo e gerando muita insatisfação e falta de confiança no mercado, ocasionando as liquidações tão freqüentes.

Devemos sim é lutar por estabilidade, tendo uma postura empresarial na produção, gerenciando, cortando gastos extras, pressionando os laticínios através das associacões e investindo em propaganda. Quando é que vimos uma associação fazer um comercial que atingisse a população em geral?

Combatendo a manipulação e investindo em qualificação, não digo quanto à produção em si, pois temos ótimos rebanhos com ótimas produções, mais sim quanto à parte institucional do setor que é falha e de muito pouco acesso aos produtores.

Pensar em um programa nacional de consumo de leite não é nenhuma utopia e sim uma saída para essa situação de io-io que enfrentamos. Só assim teremos um mercado estável e justo.

Francisco Peres Justino
Agrônomo
Produtor de leite no estado de São Paulo
Diretor da associação de criadores de gado Jersey do estado de São paulo


Rui da Silva Verneque
RUI DA SILVA VERNEQUE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/11/2003

Sr. Leonardo - Parabéns pela iniciativa! Vivemos nessa instabilidade psicológica e, consequentemente, de uso de tecnologias, de produção etc. justamente por essa desorganização que existe em nosso País. O produtor sofre todas as conseqüências e, por sua simplicidade, a maioria fica quieta, indefesa e vai levando sua atividade sem profisionalismo, baixa produtividade e sem poder de reação.
O governo, quando libera recursos para estocar excesso de produção, não exige um mínimo de contrapartida das indústrias. Ou seja, não exige que as indústrias paguem um preço mínimo para o produtor. Conclusão: as indústrias tomam o dinheiro público com baixa taxas de juros, compram o leite barato, e na entressafra vendem o leite caro.

Precisamos nos organizar melhor para, no mínimo, deixarmos uma herança de organização para nossos filhos e netos. Caso contrário, a atividade ficará com esses altos e baixos constantes.

Rui da Silva Verneque
Edgard Andrade de Toledo Piza
EDGARD ANDRADE DE TOLEDO PIZA

ANDRADINA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/10/2003

Concordo plenamente com a análise. É manipulação mesmo.
Foi organizada uma baixa a partir do mês de agosto 2003 em meio à queda de produção ocasionada pela seca e carestia de insumos. Infelizmente a nós produtores, na minha opinião, só resta reduzir a oferta. Passar para 1 ordenha, cortar insumos, etc, para quem puder fazer isso me parece o melhor caminho. É um tipo de mercado oligopolista onde um aumento de 10% na produção costuma resultar numa queda de 20% no preço. Por isso quanto mais produzimos, menos recebemos.

Concordo que a médio prazo precisamos nos organizar mais e criar alternativas de consumo. Mas no curto prazo uma diminuidinha de produção seria um santo remédio.

Edgard Piza

Heloisa Marinho
HELOISA MARINHO

ITABERAÍ - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/10/2003

Quanto a este absurdo que vivemos, o que posso comentar é que
me chamo Heloisa, sou uma veterinária recém-formada, mais precisamente formada há 2 anos.

Comecei o meu trabalho com assistência em fazendas de leite há 4 meses, e devido a esta situação, posso ser dispensada da assistência e passar a ser chamada só nas emergências.

Pergunto:

Serei mais uma desempregada com diploma na mão?

Como fica a situação do nosso governo que insiste em dizer que sem estudo nao se é ninguem?

Como ficará a situação dos produtores que vão a reuniões para reivindicar e simplesmente ouvem que nao adianta reclamar, pois segundo eles o consumo do produto caiu.

Acho que serei mais uma desempregada aos 25 anos de idade; terei que abandonar minha profissão e quem sabe voltar para a casa da minha mãe, prestar um concurso público e torcer para não virar uma balconista com diploma e tudo!

O que fazer?!
maira gouvea
MAIRA GOUVEA

OUTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/10/2003

É necessário termos ações práticas para evitarmos que isto continue ocorrendo.
Hugo Martins Bueno
HUGO MARTINS BUENO

OUTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/10/2003

Gostaria de comprimentar pela sinceridade e e simplicidade deste artigo, que traz a real situação que nós produtores passamos. Até quando vamos ficar parados e trabalhando para obtermos um produto cada vez mais qualificado e deixando que outros ponham preço no mesmo?

Até quando vamos ficar acreditando nas promessas das empresas que adquirem nosso produto?

Até quando vamos ficar arregaçando as mangas e dando nosso suor para outros?

Até quando vamos ficar sem nos unimos ?
Até quando vamos.............

Vamos valorizar nosso produto nos unindo e negociando de igual para igual aquilo que sabemos fazer de melhor, que é tirar leite.
Atenciosamente

Hugo Martins Bueno
joselito gonçalves batista
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

OUTRO - MINAS GERAIS - EMPRESÁRIO

EM 25/10/2003

Inicialmente gostaria de parabenizar o Sr. Leonardo Moreira pela matéria e consequentemente a repercussão da mesma dentro do setor.

Também gostaria da mesma forma parabenizar o Sr. Sérgio Santiago, gerente de política leiteira IVP/Resende Leite Bom Cheff e Leite Gram Mimoso, pelo comentário feito desta matéria em 25/10/03. O seu comentário não só ilustra como abre espaço para esclarecimentos necessários dentro da atual política do setor, partindo do preço do produtor até o consumidor com transparência. E é isto que precisamos em todos os elos da cadeia láctea.

Gostaria de fazer uma pergunta direcionada aos produtores de leite:

Se estivessem recebendo hoje R$0,60 por litro de leite produzido, cobririam seus custos?

Acredito que a resposta seja não!

Não estou subestimando a capacidade do produtor, com a pergunta e consequentemente a resposta. Mas enfatizando um resultado conhecido por todos.

O custo de produção está alto e vejo que com criatividade e profissionalismo, pode-se conseguir resultados expressivos, como os alcançados na fazenda escola da Universidade de Uberaba (Uniube), onde o produtor hoje produz em torno de 400 litros de leite por dia, recebe R$0,48 e têm um ganho líquido de R$0,22 por litro.

Este produtor está satisfeito na atividade e com os resultados obtidos.

Por isto devemos buscar recursos criativos e profissionais, onde eles existem. Temos que ser competentes na administração de nossos negócios. Não adianta ficarmos criticando, se não estamos buscando eficiência para permanecermos ativos em nossas atividades.

Como o momento é de união, volto enfatizar que precisamos o mais rápido possível buscar esta união e consenso entre todos os elos da cadeia láctea, visando dias muito melhores e o mais breve possível.

Fico inteiramente a disposição para participar do movimento, como para auxiliar no que for possível e de nossa competência, assim como também falo em nome da Uniube; caso haja interesse de conhecerem o sistema empregado na produção de leite com alto índice produtividade (ganho financeiro). E vale ressaltar que a fazenda escola é administrada por um produtor terceirizado que se compromete em empregar os estudos desenvolvidos cientificamente e comprovados na prática dentro da fazenda.

Assim sendo, agradeço esta oportunidade e fico torcendo para todos nós que gostamos desta cachaça que é o LEITE.

Joselito Gonçalves
Laticínios Taigor´s
Savio Santiago
SAVIO SANTIAGO

OUTRO - RIO DE JANEIRO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/10/2003

Devemos apresentar o mais convincente dos argumentos ao Sr Leonardo.

Quando se vende um litro de leite longa vida a R$ 1,01 ou R$ 1,04 a indústria que paga R$ 0,44 a R$ 0,50 aos seus produtores entra em verdadeiro colapso comercial quando vai calcular o custo de R$ 0,33 em uma caixinha vazia, R$0,12 de usinagem, R$ 0,07 de frete e R$ 0,13 entre todos os tributos. Como conta final considerando o mínimo de preço (R$0,44) ao produtor, chega-se ao seguinte valor de custo R$1,09.
Não estou questionando o alto custo dos produtores, sei que cada vez mais o produtor profissional se sente pressionado com os custos, só gostaria que os movimentos fossem direcionados a quem realmete vem se beneficiando em toda cadeia: as grandes redes de supermercados que se aproveitam da opinião pública para pressionar as cotações do leite longa vida que é o grande regulador do mercado de lácteos no Brasil pelo seu volume.

Acho que a classe produtora e associações devem se unir sim, mas com as indústrias que também vem já há bastante tempo sofrendo com a política nacional para o setor.

Gostaria de frisar ainda que nos últimos 22 meses a alta na cotação do leite ao produtor foi em torno de 20% maior que a alta na cotação do longa vida no mercado.

Para finalizar, parabenizo o Sr Leonardo pela sua vontade de LUTAR, mas recomendo ao amigo o seguinte: para ganhar a luta primeiro é preciso saber contra quem lutar.

Sávio Santiago - Gerente de Política Leiteira IVP/Resende Leite Bom Cheff e Leite Gram Mimoso
Fernando Vilas Boas
FERNANDO VILAS BOAS

OUTRO - PARANÁ - EMPRESÁRIO

EM 24/10/2003

Não pode se discutir o preço do leite tendo uma visão unilateral. O Brasil passa, diga-se de passagem que sempre passou, por dificuldades financeiras por parte das indústrias devido à impostos astronômicos e poucas barreiras para produtos importados. As indústrias brasileiras estão trabalhando no vermelho e sentem a cada pressão que o mercado sofre. O que acontece com a queda dos preços do leite é uma resposta da queda do preço dos produtos lácteos. Isso deve ser levado em consideração. Outros países subsidiam suas indústrias para que isso não ocorra, o mesmo não ocorre no Brasil. Então, quem fala que é manipulação das indústrias deve fazer uma análise completa da situação brasileira e ter uma visão menos unilateral e ao mesmo tempo uma visão crítica sob o ponto de vista do mercado em geral.
Carlos Augusto Passos
CARLOS AUGUSTO PASSOS

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 23/10/2003

Concordo com as manifestações apresentadas, porém, vejo que não apenas a reclamação é o melhor caminho. Sei da dificuldade do produtor, mas vejo que o mesmo ainda é o próprio responsável por suas mazelas. O cooperativismo está aí e é nele que os produtores têm maior vantagem em relação aos laticínios aproveitadores e ao grande varejo achacador. Assim como outras atividades, a produção de leite para ser respeitada deve se expandir em outros territórios como o da industrialização e o da comercialização. Ainda temos um vasto varejo não concentrado para se expandir. Além disso, vejo empresas de logística com boas soluções para o escoamento dos mais diversos produtos no mercado interno e no exterior. Será que a solução não está na procura de novas alternativas de escoamento da produção????
Jose Ronaldo Borges
JOSE RONALDO BORGES

CUIABÁ - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2003

O produtor de leite vem sendo enganado há muito tempo quando dizem que para aumentar a receita tem que aumentar a produção. Nada mais falso. Quando se aumenta a produção diminuem o valor por litro e a renda continua na mesma. A solução é reduzir a produção. Se reduzir a produção em 30% provavelmente o valor unitário do leite subirá mais que 30%. E esta solução não é utópica e acontecerá via abandono da atividade da produção leiteira para a produção de soja, que já está acontecendo, principalmente no centro oeste que é muito mais favorável ao cultivo de grãos. Vejam o exemplo da Argentina.
Sergio Caetano de Resende
SERGIO CAETANO DE RESENDE

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2003

A diminuição do consumo de leite, que equivale ao excesso de produção, sempre foi e será motivo para diminuir o preço pago aos produtores. A indústria força a diminuição do consumo final aumentando o preço do produto para o varejo. Depois de de reduzir o preço pago aos produtores, fazem promoção do excesso de produto estocado. I.e., preço fixado pelo comprador.
Ronaldo Augusto da Silva
RONALDO AUGUSTO DA SILVA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2003

Sou co-produtor em Carmo do Paranaíba, com gado holandês PO na Fazenda Sonho Meu. A planta da fazenda é para 6000 l/dia. Estamos com 3.500. As ações semi-organizadas dos produtores reivindicando melhor preço não ecoam, não sensibilizam os laticínios locais. Com o preço fixado unilateralmente a atividade é inviável, para venda in natura. Minha sugestão é fazer uma planilha de custos, para diversos níveis de produção, com a justa remuneração dos fatores de produção discutida pelas partes. Estou à disposição dos Senhores. Queremos encabeçar o Movimento União Carmo do Paranaíba do Leite-MUCPL nessa luta.

Ronaldo Augusto (61) 248-4306
joselito gonçalves batista
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

OUTRO - MINAS GERAIS - EMPRESÁRIO

EM 21/10/2003

Não há duvida da importância do leite em nossa cadeia alimentar, como também existe clara manipulação por parte das grandes empresas da política do preço do leite praticada dentro do país. É evidente o abuso por parte dos grandes varejos da margem de lucratividade embutida no custo do leite e seus derivados, mas mesmo assim sabemos e concordamos que o leite é muito barato para o consumidor final. Basta comparar com o preço de um copo de água como mencionado na matéria.
Portanto, vejo que necessitamos urgente de uma política bem definida para o setor, como também a participação efetiva do governo, buscando auxiliar na aquisição dos produtos lácteos à camada menos favorecida financeiramente da população, com programas de distribuição gratuita do leite para estes, assim como na merenda escolar, etc...

O que não pode continuar é a prática de preços tão baixos para o leite em função da grande maioria dos consumidores não ter poder aquisitivo compatível com a realidade necessária para toda a cadeia láctea, com rara exceções.

Estamos tratando de um assunto bastante complexo, e não podemos mais adiar tomadas de decisões importantes para até mesmo a permanência ou não no setor de produtores principalmente, mas também de indústrias e cooperativas, pois sabemos da grande dificuldade existente e a falta de recursos para investimentos necessários na qualificação e equiparação competitiva neste mercado altamente concorrido e diversificado no mix de produto disponível.

Gostaria muito de ver todo o elo da cadeia unida para buscar entendimento e soluções para o grande problema existente no setor. E só com união e sem saudosismo e melindres é que é possível vislumbrarmos um futuro promissor, para este setor tão importante de nossa ecenomia.

A palavra de ordem é UNIÃO!!!

Vamos então cada um dos interessados fazer a sua parte, buscado convocar outros também interessados mas menos aguerridos a compor uma frente de batalha em busca da salvação da nossa fonte de sobrevivência.

GOVERNO + PRODUTOR + INDÚSTRIA + VAREJO + CONSUMIDOR = SETOR LÁCTEO FORTE E CONSCIENTE DE SUAS RESPONSABILIDADES.
MARIA LUCIA ANDRADE GARCIA
MARIA LUCIA ANDRADE GARCIA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/10/2003

Parabens Leonardo, temos que voltar a fazer pressão em cima das empresas captadoras de leite e varejistas de lácteos. Não é possível que o mercado volte a se comportar da mesma forma de antes do fatídico 2001, à menor crise de renda e de consumo, nos joga para escanteio...

Por que as captadoras não buscam mercados alternativos, internos e externos e os supermercados não abrem mão de uma fatia de sua margem de lucro e vendem mais barato os lácteos, em vez de deixá-los envelhecer com preços altos nas prateleiras?

Nós produtores de leite estamos cada vez menos dispostos em arcar sozinhos com os problemas de oscilação do consumo de lácteos. Os preços de insumos necessários à produção de leite subiram desde o ano passado, não abaixaram, alguns continuam subindo.

Não queremos ser irrealistas, mas a falta de contrato de fornecimento de leite "in natura" deixa muito à vontade as captadoras. É só decretar o quanto vão pagar a menos em centavos por litro. O movimento costuma ser uníssono, com pequenas variações de centavos.

Se a situação está apertada para todos, e ela é transitória, porque não sentarem à mesa, representantes dos produtores, das captadoras e dos supermercado e negociarem uma distribuição de perdas?

É muito chato para o produtor ver os preços altos de lácteos nas prateleiras e não entender porque não abaixá-los para estimular o consumo. Ofertas prá valer de queijos, iogurtes.

Os safristas estão desaparecendo e agricultura hoje é uma forte concorrente do leite com seus mercados mais transparentes e previsíveis. Ganha-se muito num ano, pode-se ganhar menos no outro, mas ninguém fica de tanga como no leite, por falta de transparência e equilíbrio da cadeia produtiva.

Vamos pois negociar, produtores, captadoras e supermercados.
Até lá, façamos uma corrente de protesto e deixemos claro que cada vez estaremos menos dispostos a pagar a conta de todos.
Fabiano Santos Junqueira
FABIANO SANTOS JUNQUEIRA

PARÁ DE MINAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 21/10/2003

Saí da associação mineira de criadores de gado Holandês por não concordar com a inércia da mesma em defender o produtor de leite. Também pudera, na época a associação era presidida por um dono de laticínio, que jamais iria matar a sua galinha dos ovos de ouro. Espero que isto esteja mudando. Só este artigo, apesar de ser um começo, ainda é muito pouco. Estarei sempre a disposição para esta luta.

Atenciosamente,
Fabiano Junqueira
Cosimo Rettl
COSIMO RETTL

OUTRO - PARÁ - EMPRESÁRIO

EM 21/10/2003

Como alimento não há substituto para a maioria dos produtos lacteos e leite, portanto deve ser tratado como alimento de primeira necessidade, produto número um no combate a fome. Desonerar da pesada carga tibutária, racionalizar as margens de lucro ultrajantes do comércio, irá contribuir em eliminar as distorções do mercado via sonegação, remunerar melhor os produtores e viabilizar os investimentos necessários na área agrícola e industrial para alcançar a autosuficiência sob um consumo recomendável per capita e excedentes para exportação sem subsídios. Também neste setor podemos alcançar uma eficiência e competitividade alcançada por muitos outros produtos agrícolas (soja, carnes, frutas, açúcar, alcool...) .
Qual a sua dúvida hoje?