Debate: redução do número de produtores de leite
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A mensagem abaixo foi enviada pelo produtor Márcio Oiticica de Souza e pelo Dr. Leonardo Moreira, como resposta à notícia "Redução no número de produtores é fenômeno mundial" , publicada em 24/09.
"Quanta desinformação, projeções teóricas/enganosas, etc..., sobre "ganhos com produção de leite"! Lamentavelmente, muitos dos que escrevem, não produzem leite ou não sabem o custo e o trabalho que a atividade requer. O Brasil, infelizmente, continua pueril/adolescente, em quase tudo o que faz. Desde o Governo Federal até o mais humilde produtor, que não entende como, no passado, os pais "estudavam os filhos" com o leite, e, hoje, a estatística amedrontadora da diminuição no número de propriedades, publicada pelos senhores, demonstra o que acontece no campo/na atividade. Esquecem-se as "autoridades" que, no Brasil, com os seus imensos e graves problemas urbanos, o maior número de empregos gerados no campo, que ajudam à fixar o homem na terra, é gerado pela pecuária leiteira."
"A rentabilidade e a permanência de produtores leiteiros são fatores relacionados, sendo a diminuição de propriedades leiteiras e sua correlação com propriedades maiores nos últimos 10 anos, um fenômeno mundial. Abaixo estão as estatísticas sobre a evolução da queda na quantidade de propriedades leiteiras em porcentagens anuais...:"(site MilkPoint)
Muitos compreendem as principais razões que afligem o nosso setor da pecuária de leite. Algumas, de âmbito estratégico, seguem abaixo:
1. Produzir/vender algo onde quem coloca o preço é o comprador, oligopsonizado, diga-se de passagem, é, de saída, um caminho propício à exploração insensível do produtor. Refiro-me, principalmente, às indústrias e aos supermercados, cada vez mais, em um menor número de mãos. O Governo parece nem mesmo notar...
2. O Governo, por seu turno, modifica, para pior, as regras do custeio pecuário, reduz o crédito e eleva os juros.
3. Os Governos, em todas as esferas, fazem demagogia com o preço do leite, às custas do sempre prejudicado produtor.
4. Os Governos não envolvem a principal parte afetada em suas decisões, o produtor.
5. No Brasil, o produtor é quem, de fato, "subsidia" o Governo, a indústria e a rede de supermercados, bancando, ele próprio, as flutuações de preços do produto e insumos, com o seu suor e os parcos recursos disponíveis, provenientes de uma atividade diuturna, sem domingo, dia santo, Natal ou feriado.
6. Existem milhões de ofertadores de leite de um lado, e apenas "meia dúzia" de compradores do outro. É preciso rever a atuação da Câmara Setorial, nos moldes do primeiro mundo, e que ela passe a defender o produtor brasileiro.
7. É preciso repassar os custos do produtor aos segmentos intermediários, e, por último, ao consumidor. Sim, ao consumidor! Como fazem as companhias telefônicas, energéticas, a Petrobrás, por exemplo, e o próprio Governo, através dos impostos.
8. O setor produtor de leite é, de longe, o mais desassistido de todo o setor produtivo brasileiro. E, no entanto, da mais alta importância estratégica na geração/oferta de empregos/fixação do homem no campo.
Só não vê quem não quer...!
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RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 25/10/2004
Desde 1982 atuo no segmento de Produtos lácteos, e sempre ouvi "O Produtor é quem paga a conta".
01- Será que não falta iniciativa da parte dos Produtores??
02- Com certeza a negociação com estruturas organizadas como a Indústria e os supermercadistas, será uma "Luta árdua, mas com certeza valerá a pena"
03- Talvez este seria um bom momento de arregaçar as mangas não só para tirar leite, e sim, se organizar, mobilizar para defender uma "Remuneração Justa" para o setor, pois, isto é uma questão de sobrevivência.
04- Acredito que a capacidade de organização, a evolução constante no desenvolvimento de novas ferramentas de negociação dos supermercadistes, seja uma boa inspiração.
05- "Hoje o mercado é implacável, ele não perdoa erros."

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 24/10/2004
Concordo com todas as facções apresentadas pelos colegas. Tanto os que dizem sobre as tendências, quanto os que alegam a total falta de atenção dada ao setor.
Mas afinal, de quem é a culpa ou melhor dizendo, quem são os responsáveis?
O que estão fazendo para reverter esse quadro?
E os produtores (extrativistas, especializados, amadores e profissionias) das mais variadas regiões - disputando deveras mercados comuns.
Quando vamos pensar em situações onde toda a cadeia possa contribuir para o desenvolvimento sustentável deste setor tão importante para a economia do nosso Brasil?
Vejo algumas manisfetações positivas, porém não conseguem ganhar a devida força e representatividade. A guerra ainda não começou, mas tenho a convicção de que muitas mudanças vão ocorrer nesse setor nos próximos anos.
Ótimo para alguns. Bom para outros. Ruim para quem estiver esperando o que ouvi desde criança no berço de minha família - se as coisas não mudarem... o governo não ajuda... esse preço não compensa... e vai por aí.
Esse setor no Brasil é hoje sem sombra de dúvidas o reflexo do comportamento individual de cada produtor, fornecedor de insumos, indústria e cooperativa com seus dirigentes, supermercadista e consumidor.
Somente a mudança de comportamento individual desses atores e uma política de longo prazo poderão realmente reverter o quadro atual. Enquanto isso, só podemos fazer a nossa parte e NUNCA perder a ESPERANÇA.
PS. Desejar resultados diferentes, fazendo coisas iguais(absurdo). Para que os resultados sejam diferente temos que fazer a diferença.

ENTRE RIOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/10/2004
Mesmo as pequenas propriedades irão ter que modernizar-se e contaminar-se com o vírus da qualidade e aperfeiçoamento dos processos, dentro de suas empresas, independente do tamanho e do sistema de produção.
Fernando Garcia, m.v.
ANGÁ GEN - Genética & BioTEcnologia de Embriões

GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS
EM 14/10/2004
Não sonhemos que o leite será remunerado ao produtor em termos muito superiores a 0,20 centavos de dólar (US$); lembremo-nos que em nosso país uma gama imensa de consumidores recebe a título de remuneração mensal de R$260,00 a R$520,00 e se tivesse que pagar US$0,30 por 01 litro/dia de leite, ao final do mês comprometeria só com o leite, de 5 a 10% de seus rendimentos!
O leite pode ser uma atividade bem lucrativa (apesar de muitíssimo trabalhosa), mas por anos a fio nos foi incutido um modelo de produção altamente tecnificado e caro (americano/canadense/holandês) e uma palavra (produtividade) e no seu extremo oposto, o modelo com zero de tecnologia e baixíssima produção; ambos, podem levar o produtor a sair da atividade!
A chave do sistema é o produtor visar LUCRATIVIDADE! Muitas vezes não é economicamente viável sair de uma produção de 400 l/leite/dia para 800l/leite/dia, se o sistema já estava próximo do seu máximo de lucratividade por ÁREA!
Sim, o conceito de lucratividade por hectare é que deve prevalecer, e não o de produtividade por hectare. Óbvio que em grandes extensões de área, mesmo com margens bem pequenas se ganha muito, porém, os riscos são também muito altos.
O pequeno pode se associar com vários outros pequenos e se tornar (a associação) um fornecedor que pode chegar em qualquer captadora de leite e discutir o preço de seu produto; como consumidor de insumos, pode negociar melhores preços e prazos (maiores volumes).
O que falta ao pequeno produtor de leite não são subsídios, mas informação e assessoria técnica (aqui o estado ou não cumpre ou cumpre mal o seu papel).
Pois bem orientado, a adoção de tecnologias relativamente baratas e de fácil aplicação como produção a pasto, manejo integrado do sistema solo/planta/animal, utilização da F1 holandês/zebú (mais rústica e ainda assim produtiva), rotação e adubação de pastagens, reserva estratégica de forragem para suplementação na seca, segmentação do setor com produtores especializados em matrizes de reposição, utilização de sangue zebú tipo carne sobre as matrizes F1 para produção de bezerros/bezerras terminais altamente desejados pelo mercado de recria e engordada (e bem remunerados por isso), implantação de "contratos de leite" com a indústria, de modo a se saber de antemão quanto será a remuneração pelo produto leite, possibilitando assim algo de vital importância chamado PLANEJAMENTO, etc.
Alguém poderá dizer que este "pacote " de soluções não é factível... mas será factível mobilizar TODA classe da pecuária de leite para exigir mais respeito e melhor remuneração? Acho que não!
Vejo alguns produtores se lamentando por não termos os mesmos subsídios que produtores de outros países têm; mas presença ou ausência de subsídios não é justificativa para ineficiência!
Soluções existem e cabe a nós adotá-las ou não. O tempo será juiz de nossas ações/decisões ou ausência das mesmas!
Cordialmente,
Hélio Cabral Jr
Dentista e micro produtor rural associado ao Sindicato de Produtores Rurais de Governador Valadares - MG

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 11/10/2004
O que falta realmente é o produtor levantar a voz, se tornando consciente da força que tem. É como um elefante que se submente ao treinador, por não ter noção da força que tem. O produtor de leite precisa ser "acordado", incentivado a se defender. Apenas no campo da geração de emprego o setor tem argumentos de sobra para exigir melhor tratamento. Convoco as autoridades lideres do nosso setor que avaliem o foco de ação. O produtor precisa se fazer representar, precisa aprender a fazer valer seus direitos, precisa lutar mais, ao invés de assistir pacatamente ao próprio empobrecimento. As lideranças precisam conclamar os produtores a se unirem de forma organizada e mobilizada, é preciso se fazer ouvir. Quantos deputados e senadores estão comprometidos com a nossa causa? Quantos legisladores nós, produtores, elegemos? Porque não fazemos nada quando somos brutalmente desrespeitados e largados à própria sorte por alguma grande companhia compradora de leite? Vamos ter coragem de falar. Amigos da imprensa, vamos ter coragem de publicar o que pode defender o produtor, muito discurso e pouca ação não vai ajudar ao produtor de leite. Em não havendo uma organização que de fato esteja defendendo o interesse real do produtor, esta deverá ser criada, seja no campo político seja no campo da imprensa, etc. Obrigado ao site MilkPoint por esta oportunidade de expor as angústias de mais um dos milhões de produtores de leite que tanto tem sofrido, no Brasil.

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 08/10/2004