Carta ao "Bom Dia Brasil"

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Por Wiliam Tabchoury1

Achamos oportuno informar à população sobre as melhores alternativas para a aquisição de produtos alimentícios, especialmente num ano em que a inflação acumulada deverá atingir a casa dos dois dígitos.

No entanto, gostaríamos de esclarecer alguns pontos em relação à menção da comercialização de Leite Longa Vida (UHT) importado mais barato do que nacional:

a) O setor do agro-negócio lácteo nacional sofreu uma grande crise durante o plano Real, culminando num processo de fechamento de quase 400.000 unidades produtoras (o que pode ter gerado o fechamento de 1.200.000 empregos diretos), crescimento das importações que ainda em 2002, mesmo frente ao cataclisma cambial que nos assolou, deverão atingir o equivalente a 1,4 bilhão de litros de leite ou 10% de todo leite processado no Brasil, gerando um déficit de US$ 255 milhões na balança comercial, ao contrário do restante do agro-negócio nacional, que obteve superávit de US$ 19,2 bilhões nos últimos doze meses;

b) Em julho de 94, o consumidor brasileiro pagava no varejo o equivalente a dois litros de óleo diesel por um litro de Leite Longa Vida. Passados oito anos, o preço se equiparou, ou seja, houve redução de 50% na relação de troca entre leite e grande parte dos combustíveis, estes últimos representam uma parte dos muitos fatores de produção leiteira indexados em dólar (assim como fertilizantes, farelo de soja, milho e outras commodities agrícolas, energia elétrica e muitos outros);

c) O agro-negócio lácteo nacional é um setor essencialmente tomador de preços, desde sua produção primária, até sua distribuição final;

d) Segundo o IBGE e ANP, o IPCA medido de janeiro a outubro deste ano registrou para óleos e gorduras aumento de 35,71%, gasolina de 24,40%, gás de cozinha de 22,48%, pão de 20,46%, farinha de 20,37%, energia elétrica de 17,23%, cereais de 12,07% e, finalmente, leite e derivados de 11,99%;

Num momento em que o setor lácteo nacional começa a se adaptar às pressões macroeconômicas, dando sinais tímidos de recuperação via crescimento da produção interna (ainda insuficiente para abastecer o mercado) e oxalá se aparelhando para gerar excedentes exportáveis, não achamos oportuna à veiculação de matéria induzindo "o consumidor a comprar o produto importado mais barato", inclusive com o comentário final da Miriam Leitão de que "é bom que o produtor brasileiro leve um susto e baixe o preço". Os preços de nossos sistemas produtivos já são os mais baixos do mundo, mesmo frente ao "custo Brasil" e um sistema de distribuição extremamente concentrado.

Desejamos que o país retome o controle da sua economia, bem como que haja oportunidade deste conceituado Jornal Matinal de partilhar com os seus inúmeros telespectadores este outro lado da moeda, o que contribuiria de maneira significativa para o enriquecimento de um debate mais amplo e construtivo para toda a sociedade nacional.

O fato de haver disponibilidade momentânea de produtos importados eventualmente mais baratos que o nosso não pode ser explicado pela ineficiência ou ganância do setor produtivo, mas talvez apenas de uma necessidade extrema, também momentânea, do fornecedor ou do varejista.

Agradecemos à atenção e colocamo-nos à inteira disposição para maiores esclarecimentos, bem como ressaltamos o nosso respeito pelo trabalho que vem sendo conduzido.
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1Wiliam Tabchoury, da Láctea Brasil
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