Cana com leite

A AgriPoint/MilkPoint organizaram nos dias 8 e 9 de fevereiro de 2007 o 1º. Workshop Leite Competitivo em São José do Rio Preto com o tema "Como competir com a Cana de Açúcar?". O evento foi um grande sucesso e já de cara mudou a competição para a complementação entre estas atividades.

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A AgriPoint/MilkPoint organizaram nos dias 8 e 9 de fevereiro de 2007 o 1º Workshop Leite Competitivo em São José do Rio Preto com o tema "Como competir com a Cana de Açúcar?". O evento foi um grande sucesso e já de cara mudou a competição para a complementação entre estas atividades.

Será que na platéia de quase 450 pessoas tinha gente que vendeu a alma de fazendeiro ou de sitiante arrendando as suas terras para a cana e descobrindo depois que não tinham mais o controle da terra, a vida rural e que abrirão mão das "rendas não contabilizadas" que ocorrem quando se está morando na fazenda/sítio e se perdem quando se muda, para viver na cidade?

Será que está se descobrindo que o dinheiro e a vida fácil dos arrendamentos de cana não estão comprando a felicidade e por tanto no grito do silêncio do auditório estava o pedido "pelo amor de Deus, nos dê alternativas para que possamos ficar na fazenda ou sítio e ganhar o nosso pão do dia a dia de uma maneira saudável".

Nestas horas a gente vê o filme de antes e depois onde de repente a infra-estrutura e as benfeitorias na fazenda se tornam obsoletas, lares são destruídos, o pessoal mandado embora. Sim senhor, o arrendamento pode ter um custo social violentíssimo.

O mérito do workshop foi que estas alternativas foram dadas na forma de uma exploração de leite moderna onde o tamanho da propriedade não é documento para o sucesso, como foi bem demonstrado.

Também mostrou que quando as instituições de pesquisa, extensão e ensino se unem com a iniciativa privada e se concentram num assunto, as coisas começam a clarear e apontar o caminho para que possamos crescer com firmeza e segurança.

Fica aí a pergunta. Porque é tão difícil continuar com esta união no nosso dia-dia? Existem muitas pesquisas ainda para serem feitas e hoje precisamos nos preocupar para que tenhamos gente e dinheiro para fazer estas pesquisas. A assistência técnica no campo ainda está longe do que deveria ser e precisa ser muito mais integrada com as universidades.

Tivemos momentos emocionantes como um vídeo sobre um assentamento em Andradina onde a ESALQ junto com a DPA estão mostrando os caminhos para os assentados, que eram, aparentemente, totalmente perdidos e sem saber o que fazer com a terra que receberam. Mas no outro lado isso preocupa porque o pessoal da ESALQ tem que vir para dar assistência, enquanto existem faculdades mais perto como a de Ilha Solteira.

A situação dos assentados lá em Andradina me assustou porque a falta de assistência técnica e de cooperativas eficientes mostra que não estamos resolvendo nada e pagando caro por isto.

Tivemos momentos vitoriosos como a palestra do Andrew Jones sobre a Cana e Leite na fazenda São Pedro e dos outros palestrantes que tiveram em comum a atitude de buscar as melhores soluções para melhorar a vida no campo para todos.

Tive saudades da Nestlé, que ficou invisível na DPA e no meu ver abriu mão de uma imagem e história fortíssimas junto aos produtores de leite no Brasil, mas o esforço e os resultados dos trabalhos fazem jus ao nome, mesmo que este hoje seja DPA.

No fim, quero parabenizar o diretor executivo da AgriPoint, Marcelo Pereira de Carvalho, pela organização deste evento tão memorável.
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Louis Pascal de Geer

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Carlos Eduardo Pinto dos Santos
CARLOS EDUARDO PINTO DOS SANTOS

NATIVIDADE DA SERRA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/03/2007

Achei a colocação do artigo oportuna, no momento de em que a maioria dos produtores de leite, principalmente, não está vendo saída, e acaba tomando atitudes de desespero. Na minha opinião, o maior problema está ainda na mão do produtor rural, que está enraizado em paradigmas que o impedem de tratar a sua propriedade como uma empresa, que tem que dar lucro para sobreviver. Quando isto acontecer todas as portas irão se abrir, aí então a pesquisa, a Embrapa, a Cati, as Universidades etc. farão parte do cotidiano desta pessoas.

Estes paradigmas não estão encravados nos pequenos e nos menos instruídos, estão também nos empresários que vêm para a atividade achando que é fácil, e que é só ler alguns artigos ou assistir programas de TV que já dominam a atividade -estão enganados, e a prova disso é o abandono ou o prejuízoo acumulado todos os meses.

Vamos usar a tecnologia aí disponível. Exemplos: rotação de pastagens, cana+uréia, ração total, dieta com aminoácidos, banco de proteinas, sobre semeadura com aveia, irrigação etc. Mas usar a tecnologia com técnica, e técnico com seridade.

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Carlos Eduardo,

Muito obrigado pela a sua carta com um recado bem dado. Creio que o sucesso vem mais fácil quando os produtores de leite se organizem em cooperativas ou fazem uma aliança com os compradores do leite como DPA etc.

A assistência técnica com ajuda de todos ficará mais fácil e eficiente neste modelo de integração.
Um produtor sozinho não vai fazer chover em lugar nenhum e quanto mais cedo ele acorda para isto melhor que é.

É interessante que o gado sempre é um assunto que só o dono entendo a sabe fazer melhor de tudo mundo tanto com gado leiteiro como o de corte.

Quando muda para agricultura, ele cai rapidinho no real e procure assistência técnica de primeira qualidade.
Conhecer os próprios limitações e ter a coragem de procurar ajuda são os requisitos para quem vai vencer.
Este é uma mensagem que o CATI também pode propagar.

Um abraço,
Louis.
Vanessa Praxedes
VANESSA PRAXEDES

DIAMANTINA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 15/03/2007

Sou ainda acadêmica no curso de Zootecnia pela Federal de Diamantina e confesso que fiquei assustada com a nova situação que foi identificada: a adesão da produção de cana pelos tradicionais produtores de leite. Mas acredito que com planejamento e boa assistência técnica as duas atividades serão um sucesso para todos que apostaram na inovação e também aqueles que apostaram no tradicional!

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Vanessa,

Muito obrigado pela a sua carta. Eu vejo o susto que a cana está dando saudável porque obriga a gente a trabalhar melhor e com a mente aberta para novos oportunidades.

Por exemplo, lá onde você está, o pinhão manso tem que ser experimentado porque esta árvore tem todo para substituir a cana nas regiões mais problemáticas.

Um abraço,
Louis.
Roberto Garbelini
ROBERTO GARBELINI

PARANAÍBA - MATO GROSSO DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 10/03/2007

Achei sensacional, pois a verdade é que não só um pouco a mais de dinheiro vai nos fazer feliz. E isto pode ser comparado em outras atividades urbanas. Conheço executivos de grandes capitais como São Paulo, que largaram suas profissões de executivos ganhando altos salários, para ir criar ostras em pequenos povoados no litoral do nordeste e ganhando menos, porém a qualidade de vida destes executivos melhorou expressadamente.

Ouvi uma entrevista com estes profissionais e nenhum deles sequer pretendia voltar à profissão executiva nas Empresas que anos afio trabalharam com garra. Isto mostra que na vida temos que ter equilíbrio entre o bem estar e o ganho em R$. Parabenizo os organizadores deste evento pelo brilhantismo com que vocês conduziram este preciosíssimo Whorkshop.

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Roberto,

Muito obrigado pela a sua carta que destaca bem a importância de equilibrar os necessidades financeiros com o bem estar.

A qualidade de vida será a cada dia mais difícil nas cidades mesmo no interior e a vida rural no campo será muito mais valorizado.

Um abraço,
Louis.
Andrew Jones
ANDREW JONES

FERNANDÓPOLIS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 09/03/2007

Parabéns Louis,

Concordo com suas colocações sobre o assunto, é bem verdade que deva existir um lugar "à sombra" para cada produtor, infelizmente grande parte das alternativas ainda estejam guardadas em "gavetas universitárias e em centros de pesquisa".

Merecedores de louvor são os ditos verdadeiros professores, ou seja, pessoas dispostas a dividir seus conhecimentos em prol de um sistema agrário integrado, aquele que aponta o caminho e percorre ele ao seu lado; somente desta forma traremos dignidade e condição financeira ao homem do campo.

<b>Resposta do autor:</b>

Olá Andrew,

Muito obrigado pela a sua carta; a sua palestra foi um ponto alto no Workshop para mim e deu uma demonstração clara como leite e cana podem coexistir juntos e ser lucrativos.

Parabéns,

Um abraço
Louis
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