Austrália não aceitou alerta no rótulo de leite fluido

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Renato S. Machado, médico veterinário - Consulvet e Marcelo P. Carvalho, MilkPoint

Recentemente, foi determinado que todas as embalagens de leite fluido devem conter em destaque a seguinte frase, "O Ministério da Saúde Adverte: Este produto não deve ser usado para alimentar crianças menores de um ano, salvo sob indicação expressa de médico ou nutricionista. O aleitamento materno evita infecções e alergias e é recomendado até os dois anos de idade ou mais". O Ministério afirma que esta rotulagem está de acordo com uma recomendação de 1981 da OMS.

Considerando que as recomendações da OMS são as mesmas para o mundo todo, o MilkPoint postou no Dairy Outlook, um fórum internacional da cadeia láctea, operado pela FAO, uma mensagem pedindo que pessoas ao redor do mundo comentassem o fato e também, se possível, mostrassem experiências similares.

Há alguns dias, recebemos pelo correio farto material mostrando a tentativa das autoridades da National Medical and Research Council (NHMRC), da Austrália, de colocar a seguinte frase nas embalagens de leite fluido daquele país: "Autoridades de Saúde recomendam que este produto não seja usado para substituir o leite materno ou fórmula infantil regulada pela Norma 2.9.1 para crianças abaixo de 12 meses."

O autor do envio foi o Dr. George Davey, Diretor Geral da NSW Food Authority, órgão que zela pela qualidade dos alimentos na província de North South Wales, na Austrália. Ele remeteu nossa mensagem a membros da Dairy Australia, da International Dairy Federation e da Dairy Management Inc., nos Estados Unidos.

Notem que a frase é bem menos agressiva que a que nosso ministério está obrigando as fábricas a adotar. Entretanto, a Australian Dairy Corporation (ADC) sob orientação da Australian Dairy Products Federation (ADPF), realizou uma extensa revisão, a qual tivemos acesso, mostrando com base em experimentos científicos que qualquer recomendação sobre rotulagem de alerta no leite deve levar em conta o risco de interferir a longo prazo na ingestão de cálcio, podendo predispor mais tarde aqueles indivíduos a uma série de doenças. O estudo também mostra que 66% do cálcio consumido por crianças australianas entre os 2 e os 11 anos de idade provinham dos produtos lácteos.

Além disto, a ADC realizou um estudo com famílias australianas. Este estudo revelou que, mesmo antes da adoção da rotulagem, nenhuma das mães com filhos de menos de 6 meses forneciam leite de vaca como alimento principal. Este número subia para 5% quando os filhos tinham entre seis e doze meses. Já 82% dos pais acharam aceitável incluir um pouco de leite com cereal na dieta de uma criança de nove meses. Expostos a frases de alerta como as que o NHMRC desejava implantar, 60% dos pais compreenderam que não deveriam fornecer leite de forma alguma a crianças com menos de 12 meses. Além disto, 25% dos entrevistados concordaram com a seguinte frase: "Eu ficaria mais preocupado em fornecer muito leite às crianças mesmo que tivessem mais de 12 meses."

Não se trata de se extrapolar estes resultados para o Brasil. Seria necessário fazer uma pesquisa semelhante para tirar conclusões locais mas, para um país que está longe de consumir o volume recomendado pela FAO de produtos lácteos, qualquer medida que possa induzir redução no consumo de lácteos em crianças maiores de 12 meses, é evidentemente inadequada. A ADC demonstrou também que até o ano 2000 nenhum país havia adotado as rotulagens de alerta, apesar da recomendação de alerta da OMS ser de 1981.

Colocamo-nos a disposição para repassar cópia do material que recebemos a qualquer entidade de representação que deseje se engajar nesta causa em defesa não só do interesse do setor, mas também da saúde de nossos filhos.
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Franco Gambin
FRANCO GAMBIN

OUTRO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 28/09/2004

devemos estimular que todos tomem leite fluido,na Italia,ha campanha contra produtos nestle (leite em pó )pois matam mais crianças do que salvam dizem alguns,pois nos paises da Africa onde não tem saneamento básico , usar agua contaminada para diluir o leite em pó pode ser pior do que não tomar nada.
Nevio Primon de Siqueira
NEVIO PRIMON DE SIQUEIRA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 26/09/2004

Difícíl acreditar que esses dizeres tenham partido de norma criada pelo Ministério da Saúde. Isso parece mais "obra" de marketing de outros produtos para ganhar mercado que seria naturalmente do leite. Nada contra os refrigerantes, até sou consumidor dos mesmos, mas não me lembro por exemplo, de nenhuma frase dizendo não ser adequado para crianças de qualquer idade, nem mesmo no rótulo de cerveja ou outra bebida alcoólica que pode causar danos à saúde e até a toda família de quem consome com regularidade tais bebidas. Quem sabe daqui a algum tempo o ministério público ou "Associações das vítimas dos produtos lácteos" (como já existem outras por aí, como a das vítimas do amianto, do cigarro, etc), não vão cobrar indenizações gigantescas dos laticínios por envenenar o consumidor com suas manteigas e queijos "repletos de gorduras" pelas mortes causadas por colesterol. Gostaria muito que o pessoal do M.S. percebesse o que estão fazendo, pois a interpretação desses dizeres, aos olhos dos consumidores, irão variar bastante, e poucos vão perceber a "boa intenção " do nosso Ministério.

E para ser mais realista ainda, o leite de vaca ( até o de saquinho) é muito melhor do que chá, que é na verdade o que muita criança ainda toma por falta de dinheiro no bolso da população mais carente.

Acho que o maior problema é que o leite talvez não produza os valores de impostos aos cofres públicos quando comparado à "concorrência".

Qual a sua dúvida hoje?