Associativismo mostra sua força: a experiência de Resende Costa
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Atendendo a um convite da Cooperativa Agropecuária de Produtores de Resende Costa - COAPRO-RC, na região Campo das Vertentes, em Minas Gerais, estive naquela agradável cidade no dia 18 de Fevereiro para fazer uma palestra sobre aspectos de gestão e rentabilidade na atividade leiteira.
No pouco convívio que tive com os produtores, muito me impressionou a seriedade com que eles estão encarando a importância de se unirem na solução de seus problemas. Daí nasceu a idéia de relatar, ainda que de forma resumida, essa experiência que está sendo trabalhada com sucesso naquele município. Senão, vejamos.
Com a forte queda no preço do leite na entressafra de 2001, um grupo de 37 produtores decidiu pela criação da Associação dos Produtores de Leite de Resende Costa - ASPROL-RC. Na época produziam, juntos, cerca de 4.000 litros de leite/dia, vendidos pela associação a um laticínio particular, por meio de um contrato de compra e venda. Durante três anos a associação cresceu muito. Ampliou suas ações de negociação na venda de todo o leite a um único comprador, e também incorporou a compra de ingredientes de ração, fertilizantes e calcário, visando atender às necessidades dos produtores. Com o sucesso obtido em suas ações, ou melhor, em suas negociações, não demorou muito para que a associação se expandisse em número de produtores e em volume de leite para comercializar.
Para viabilizar as negociações de compra e venda em maior volume, sentiu-se a necessidade da criação da COAPRO-RC, hoje com 230 cooperados e uma produção diária de 22.000 litros, todo ele resfriado. A grande maioria dos produtores (160) produz menos de 100 litros/dia e apenas cinco têm produção acima de 500 litros/dia. Portanto, uma produção altamente pulverizada, com forte predominância de pequenos produtores.
A estrutura da cooperativa se restringe a um pequeno escritório, onde trabalham três empregados, e um galpão alugado onde é feita parte da recepção do leite em tanques resfriadores, com dois empregados. Outros tanques comunitários menores estão instalados no meio rural, para a coleta e resfriamento do leite de propriedades vizinhas, com a preocupação de atender a Instrução Normativa 51.
Hoje a cooperativa procura atingir a três objetivos bem definidos e muito claros para seus associados: (1) comprar ingredientes para ração, fertilizantes e calcário via internet e por meio de convênios com grandes distribuidores; (2) negociar as condições de venda de todo o leite, resfriado, com um só comprador e (3) treinar os cooperados, promovendo visitas técnicas, palestras e dias de campo.
"Temos obtido resultados animadores trabalhando esses objetivos", declarou o presidente da cooperativa, Sr. Afonso Camilo de Magalhães, ao destacar o rápido crescimento do número de produtores associados e do volume total de leite negociado. Ele fala, com muito entusiasmo, dos ganhos que os cooperados vêm tendo ao receberem pelo leite um preço superior, de 5 a 7 centavos (10 a 15%), em relação ao preço médio na região, e mais, da disputa concorrencial que volta e meia é ensaiada por grandes compradores de leite, querendo contratar com a cooperativa.
Em relação aos insumos, "tínhamos uma grande dor de cabeça até para fazer com que chegassem aqui no tempo certo. Além de ter este problema resolvido, estamos ganhando em torno de 8 a 10% nos preços negociados, em comparação com as poucas e incertas disponibilidades do mercado regional", comentaram alguns produtores.
Mas o grande feito que os produtores destacam está no conhecimento técnico que vem sendo difundido por meio das várias iniciativas coordenadas pela cooperativa. "Infelizmente isto ainda é coisa pouco comum entre os pequenos e médios produtores na região das Vertentes e em muitas regiões no Estado de Minas", salienta o Sr. Afonso, referindo-se às oportunidades que são permanentemente organizadas pela cooperativa para melhorar a tecnologia usada pelos cooperados.
Numa decisão recente, a cooperativa deu mais um exemplo do apreço que tem para a questão tecnológica. Já agora em março começa um programa de assistência técnica sistemática para os produtores, o Educampo, numa parceria com o Sebrae e a indústria laticinista. Neste programa há rateio dos custos, inclusive com a participação do produtor assistido. Além desse programa, a cooperativa organizou todo um esquema de assistência veterinária preventiva, também custeado em parte pelos produtores.
Em resumo, dá gosto ver como um grupo de pequenos produtores está alerta para melhor gerenciar suas atividades de produção de leite, valorizando o conhecimento tecnológico, e atento às informações de mercado.
Para finalizar este breve relato, eu não tenho dúvidas e quero enfatizar, que realidades como esta requerem a existência de grande esforço de lideranças de produtores locais. No entanto, esta condicionante pode ser muito facilitada, ou mesmo alavancada, havendo sensibilidade do poder público, principalmente das prefeituras, no apoio a iniciativas como estas de Resende Costa, fortalecendo ações que combinem a organização dos produtores com o seu treinamento e uma boa assistência técnica. Isto foi também o que aconteceu aqui em Juiz de Fora, com o Proleite, um programa que deu certo e por isto se ampliou, sob a coordenação da prefeitura municipal.
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1 Pesquisador da Embrapa Gado de Leite
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BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 16/06/2005
Para que a agropecuária brasileira consiga grandes avanços os nossos cidadãos, os parlamentares e os governantes precisam rever o sistema educacional. O Brasil necessita de um maior número de líderes para que possam tomar a frente e fazer nascer muitas associações de pequenos produtores nos mais diversos campos.
Missao Tanizaki
Fiscal Federal Agropecuário
CVPI/CGQV/SDA/MAPA
GOVERNADOR VALADARES - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 28/03/2005
Felizmente esta iniciativa está se tornando cada vez mais frequente no país. A Extensão Rural já prega a várias décadas que é preciso comprar e vender em conjunto. Não existe melhor saída frente à pressão de indústrias e redes varejistas.
Fica a lição: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Mas se nos unirmos o bicho some".
Ronald Hott de Paula
Extensionista e Produtor de leite

OUTRO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/03/2005
Enquanto isso, os produtores rurais de Santos Dumont - MG pedem socorro, com um Sindicato Rural completamente desarticulado e uma Cooperativa quase centenária que hoje só existe no papel.

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 01/03/2005