Nos últimos meses a COMEVAP (Cooperativa de Laticínios do Médio Vale do Paraíba) passou a fornecer a seus produtores dados referentes à qualidade do leite. Em algumas regiões isto já ocorre há muito tempo.
Na minha opinião, aquele pequeno pedaço de papel representa uma verdadeira radiografia da propriedade leiteira. Nele está presente um grande número de informações extremamente importantes para a nossa permanência ou não no negócio. Não distingue quem produz muito ou pouco leite. Se é leite B ou C. Tampouco tem a ver com o sistema de produção ou a raça das vacas, o que está sendo avaliado é o produto enviado para a usina.
Não devemos encarar estes dados como uma forma de comparar fazendas ou fazendeiros. Sugiro aos produtores que utilizem estes resultados para uma autoanálise, ou seja, perguntando: de que forma posso corrigir minhas deficiências? Partindo da premissa que todos nós temos nossas fragilidades, devemos seguir o esquema daquele ditado "quem tem telhado de vidro não joga pedra no vizinho".
O mais interessante é que muitos cooperados já estão agindo desta forma, procurando saber o significam aquelas siglas e o que representam aqueles números. Neste assunto (qualidade do leite) a postura educativa gera melhores resultados do que a postura punitiva, mas é claro que isto vai mudar e dentro de pouco tempo o leite que não estiver dentro das normas terá preços diferenciados (como já ocorre em outras empresas). Trata-se de uma questão de agir e tentar se adequar.
Apenas como exemplos, cito abaixo algumas informações valiosas constantes no referido exame.
O manejo nutricional adotado em uma fazenda pode ser rapidamente avaliado quando ocorrem alterações significativas no teor de gordura e de proteína no leite. A saúde da vaca e a composição do leite que ela produz são reflexos do que acontece no seu rúmen. Proprietários de rebanhos "bem tratados", porém com dietas desbalanceadas, poderão facilmente detectar o problema e partir para a solução. Por outro lado, animais subnutridos não escondem a sua penúria.
O teor de uréia no leite é uma ferramenta fundamental, pois correlaciona nutrição e reprodução, e em muitos casos explicam a dificuldade que as vacas "bem tratadas" têm em tornarem gestantes e se transformam em vacas repetideiras de cio. O produtor pode injustamente estar culpando o touro ou o inseminador, ou ainda xingando a própria vaca que é apenas um vitima dentro do processo.
A contagem bacteriana total também tem a capacidade de avaliar um grande número de itens ao mesmo tempo. Este resultado reflete a higiene da ordenha, a limpeza e desinfecção de todo trajeto percorrido pelo leite e pode nos avisar eventuais problemas nos tanques de resfriamento e armazenagem.
A contagem de células somáticas demonstra a saúde da glândula mamária. Como se sabe, o problema da mastite não deve ser encarado como um problema somente das vacas e sim da fazenda como um todo. Problemas de higiene, equipamentos de ordenha inadequados, ordenhadores mal treinados, rotinas de ordenha mal conduzidas, ambientes contaminados. Enfim, o problema é muito mais complexo e não se resolve comprando "bisnaguinhas" ou "pozinhos milagrosos" e muito menos xingado os empregados que, na maioria dos casos, nem imaginam o que seja uma bactéria.
Nossa região é antiga e tradicionalista e ao mesmo tempo moderna e vanguardista. No dia a dia, convivemos pacifica e respeitosamente com astrônomos e "jecas". A pecuária leiteira do Vale do Paraíba precisa de um novo impulso para se atualizar e continuar sendo respeitada como sempre foi.
Antes tarde do que nunca
Nossa região é antiga e tradicionalista e ao mesmo tempo moderna e vanguardista. No dia a dia, convivemos pacifica e respeitosamente com astrônomos e "jecas". A pecuária leiteira do Vale do Paraíba precisa de um novo impulso para se atualizar e continuar sendo respeitada como sempre foi.
Publicado por: Antonio Novaes da Silva
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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MAURO ARAÚJO
LUZ - MINAS GERAIS
EM 04/09/2009
Muito interessante, tecnica, explicativa e com uma linguagem simples e direta, alertou aos produtores de leite que pra melhorar a qualidade tem de estarem atualizados com as informações, e estas não tem como passar pra trás.

JOSÉ CLAUDIO CAMPOS CARVALHO
CAÇAPAVA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/09/2009
Prezado amigo Antonio Novaes
Como participante ativo deste processo produtivo no Vale do Paraíba, achei suas colocações muito oportunas, servindo também de alerta tanto para produtores como para técnicos envolvidos na produção de leite em nossa região, pois realmente tenho me deparado com situações alarmantes em relação a qualidade do leite no Vale do Paraíba, mostarndo que nossa região, tradicional produtora de leite, perdeu o bonde da qualidade do leite em relação a outras regiões. Nesessitamos de atitudes urgentes para nos enquadrarmos nos modernos e exigentes padrões de qualidade de leite em curso no Brasil.
Como participante ativo deste processo produtivo no Vale do Paraíba, achei suas colocações muito oportunas, servindo também de alerta tanto para produtores como para técnicos envolvidos na produção de leite em nossa região, pois realmente tenho me deparado com situações alarmantes em relação a qualidade do leite no Vale do Paraíba, mostarndo que nossa região, tradicional produtora de leite, perdeu o bonde da qualidade do leite em relação a outras regiões. Nesessitamos de atitudes urgentes para nos enquadrarmos nos modernos e exigentes padrões de qualidade de leite em curso no Brasil.