A verdade sobre o que pensam Jorge Rubez e a Leite Brasil

Publicado por: MilkPoint

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Jorge Rubez

Há muitos anos escrevo artigos para a imprensa, sempre cumprindo o meu papel de defender o produtor de leite. Já ataquei os oligopólios, denunciei laticínios fraudadores, critiquei o governo e os políticos, combati o leite informal e os importadores. Estes artigos evidenciam as preocupações com a renda do produtor, com a organização e fortalecimento das entidades de classe e das cooperativas.

Mas, sempre procurei refletir, analisar e escrever em alto nível, apresentando posições tecnicamente embasadas, sem citar nome de pessoas. Agora, sinto-me obrigado a vir publicamente defender o meu nome, porque o mesmo foi citado no artigo "O que pensam Jorge Rubez e a Leite Brasil", de Marcello de Moura Campos Filho, publicado neste Espaço Aberto do MilkPoint. Peço aos leitores que compreendam esta minha decisão de excepcionalmente fugir à minha linha de conduta.

Não é a primeira vez que esse senhor faz referências à minha pessoa. Desta vez, porém, ele extrapolou, citando seis vezes o meu nome e doze o da Leite Brasil. Entendo que questões domésticas devem ser resolvidas em reuniões internas, sem a necessidade de expor pessoas ou nomes de organizações, quando estas fazem parte da mesma classe.

Não me traz nenhuma satisfação fazer ataques pessoais, mesmo quando se trata de adversários. Procuro me esforçar para desenvolver profissionalmente o meu trabalho em defesa dos interesses do produtor de leite.

Infelizmente o artigo citado serviu para confirmar que, pior que ser mal informado, é passar informações erradas. Ou realmente ele desconhece as verdadeiras informações ou tem segundas intenções.

Os leitores, especialmente aqueles que tem pouca afinidade com os temas do setor leiteiro, têm o direito de saber que, ao contrário do que esse senhor procura mostrar, a pecuária leiteira paulista não está em decadência.

De acordo com os dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), a produção de leite C e B no Estado de São Paulo cresceu 3,2% no ano 2000. No mesmo período, o valor da produção destes dois produtos cresceu 12,8%, sendo 11,7% para o leite C e 17,3% para o leite B.

Leilão de gado leiteiro é apenas uma forma de negócio, que não reflete obrigatoriamente a condição de renda do produtor, não merecendo, portanto, tanta polêmica. Se alguém está comprando é por que está satisfeito. Se alguém está vendendo é porque quer vender. Produtores de outros estados compram gado leiteiro em São Paulo, em leilões ou não. Produtores de leite de São Paulo compram vacas leiteiras em outros estados e em São Paulo, em leilões ou não.

O autor do artigo está mal informado sobre os preços do leite e, infelizmente, confunde os leitores ao fazer um jogo de números mostrando que as indústrias têm custo do leite de Goiás, posto em São Paulo, mais caro que se comprassem no próprio Estado. É também um jogo de palavras e uma ofensa à inteligência dos empresários compradores de leite. Tanto que o Boletim do Leite, do CEPEA/ESALQ (junho/2001), mostra que os preços de São Paulo são os maiores dentre os dos principais estados produtores de leite do Brasil.

Além do mais, mente esse senhor ao afirmar que a Leite Brasil não dá importância aos problemas regionais. A Leite Brasil, a CNA e as Federações de Agricultura trabalharam juntas para gerar as condições que possibilitaram a melhoria de renda dos produtores de leite no primeiro semestre de 2001, destacando-se a aplicação de direitos antidumping.

Quando ele fala de união, esconde do leitor que não apóia o cooperativismo, pois entrega o seu leite justamente para o oligopsônio que diz combater. Nunca vi esse senhor participando de nenhuma reunião da FAESP, da CNA, da Leite Brasil ou de outra entidade do produtor rural.

Ao contrário do que o autor do artigo procura passar maliciosamente para os leitores, a Leite Brasil é sensível aos problemas regionais. Somos defensores das cooperativas, e nas regiões onde elas não estão presentes, defendemos a união dos produtores para venderem melhor o seu produto.

Quem decide sobre as mudanças de rumos na Leite Brasil são os associados, participando dos órgãos legalmente constituídos que são a Assembléia e os Conselhos. A Leite Brasil está sempre aberta a sugestões de inovações, mas quem decide são os associados.

Recebi desse senhor as alegadas sugestões de mudança na Leite Brasil que, na verdade, se constituíam basicamente em alterar alguns artigos dos estatutos sociais. Estou esperando até hoje o atendimento ao meu convite para conversarmos pessoalmente, antes do 2º Encontro de Produtores de Leite CEPEA/ESALQ. Sinto que ele não tenha atendido ao meu convite, inclusive para filiar-se à Leite Brasil.

Felizmente, o produtor de leite é sábio para separar aqueles que realmente o defendem daqueles que procuram a todo custo "aparecer". O que Marcello de Moura Campos Filho está fazendo é ancorar-se no meu nome e no prestígio da Leite Brasil para se projetar.

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Jorge Rubez é Presidente da Associação Leite Brasil
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