Fausto Amaral da Fonseca1
Muito embora a produção de leite na região tenha aumentado em mais de 10%, em 2001 o produtor rural se viu penalizado pelo baixo preço do produto, além de amargar a experiência de arcar com preços elevados - corrigidos em dólar -, ao adquirir insumos agrícolas. O fato é que ele foi punido por mostrar eficiência na fazenda, inserindo nela tecnologia de ponta e aumentando, com isso, a produtividade de sua terra e de seus animais. Ou seja, tornou-se mais consciente e profissional.
Foi no mercado que o produtor sentiu o peso do drama que viveu - que, aliás, continua vivendo, visto que as coisas não mudam, assim, de uma hora para outra. Comprou insumos cujos preços lhe foram impostos pela força dos oligopólios, valores extremamente vantajosos para as indústrias de adubos, carrapaticidas, farelo de soja, etc., e péssimos para ele. Como há muito não se via, ano passado, e mais intensamente a partir de julho, o produtor, em plena entressafra, vendeu o seu leite por preços incompatíveis com seus custos de produção. Para a indústria láctea e supermercados, uma festa!
Felizmente, graças a maior consciência política e à união dos produtores, sob forte pressão da classe, foram criadas, em vários estados, as CPIs do Leite. Estas, embora com poucos resultados práticos, foram muito úteis para a formação da opinião pública, que, esclarecida, se posicionou favorável a maior vítima atual do mercado: o produtor de leite.
Além disso, também as cooperativas e sindicatos - os encabeçados por lideranças descompromissadas e alheias à necessidade urgente de mudanças de atitude - tiveram que se mexer; se sentiram pressionados no sentido de, verdadeiramente, cumprirem seus papéis como representantes da classe. Sem dúvida, um importantíssimo avanço.
Há, ainda, muito por fazer. Na COOPA (Cooperativa Agropecuária de Patrocínio Ltda), sabemos disso e vislumbramos o tamanho do desafio que nos aguarda: o de, juntos, construirmos uma grande e poderosa cooperativa, cujas dimensões nos permita interferir diretamente no mercado e garantir, a cada produtor, preço adequado para o leite produzido e mais barato para os insumos adquiridos.
Felizmente, os associados da COOPA têm dado exemplo de garra e perseverança na produção de leite e demais atividades desenvolvidas em suas propriedades. Eles cobram e participam da Cooperativa, criticam, mas também apoiam as decisões tomadas; estão caminhando a passos largos no exercício da democracia, construindo a esperança de um breve futuro melhor para todos.
Como conseqüência, o produtor associado conta com o apoio irrestrito de uma cooperativa organizada, influente em nosso Município e, até mesmo, no Brasil. Tanto assim, que, segundo o Relatório Andersen de Pesquisa, é a segunda colocada entre as pequenas e médias cooperativas que mais cresceram no país entre 98/00. A COOPA também está em 2º lugar em volume de vendas da produção agrícola de Patrocínio-MG, contribuindo, neste segmento, com 46,86% da base de impostos (VAF- Valor Agregado Fiscal). Apesar disso, teve, em 2001, um lucro pouco acima de 1%, ou seja, transferiu para seus associados o resultado do seu crescimento nos negócios.
Mas ainda é pouco. Sabemos que é possível fazer mais para que o produtor tenha melhor qualidade de vida e temos pressa. Acreditamos e lutaremos para nos associarmos a outras cooperativas, para ampliarmos nossos serviços oferecidos, para acelerarmos a ampliação das exportações de leite para a China e outros países. Estamos certos de que não é fácil, mas muito mais certos de que este é o maior desejo do nosso associado, sua esperança de sair rapidamente do sufoco em que se encontra. Por tudo isso, devemos fazer com que 2002 seja, para todos nós, um ano muito melhor do que 2001. Muita fé, esperança e trabalho!
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1Engenheiro agrônomo, diretor-presidente da Cooperativa Agropecuária de Patrocínio Ltda/COOPA
2001: Um ano difícil para o produtor de leite
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