Quais práticas de manejo sanitário não podem faltar no bezerreiro?

Práticas como higienização de utensílios, fornecimento adequado de colostro e protocolos de vacinação são medidas que parecem simples, mas que impactam diretamente a imunidade e o desempenho futuro do rebanho.

Publicado por: MilkPoint

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A biosseguridade em bezerreiros envolve a prevenção de doenças entre os animais e a proteção da saúde humana. Medidas eficazes incluem higienização rigorosa das instalações, manejo sanitário na recepção dos bezerros, controle de pragas e registro detalhado das informações sanitárias. A equipe deve ser treinada em protocolos de higiene para evitar a transmissão de doenças. A implementação dessas práticas contribui para a saúde dos bezerros e a segurança dos trabalhadores.

Quando se trata de biosseguridade em bezerreiros, existem dois componentes principais: prevenir a disseminação de doenças entre os animais e proteger a saúde humana. Embora muitas vezes o foco esteja na saúde animal, é importante lembrar o papel significativo que os seres humanos desempenham na transmissão e na prevenção de doenças.

Experiências internacionais demonstram que o cuidado animal e as medidas de biosseguridade caminham lado a lado. Em Deerfield, Kansas, a Kansas Dairy Development fornece alojamento temporário para mais de 96.000 bovinos, desde animais com poucos dias de vida até novilhas próximas ao parto. Segundo Jason Shamburg, cofundador e CEO da organização, o bom cuidado animal e o manejo adequado andam de mãos dadas com a biosseguridade.

A fazenda adota práticas que vão desde higienização rigorosa em caminhões de transporte e instalações, passando pela cama limpa, leite limpo, uniformes limpos para a equipe e práticas como a troca individual de agulhas para tratamentos, até um programa robusto de triagem e vigilância para doenças como a diarreia viral bovina. A soma dessas medidas assegura o desenvolvimento saudável dos bezerros e reduz significativamente os riscos de surtos que podem comprometer toda a propriedade.

Manejo da saúde dos bezerros

Recepção (onboarding)

O manejo sanitário adequado começa já no momento de recepção dos animais. Como os bezerros frequentemente chegam de diferentes regiões e propriedades, a segregação inicial em baias ou abrigos individuais funciona como barreira primária contra a transmissão de enfermidades.

A organização dos animais conforme a origem permite um monitoramento epidemiológico mais preciso e auxilia no controle de potenciais focos de contaminação. Outro ponto fundamental é garantir a ingestão imediata e adequada de colostro de qualidade, condição essencial para a transferência de imunidade passiva e para o bom desempenho dos bezerros nos primeiros dias de vida.

Práticas de sanitização

A higienização das instalações antes da entrada de novos lotes também é etapa indispensável. A limpeza deve incluir lavagem sob pressão para remoção de resíduos, uso de detergentes e desinfetantes específicos e, sempre que possível, secagem ao sol, aproveitando a radiação ultravioleta como agente natural de sanitização. A rotação dos abrigos para áreas com cama limpa evita a reutilização de solos contaminados e cria condições mais seguras para a chegada de novos animais.

Controle de pragas

Desafios sazonais, como infestações de moscas no verão, exigem medidas estratégicas de controle. O manejo deve estar voltado para a manutenção da cama seca, a limpeza frequente de baldes de leite e água e o controle de locais onde há acúmulo de matéria orgânica, como áreas em frente aos abrigos, onde o respingo de leite favorece a multiplicação de insetos. Paralelamente, a gestão adequada de resíduos e a higiene ambiental contribuem para a quebra do ciclo de agentes infecciosos. A retirada sistemática de fezes e cama suja, seguida da exposição do solo à luz solar, potencializa a desinfecção natural e reduz a chance de sobrevivência de patógenos, preparando o ambiente para novos lotes de bezerros.

Registro e comunicação

O registro detalhado das informações sanitárias é outro alicerce da biosseguridade. A documentação de eventos como vacinação, tratamentos e ocorrências clínicas cria um histórico que orienta decisões de manejo e facilita a rastreabilidade. A comunicação clara em todos os níveis da equipe garante a aplicação consistente dos protocolos, reforçando a saúde geral do rebanho.

A designação de responsáveis por grupos específicos de animais fortalece a comunicação interna, garante maior atenção às necessidades dos bezerros e evita falhas operacionais.

Treinamento da equipe e biosseguridade humana

A dimensão humana da biosseguridade é igualmente importante. A equipe que lida diariamente com os animais deve ser treinada e constantemente orientada a seguir protocolos de higiene.

O uso de macacões e botas de borracha exclusivos da fazenda, a existência de áreas destinadas à troca de roupas, a lavagem frequente de mãos e calçados e a adoção de rotinas simples de desinfecção são medidas que reduzem o risco de transmissão de agentes infecciosos entre a propriedade e o ambiente familiar dos trabalhadores.

A implementação de medidas abrangentes de biosseguridade em bezerreiros fortalece a saúde dos bezerros ao mesmo tempo em que protege a saúde humana. Práticas simples, como manter a limpeza, organizar os animais de forma sistemática e garantir uma comunicação eficiente entre os trabalhadores, podem elevar de forma significativa o padrão de biosseguridade. Ao enfatizar essas estratégias, cria-se um ambiente de criação mais saudável e produtivo.

 


As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

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