O Brasil dos dois leites
Espaço Aberto: "Há de haver abertura comercial, temos que correr atrás do Uruguai e Argentina em termos de eficiência produtiva, mas não se pode deixar o setor ao livre mercado esperando que ocorra outro problema de exclusão em massa, cometendo o mesmo erro de antes. O mercado é cheio de distorções, e no leite mais ainda. Eu não tenho ideia de para onde esses agricultores iriam migrar desta vez. Para o fumo talvez? Os pequenos produtores foram quem desenvolveram o setor leiteiro, agora estamos querendo mandá-los embora", por Caetano Luiz Beber, Doutorando em Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural pela Universidade de Göttingen, Alemanha.
Publicado em: - 6 minutos de leitura
Ficou claro no artigo “A solução dos problemas do leite no Brasil” que o problema da cadeia do leite brasileira não será solucionado com uma simples política tarifária. Segundo o artigo também temos que investir muito ainda em ganhos de eficiência e produtividade para nos tornarmos mais competitivos e não dependermos de subsídios. Mas...será mesmo?
Infelizmente a coisa é um pouco mais complicada. O pesquisador e chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins defendeu, inclusive em artigo publicado pelo MilkPoint, que leite deve ser tratado como assunto de Estado. “É assim em toda parte do mundo. Não há nenhum país que trabalhe com livre comércio no que diz respeito ao leite”. E dificilmente encontra-se algum. No Canadá existem cotas, nos EUA o “Milk marketing orders”, o “MPP-Dairy” e o “DPDP”. Na União Europeia (UE) já houve vários subsídios e hoje há os pagamentos por redução de produção, entre outros. Assim como há uma pressão no Canadá para que caia o sistema de cotas, houve na UE durante muito tempo.
O problema é que os produtores não se davam conta de que eram as cotas quem mantinham o preço “alto” ao seu leite. Assim que o sistema caiu levando junto os preços do leite pagos ao produtor, vimos produtores franceses fazendo protesto todos os dias porque o valor recebido nem sequer cobria os custos de produção. O que aconteceu? UE volta a subsidiar seus produtores de leite, agora pagando àqueles que decidem reduzir a sua produção, retornando, em partes, ao sistema de cotas. Eles não conseguem se livrar dos subsídios ao setor.
E pasmem, Canadá, EUA, e UE possuem os sistemas de produção mais eficientes do planeta, com produtividades estratosféricas. Os parâmetros da nossa (nunca aplicada) IN-62 eles já cumpriram há décadas, o poder de consumo (demanda) deles é muito superior ao nosso e mesmo assim há políticas de estado ao setor leiteiro. É até explicável: sistemas intensivos confinados são geralmente frágeis, com margens sempre muito pequenas, onde qualquer alta no preço dos insumos ou queda no preço do produto já põe a atividade em risco.
Nessa história quem consegue se virar “sem” (sim, entre aspas) subsídios, mesmo em dificuldades, é a Nova Zelândia, com seu sistema intensivo, mas à base de pasto, o que não a deixa tão vulnerável às flutuações de preços de insumo e produto. E pasmem outra vez: quem mantém o sistema mais eficiente de produção de leite na União Europeia é a Irlanda, sendo o único, ou um dos poucos, com sua produção majoritariamente à base de pasto. Parece que esse é o único modelo que sobrevive em um mundo sem, ou com menos protecionismo. Daí acompanhamos todos os dias mais e mais especialistas dizendo que a salvação da produção de leite no Brasil é o confinamento. Simplesmente não faz sentido em um país onde podemos ter pasto o ano inteiro querer imitar os sistemas confinados de países onde o setor sobrevive às custas de subsídios. Vamos andar em círculos, ficar mais eficientes e continuar dependendo de subsídios, assim como eles. Mas esse é só um detalhe.
Outro problema é o custo Brasil que de fato é alto e precisamos muito investimento em infraestrutura básica, começando por rede elétrica estável e uma rede rodo-aqua-ferroviária decente. Há de se olhar para o setor do leite como há décadas fazemos com outros setores - dentre os quais - estamos entre os mais competitivos do planeta, pois produtores de soja, milho, frango, suíno e boi recebem tecnologia de ponta custeada pelo governo/contribuinte por meio da Embrapa e outros institutos e um plano safra com taxas baixíssimas, que não se encontram por aí no mercado. Também há a Conab, uma linda ferramenta de composição de estoque entre outros programas de apoio. Mas esse é só outro detalhe.
Agora o que fazer com o leite? Obrigar a IN-62 e quem não cumprir está fora?
Não sei se muitos aqui lembram ou leram o que aconteceu na região Sul do Brasil na década de 1980, com as mais de 52 mil famílias excluídas do setor de aves e suínos com a intensificação e integração dos sistemas de produção. Resposta: elas migraram para o leite como forma de sobrevivência no meio rural.
Consequentemente o setor expandiu e foram surgindo muitas cooperativas singulares e centrais para beneficiar essa produção. Daí eu pergunto: se intensificarmos a produção de leite - da mesma forma - para onde vão migrar as mais de 412 mil famílias (IBGE, 2006) produtoras de leite só na região Sul? Temos suficientes indústrias para absorver toda essa mão de obra?
A resposta dessa pergunta é: NÃO, não temos. O leite vem sendo a base da economia rural, o sustento de famílias e a grande fonte dos empregos no campo, sobretudo de jovens e mulheres. Estima-se que 4 milhões de pessoas, 40% dos postos de trabalho no meio rural, sejam gerados pelo setor lácteo, além de 1,3 milhão de produtores (IBGE, 2016). Olhar para esse setor como a visão simplista da maximização de lucros é um equívoco, portanto as políticas para ele devem levar em conta essa função secundária, ou mesmo primária do leite.
Há de haver abertura comercial, temos que correr atrás do Uruguai e Argentina em termos de eficiência produtiva, mas não se pode deixar o setor ao livre mercado esperando que ocorra outro problema de exclusão em massa, cometendo o mesmo erro de antes. O mercado é cheio de distorções, e no leite mais ainda. Eu não tenho ideia de para onde esses agricultores iriam migrar desta vez. Para o fumo talvez? Os pequenos produtores foram quem desenvolveram o setor leiteiro, agora estamos querendo mandá-los embora.
O Brasil tem que ser analisado pelo que ele é, e temos que parar de imitar quem gostaríamos de ser sem ao menos antes termos uma reflexão sobre nós mesmos. Há duas realidades no setor de leite no Brasil, uma com alto nível tecnológico (a do leite commoditie), como no Centro-Oriental do PR por exemplo, e outra com sua agricultura familiar e de economia solidária (a do leite fonte de renda) como a região Sudoeste do PR por exemplo. Partindo daí, os pesquisadores e espertos na cadeia, devem desenhar políticas distintas e adequadas para cada contexto em um projeto de aumento da competitividade que inclua todos que estejam dispostos a se tornarem mais competitivos.
Para chegarmos naquele nível de competitividade que o Marcelo citou precisamos de incentivos à exportação, redução de tributação de insumos, incentivo a fusões das cooperativas (ganho de escala em processamento de matéria-prima), à agregação de valor, apoio tecnológico e de infraestrutura, mas ao mesmo tempo aprimorar as compras institucionais, microfinanciamentos, extensão rural, educação, profissionalização e empreendedorismo no campo para que os pequenos produtores não sejam apenas excluídos, mas tenham noção de como poder progredir e se adequar ao mercado competitivo. E ah! Em sistemas intensivos à base de pasto, por favor! Assim talvez conseguiríamos melhorar os problemas estruturais da cadeia sem criar um problema paralelo. Essa geração de agricultores e os seus filhos estão percebendo que quem não se tornar mais eficiente, provavelmente estará fora em um futuro bem próximo. Basta um pouco de direcionamento para que estas unidades produtivas se adaptem ao mercado competitivo.
Realmente o nosso potencial de crescimento é enorme e temos muito a evoluir como cadeia produtiva. O problema é definitivamente estrutural, mas muito mais complexo do que se vêm discutindo. E não apenas em termos sociais, mas econômicos. Manter estas pessoas no campo é fundamental, e quanto mais produtivas elas e as suas terras forem, melhor. Melhor para elas, para o setor e para a economia nacional.
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Material escrito por:
Caetano Beber
Eng. Agrônomo pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Economia Agrícola pela Montpellier SupAgro/IAMM/Université de Montpellier I, França. Doutorando em Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural pela Universidade de Göttingen, Alemanha
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ARAUCÁRIA - PARANÁ
EM 31/12/2017
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 26/09/2017
Estou de acordo com o André, o consumidor brasileiro já se mostrou que não mantém por muito tempo o mesmo padrão de consumo, portanto as medidas que muitos países desenvolvidos adotam não são adequadas ao nosso mercado. "Debruçar de forma transparente e estratégica sobre o assunto e chegar a uma diretriz onde todos possam ganhar seria a única alternativa." Concordo!
Para aumentar a competitividade do setor é preciso aumentar a produtividade. Não só produtividade por animal, mas produtividade por hectare, por horas trabalhadas, por capital utilizado, enfim por todos os fatores de produção.
E o aumento da produtividade é fundamentado em 4 fatores:
1. Progresso Tecnológico
2. Eficiência Técnica (na transformação dos insumos no máximo possível de produto final)
3. Eficiência Alocativa (no mix de insumos mais baratos pra produzir 1 unidade do produto)
4. Eficiência de Escala (no tamanho mais adequado das unidades produtivas)
Para que esses 4 fatores garantam a melhor produtividade é preciso 3 coisas:
A. Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento e difusão das tecnologias
B. Melhores técnicas agronômicas e industriais (o que inclui gestão)
C. Políticas adequadas que garantam a melhor alocação dos recursos
Acho que essa seria uma base interessante para começar a pensar nas estratégias onde todos possam ganhar.
Abraços

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 22/09/2017
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 22/09/2017
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/09/2017

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 19/09/2017
Brasil, ah meu Brasil! Somos isso, uma diversidade de pessoas e sistemas, que divergem em pensamentos. Isso é fantástico!
Somos grandes produtores de proteína animal? Sim.
Motivo: nossa proteína animal é mais barato que em outras regiões produtoras. Assim nos tornamos exportadores, atingimos sem subsídios grandes mercados (inclusive mercados protegidos pelos governos daqueles países).
O mesmo com soja, milho etc.
Onde não alcançamos excelência, fomos substituídos por outros países produtores mais eficientes que nós.
É assim e assim será. Isso é determinante do livre mercado.
No leite, ainda somos "incapazes de atender ao mercado interno". Historicamente fomos importadores. Somente recentemente chegamos próximos da auto suficiência. E sempre que falta leite, os preços ganham patamares insustentáveis para o consumidor (2016 nos deu mostra disso), oportunizando a importação (seja do Uruguai, Argentina ou qualquer outra região que tenha custos e qualidade para competir), promovendo equilíbrio e num segundo momento sobras de leite (ora motivados pelo aumento da produção - devido aos preços maiores, ora pela redução do consumo, como no momento atual devido a crise econômica/política que vivemos).
Não há equação e nem receita para mudar isso.
Debruçar de forma transparente e estratégica sobre o assunto e chegar a uma diretriz onde todos possam ganhar seria a única alternativa.
Se formos capazes de proteger nosso mercado, qualquer custo e sistema de produção serve, desde que o consumidor final consiga pagar.
Se formos ficar no livre mercado, precisamos ser capazes de produzir a baixos custos. Em sistema que comporte as oscilações que temos assistido.
Portando, ao meu ver, não é o sistema de produção o determinante. É o mercado.
Temos que responder algumas perguntas de forma coletiva:
- Onde queremos atuar? Que mercado queremos atender?
- Se aumentarmos a produção interna, teremos que ter custos menores para ser exportadores? Ou preços menores capazes de promover o aumento do consumo interno? Como fazer isso? Ou a fada vai aumentar o poder de compra dos brasileiros e o consumo vai crescer?
- Se vamos proteger nosso mercado, dá pra repassar custos mais elevados aos nossos consumidores? Até quando e até quanto?
Essas e outras perguntas tem que estar na base das diretrizes para uma discussão inteligente e próspera. Caso contrário: iremos intensificar o debate sobre o que é melhor em termos de sistemas de produção e sempre levaremos como resposta as oscilações do mercado.
Aí é só colocar a culpa nas importações, no governo, nos produtores e quem sabe nas vaquinhas. Afinal são elas que produzem o leite!
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 19/09/2017
Exato Pedro, mantenho que a produção intensiva à pasto é, de acordo com estas evidências, um sistema que vem apresentando maior sustentabilidade, e isso em termos econômicos. Ao menos o que menos depende de subsídios. Apesar de não ser a solução da lavoura, possa ser o sistema que seja mais adequada à realidade da maioria dos produtores brasileiros, especialmente os com menos acesso à crédito para investimento.
Os 1,3 milhão é informação do IBGE, que infelizmente não atualizou ainda o censo agropecuário. Realmente, bons dados estatísticos para realizar análises são escassos. Mais com certeza o número de produtores segue sendo muito grande.
Quanto a estrutura dos volumes de produção, é aí que temos que estar atentos. O que acontece com os 70 a 80% dos produtores que produzem os 20 a 30% dos volumes? O que eu quis deixar claro no texto é exatamente como vamos realizar a seleção natural, que na verdade nem é tão natural, visto que há várias formas de manipulá-la.
Simplesmente excluí-los, ou trabalhar uma forma para que possam tornar-se mais eficientes?
Daí eu volto ao sistema de produção, que é apenas UMA ferramenta em um amplo programa de aumento da competitividade. Pra aumentar a competitividade tem que se oferecer ferramentas adequadas aos produtores, que passa por um sistema de produção que lhes proporcione maior retorno financeiro, principalmente através da redução dos custos como você mencionou. Mas também de acesso ao mercado, que passa por estratégias de marketing por parte da indústria, com abertura de mercados internacionais, com o cooperativismo, etc.. Além de vários outros fatores, alguns deles citados no texto.
E continuo acreditando que há espaço para todos, os que conseguem produzir em sistema confinado tem o seu espaço, principalmente se conseguirem ter o seu lucro sem depender de subsídios. Porém as evidências mostram que em muitos casos estes acabam recorrendo à subsídios quando não conseguem manter margens positivas devido às flutuações dos preços. E é essa a minha crítica! Mas se conseguirem manter as suas margens positivas sem subsídio, melhor.
A intenção dessa análise é mostrar que deveríamos pensar em um planejamento de aumento da competitividade do setor a longo prazo que possa ser ACESSÍVEL À MAIORIA. Esse planejamento tem que se basear nas estratégias que garantam que o setor possa ser o mais auto-sustentável economicamente, mantendo-se competitivo e independente. O que não impede que seja sustentável socialmente.
Obrigado pelos comentários, muito construtivos ao debate!
Abraços
LONDRINA - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 19/09/2017
GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 19/09/2017
Prezado Caetano,
Embasei minha análise mediante a passagens que li no texto, tais como: "...Parece que esse é o único modelo que sobrevive em um mundo sem, ou com menos protecionismo. Daí acompanhamos todos os dias mais e mais especialistas dizendo que a salvação da produção de leite no Brasil é o confinamento ", ou: " E ah! Em sistemas intensivos à base de pasto, por favor! Assim talvez conseguiríamos melhorar os problemas estruturais da cadeia sem criar um problema paralelo."
Os problemas estruturais da cadeia, que realmente são inúmeros, pouco têm a ver com sistema de produção. Estamos falando de um setor ainda em formação, cuja dinâmica apresentada nos últimos tempos, com aumento da produção e diminuição do número de produtores acompanha o processo ocorrido em grande parte dos países mais desenvolvidos. Os poucos dados que possuímos apontam para uma origem de 70 a 80% do volume de leite sendo produzido por 20 a 30% dos produtores, sendo que, particularmente, tenho minhas dúvidas quanto à existência de 1,3 milhão de produtores, pois em 2001 já existiam referências bibliográficas com esse montante. A preocupação social com quem não se enquadra nos moldes que o mercado vem impondo é de extrema relevância, mas não pode sobrepor a necessidade de evoluirmos como um todo. Vai ser dolorido para muitos, mas a seleção natural imposta pelo mercado é parte indispensável do processo de formação e evolução da cadeia produtiva.
Achei muito interessante a colocação da importância do marketing como meio de desenvolvimento do setor. Nesse sentido, entendo que um dos primeiros passos seja mudar a imagem de quem produz, pois não cabe mais ficarmos passando por coitados, excluídos que ficamos a margem de outras atividades do agronegócio e encontramos na produção leiteira um meio de sobrevivência, por mais que isso tenha acontecido em determinadas regiões. Ficar reclamando que o litro de leite vale menos que copo d`água ou refrigerante desde os tempos do meu avô não vem surtindo efeito. Para muitos aqui no Brasil o problema não é preço de leite, que em alguns momentos encontra-se até acima do restante do planeta, mas sim custo de produção. Os resultados do projeto Educampo, coordenado pelo Christiano Nascif, mostram isso perfeitamente.
Embora quem direcione as mudanças seja o mercado, acredito que os pequenos produtores, desde que eficientes, tem possibilidades de continuar inseridos no setor. Contudo, ao invés de ficarmos tentando criar modelos de sistema de produção para suas propriedades, talvez seja muito mais importante lutarmos pelo fortalecimento do cooperativismo e associativismo, que podem ser o esteio para a sustentabilidade dessa classe.
Abraço
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 19/09/2017
Prezado Guilherme, há espaço para todos, o Brasil é muito grande. Entretanto há de haver profissionalismo não importa o tamanho da produção. É como se resolvêssemos acabar com as micro, pequenas e médias empresas no Brasil. Seria um desastre. Todas têm seu espaço na economia.
E tendo em conta que a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que se consome no Brasil, é uma categoria que não se pode negligenciar.
Abraços
JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 18/09/2017
Um abraço,
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
ALFA MILK - FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

CHAPADA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS
EM 18/09/2017
Gostei muito da sua visão por desvincular os "exemplos" de outros países, acho que somente analisando os nossos problemas e principalmente nossas virtudes é possível achar um meio de estabilizar a cadeia. Certa vez um alfaiate me deu um conselho "aqueles que somente cuidam do negócio dos outros tendem a perder de vista o propósito do seu negócio", esta frase se aplica perfeitamente a algumas mentalidades que definem o capital externo e a tecnificação de tudo como solução.
Ainda a complementar, achei de extrema importância o comentário sobre as forças de trabalho do campo e o tecido social envolvido, é realmente importante valorizar aqueles que resistem em atividades consideradas "inviáveis" pela visão empresarial, o país necessita imediatamente fomentar as cadeias produtivas e estimular a criação de tecnologias de baixo custo, visando uma produção enxuta e mais eficiente.
Ao municiarmos produtores com conhecimento eles estarão aptos a decidirem os melhores caminhos e com menores tendências a aceitar influências negativas. A extensão associada ao desenvolvimento de conhecimento "in-loco" é o caminho a ser trilhado, apenas ao conhecermos profundamente a realidade podemos pensar em mudanças e otimizar a produção, eliminando entraves que muitas vezes são vistos como problemas indissolúveis.
Grande abraço!
DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 18/09/2017
Parabéns.
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 18/09/2017
Porém flutuação de preços no mercado de leite não ocorreram em apenas uma época. Ocorrem com frequência, havendo altas e baixas, principalmente ligados à (des)estímulos da demanda interna no Brasil.
De todas as formas o meu objetivo é atentar para os riscos de sistemas que trabalham com margens pequenas e vivem às custas de subsídios. Dei o exemplo de produtores no Brasil, mas se dermos uma olhada nos EUA, Europa, Canadá, etc. vamos ver que muito só sobrevivem com subsídios, justamente por haverem esses períodos de queda nos preços do leite ou alta no preço dos insumos, como ocorreu com o milho recentemente por ex., e as margens serem muito pequenas.
E daí veio também o exemplo de países com a produção baseada em pasto (em condições similares para efeito de comparação) onde o setor é menos frágil e mais independente. Devemos trabalhar em desenvolvimento e difusão tecnológico em genética, qualidade, sanidade, diminuir os problemas da sazonalidade, etc. para chegar lá.
Podemos ficar dias discutindo confinamento vs pasto e haverão pontos positivos e negativos em ambos.
O objetivo do artigo não é apenas esse, mas sim que haja um plano de desenvolvimento em conforme com a(s) nossa(s) realidade(s) para não investirmos em algo que não traga retorno, o que só sobreviva com ajuda externa.
Abraços
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 18/09/2017
Agora grandes produtores, que podem investir altas somas, trabalhar com grande escala, pequenas margens e ter o seu lucro também têm o seu espaço certamente.
A questão vem lá da discussão do texto do Marcelo, em como deixar o deixar o setor mais competitivo...Acredito que o setor pode ficar mais competitivo sem que para isso tenhamos que ter apenas mega-fazendas de produção confinada. Há outras alternativas que podem deixar o setor do leite mais competitivo,principalmente levando em conta a nossa realidade. E sem que milhares tenham que ficar de fora desse processo.
Mas você tem razão, se não houver profissionalismo, seriedade, empreendedorismo, gestão eficiente, não importa o sistema. O mercado está cada vez mais competitivo e quem não levar a sério a atividade provavelmente não terá mais espaço.
Bom dia Matozalém, muito obrigado! No meu ponto de vista a equação da oferta e demanda deveria se equilibrar com ações e políticas voltadas para o lado da demanda. Incentivando o consumo interno através de compras institucionais, aumento do consumo de lácteos nas escolas, campanhas de marketing e incentivo ao consumo de lácteos nas famílias. Mas fundamentalmente através da exportação, e isso passa pela melhora da qualidade do produto e pela eficiência produtiva, tanto na produção quanto no processamento, marketing, comercialização e logística. Com certeza podemos produzir um leite com a mesma qualidade do neozelandês, e com um custo mais baixo. O Brasil tem potencial pra ser o maior exportador de lácteos do mundo, assim como já é em outros setores. Assim os produtores poderão produzir o quanto quiserem, pois provavelmente sempre haverá para quem vender.
Abraços
PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 17/09/2017
Parabéns pelo artigo, abordou vários pontos extremamente relevantes de uma maneira concisa e clara. Concordo totalmente com você em relação à necessidade de melhorarmos nossa eficiência e qualidade. Contudo, discordo em alguns pontos: por exemplo, a questão de fazendas com mais tecnologia terem quebrado. Está falando de uma época na qual os preços flutuavam muito, não havia pagamento por qualidade, e um produto diferenciado não tinha espaço nenhum. Além disso, o preço da terra em várias regiões tradicionalmente produtoras tornou totalmente desinteressante continuar no setor. Muitos produtores "quebraram" por ser totalmente inviável produzir leite em uma terra que tem valor por metro quadrado.
Hoje em dia é bem mais complicado ter produção em larga escala em sistema de pastejo (por vários motivos), e sabemos que a rentabilidade da atividade no Brasil está bem ligada à escala. Além disso, quem produz com qualidade recebe melhor por isso e tem condições de ter um produto diferenciado no mercado. Quem não tem qualidade, espero eu, deve sair da atividade em um futuro próximo. Podemos sim produzir pasto o ano inteiro, mas esse pasto pode virar pré-secado e feno, e também podemos produzir silagem e grãos em grande quantidade. Creio que a intensificação é um processo natural e que ocorrerá caso não existam cotas de produção. Os sistemas de pastejo também tem suas limitações e problemas - em um país quente como o Brasil, por exemplo, é necessário um cruzamento/raça bem adaptada para sobreviver. Mais do que isso, não acho que a sazonalidade do sistema sobreviveria no mercado consumidor brasileiro.
Enfim, acredito que há espaço para todos - só não deve haver espaço para quem não é eficiente e não produz um produto de qualidade.

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/09/2017
GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 15/09/2017
Com relação a pergunta sobre aonde estariam os sistemas de confinamento aqui em São Paulo.... Mais desaparecidos estão os pastejos rotacionados implantados durante os anos 2000 com o projeto balde cheio. Aqui no Vale do Paraíba foram praticamente varridos do mapa e mesmo assim a produção regional vem crescendo anualmente. Essa idéia de leite caro ou barato, ao meu ver, passa longe da discussão sobre modelo de produção, mas sim sobre capacidade de gestão da propriedade. Aliás, produzir leite a baixo custo no Brasil em qualquer sistema, mesmo a pasto, é praticamente impossível, a menos que consigam desenvolver uma vaca que faça fotossíntese para sobreviver e produzir leite...
Em grande parte, o que falta no Brasil da porteira para dentro é profissionalismo e muitas vezes vocação para conduzir a atividade como negócio. Qualquer sistema funciona e é capaz de remunerar o produtor, basta fazer de forma correta.
BLUMENAU - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO
EM 15/09/2017
Edgar e Andiara, muito obrigado. Tecnologia de ponta na produção de leite não é nenhuma novidade. Há muito o que se desenvolver através de Pesquisa e Desenvolvimento, porém há muito já disponível no mercado. O problema que vejo é o acesso à essa tecnologia, em termos de transmissão de conhecimento e em termos financeiros.
Andiara, parabéns pelas iniciativas! Fico muito feliz em saber que gostou do artigo! Como você disse. No setor agropecuário de países em desenvolvimento é geralmente assim: quando a economia do país vai bem há subsídios e incentivos disponíveis. Mas quando vai mal é a agropecuária quem mantém a economia e a industrialização necessárias até terminar a recessão e o país voltar a crescer de novo. Infelizmente!
Adil, parabéns por manter-se resistindo e melhorando!
Adil e Aluizio, realmente, a nossa indústria é frágil por ser muito dependente do mercado consumidor interno. E o Brasil por ser um país ainda muito dependente da agricultura e extrativismo, é muito sensível ao ciclo das commodities. Cada vez que os preços das commodities caem, o Brasil entra em crise e a demanda retrai. Com esse consumo retraído, o setor do leite é um dos primeiros afetados. As pessoas deixam de consumir lácteos, principalmente os de maior valor agregado. Com o menor consumo, a indústria não tem pra quem vender e os preços caem para a indústria e se refletem nos preços pagos ao produtor.
Solução: Bom, a melhor solução seria que o Brasil fosse industrializado, assim os consumidores teriam mais dinheiro pra consumir mais lácteos. Mas aí já é mais complicado. Em se tratando do mercado de lácteos, a solução seria aumentar as exportações, assim o nosso leite atingiria mercados consumidores de outros países e não seria tão dependente dos consumo interno, que sempre tem as suas altas e baixas. Assim como o Uruguai faz por exemplo, deveríamos fazer o mesmo e mandar o nosso leite pra outros países. Mas para isso precisa-se definir um plano estratégico para aumentar as exportações. Também acho que esse caminho passa, entre outros, por um reposicionamento e uma melhora significativa de eficiência na indústria de processamento.
Abraços!
ENCRUZILHADA ENCRUZILHADA DO SUL - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 15/09/2017