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Especial Taça de Silagem: novos híbridos, antigas discussões

Por Thiago Fernandes Bernardes
postado em 07/03/2016

9 comentários
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Não podemos negar que os híbridos de milho têm alcançado produtividades cada vez mais expressivas, melhorias em termos de tolerância às pragas e doenças, bem como adaptação às condições de clima e solo. É indiscutível que essas evoluções focam maior eficiência produtiva traduzindo-se em maior receita para o produtor.

Contudo, acredito que poderíamos desfrutar mais dessas tecnologias ou que pudéssemos fazer uso delas de maneira mais adequada. Essa minha ‘inquietação’ acontece porque se por um lado determinados aspectos evoluem (como comentei anteriormente), por outro ficamos ‘patinando’ como carro no atoleiro e não saímos do lugar. Desse modo, irei destacar três aspectos que, em minha opinião, necessitamos evoluir quando a discussão envolve híbridos de milho para a produção de silagem.

O primeiro deles remete a questão do endosperma, se o mesmo é duro ou farináceo (mole). Foi provado experimentalmente e publicado nos melhores jornais científicos que híbridos com grãos farináceos potencializam a digestão e promovem desempenho animal superior. É sabido também que no Brasil a maioria dos híbridos possui endosperma duro, ou seja, menos adequado para a produção de silagem. Então, de uns tempos pra cá tenho percebido novas denominações para os híbridos, por exemplo, semiduro ou semidentado (dentado nesse caso significa mole). Ora! O híbrido é duro ou é farináceo. Vamos sair de cima do muro! Por quê? Porque esse tal de semiduro ou semidentado na realidade é duro. E por que temos muitos híbridos de grão duro e pouquíssimos de grão farináceo? Porque a quantidade de sementes vendidas para aqueles produtores que produzem silagem é muito pequena em comparação para os que produzem grãos. Isso faz com que as empresas não invistam nessa característica devido a pequena fatia do mercado. Mas mesmo na tentativa de atrair a pequena parcela acabam denominando alguns híbridos como semiduro ou semidentado. Poderia também comentar aqui a denominação de ‘duplo propósito’, outra característica que não existe. Ou o híbrido é para produzir grãos ou para confeccionar silagem.

O segundo fator que eu gostaria de destacar se refere à disponibilidade de híbridos por região e clareza demonstrada aos produtores. O que é isso? Ocorre que cada empresa desenvolve os seus estudos ou contratam alguma instituição para desenvolvê-los. Nada de errado. Mas ocorre que os híbridos devem ser comparados entre as empresas e não dentro da mesma empresa. Exemplo: Todas as empresas que atuam no mercado de sementes na região do Sul de Minas Gerais deveriam realizar um experimento comparando o híbrido ou os híbridos de cada uma delas, de forma que o produtor tivesse acesso aos melhores híbridos no momento da compra. Feito o estudo entre os híbridos, os resultados deveriam ser divulgados de forma ampla e, inclusive, em jornais científicos. Em outros locais do mundo funciona assim, ou seja, as empresas dão ‘a cara a tapa’. Aqui no Brasil isso não ocorre. Isso faz com que o leque de compras do produtor diminua e que ele talvez esteja investindo em um híbrido que não é o mais adequado.

O terceiro tópico se refere a área de refúgio no momento do plantio. Milho geneticamente modificado requer alguns cuidados. Um dos mais importantes é a utilização da área de refúgio, a qual deve ocupar cerca de 10% da área total cultivada com milho não transgênico. O refúgio é necessário porque irá manter insetos susceptíveis ao efeito ‘inseticida’ do milho transgênico dentro da população, prevenindo a resistência da praga e a preservação da tecnologia transgênica, ou seja, é algo vital para que continuemos cultivando o milho transgênico. Contudo, quando nos deslocamos até o comércio para adquirirmos milho transgênico e não transgênico da mesma classe, ou seja, o mesmo híbrido, diferentes apenas pela introdução de um gene, dificilmente nós os encontramos. Isso significa que as empresas estão disponibilizando o milho transgênico, contudo sementes do seu ‘irmão’, para ser utilizado na área de refúgio, o produtor não consegue adquirir. Em geral, essa situação problema tem sido resolvida de duas maneiras. O pecuarista compra somente sementes de híbridos transgênicos e impacta negativamente sobre a tecnologia e o meio ambiente. Ou ele adquiri sementes de um híbrido de outra classe para compor o refúgio. Resultado dessa ‘lambança’ promovida pelo comércio: Vários híbridos transgênicos estão saindo do mercado porque os insetos já estão provocando danos aos mesmos. É que chamamos popularmente de ‘tiro no pé’. A tecnologia chega, mas devido ao mau uso vai embora sem ter sido desfrutada de maneira ampla.

Produtores se unam! Formem grupos! Corram atrás daquilo que o comércio precisa mostrar pra vocês!

Devido ao sucesso alcançado com o Concurso Taça Brasil de Silagem de Milho lançado no ano passado, o MilkPoint, em parceria com o laboratório 3rLab, realizará mais uma edição do concurso neste ano objetivando identificar e homenagear os produtores das melhores silagens de milho do Brasil.

Vale a pena lembrar que as 20 melhores silagens ganharão destaque sendo expostas no Interleite Brasil que ocorrerá nos dias 03 e 04 de agosto em Uberlândia/MG. Além de ganhar cortesia para o evento, o ganhador terá uma matéria exclusiva na revista Leite Integral e no portal MilkPoint. Fique atento, acompanhe as novidades e participe! Não perca a oportunidade de mostrar que sua silagem está entre as melhores do Brasil!

Quer saber como participar? Acesse o
hotsite do concurso, entenda as etapas e não perca essa chance.


 

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Comentários

Juliano Bérgamo Ronda

Uberaba - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 23/12/2014

Parabéns por mais um excelente material. Tenho percebido que um dos principais gargalos nas propriedades é a produção de volumoso conservado, sendo que o entrave começa no momento do planejamento, escolha e compra de sementes. Infelizmente ainda hoje me deparo com muita silagem produzida a partir de milho flint. E os resultados são péssimos.  Espero um dia encontrar maior transparência nos trabalhos realizados pelas empresas.

Luiz Henrique Dias de Toledo Pitombo

São Paulo - São Paulo - Mídia especializada/imprensa
postado em 24/12/2014

Acho que é preciso mesmo colocar os pingos nos "ís". Uma coisa não pode ser uma outra...

Caetano Siqueira Burato

Torrinha - São Paulo - Médico Veterinário
postado em 26/12/2014

Parabens pelo artigo Thiago!!   Isso que está faltando a informação chegar até o produtor..

Walter Jark Flho

Santo Antônio da Platina - Paraná - Consultoria/extensão
postado em 29/12/2014


   Prezado Thiago ! Recentemente, conversando com colega Agrônomo de uma revenda
a respeito da dificuldade de se fazer o "refúgio ", perguntei se não era possível que as empresas produtoras "misturassem" em torno de 10% de semente não transgênica  e ,assim, teríamos os 10% de plantas convencionais na área. Na prática, o que acontece
é o que você já falou. Além disso existe a dificuldade prática de se fazer o refúgio. Não sei  se esta dispersão de sementes convencionais em toda a área surtiria o resultado esperado. Entretanto seria uma forma de garantir o refúgio caso seja viável técnicamente. Em todo o caso, uma diminuição de custo da semente,e esclarecimentos ao produtor ajudariam .
Walter

Mayron Roberto Furtado Bispo

Sertão - Rio Grande do Sul - Consultoria/extensão rural
postado em 19/01/2015

Caro Tiago!
Os três pontos nominados pela vossa pessoa, são deverasmente muito oportunos, e devem ser perseguidos por todos da cadeia agronômica. Há algumas dificuldades/barreiras para sua efetiva sacramentação, não temos dúvida que sim, porém, mais uma vez, a busca na mudança do valor cultural das pessoas, esquecendo da "lei do gérson", do "eu", do "meu", poderemos chegar.
Outro fator que temos observado na nossa região de atuação é a falta de profissionais, sérios, com conhecimentos, respeito, ética para com os produtores, pois vejam bem, uma das aberrações que temos a cada ano observado é o aumento da produção de forragem de milho, ou seja, o seu corte, semanas antes do seu verdadeiro ponto. Como se diz aqui no Rio Grande do Sul, "o milho nem tá no ponto de assar e já tão fazendo "SILAGEM", na ânsia de produzir mais uma safra,
Na minha Região (planalto médio gaúcho - altitude acima de 700m), não há janela para produzir 02 silagem de milho!!!

Walderi Francisco de Carvalho OLiveira

Palmas - Tocantins - Produção de ovinos de corte
postado em 26/01/2015

Pelo que foi dito aqui, o nosso maior problema é mesmo a falta de ética, de respeito. A desonestidade fala mais alto, para quem age assim não importa a tecnologia.
         

José Roberto da rocha

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - contrução civil
postado em 13/04/2015

Bom dia caro Thiago,sou Zé roberto, Rio de Janeiro,já estou à 08 meses pesquisando para montar um pequeno projeto de criação de ovinos confinado. Parabens pelo trabalho, é de profisionais assim que o nosso pais precisa, para sairmos da era da roça,ao rumo a empresa rural, ao agronegosio.

Caro Tiago, me tira uma duvida, no final das contas, o que  é melhor,MILHO ou SORGO?
E compensa, o uso de leucena, guandu, amendoim forageiro, mendioca,isso como exemplo, no contexto geral,princilpamente no fator custo de produção e ganho de pesso?

Mariana Pompeo de Camargo Gallo

Piracicaba - São Paulo - Cursos Online AgriPoint
MilkPoint - postado em 25/08/2015

Olá pessoal,

Gostaria de convidá-los a participar do Curso Online "Produção Econômica de Silagem" que está com inscrições abertas.

Durante todo o período do curso, os alunos poderão tirar as dúvidas diretamente com o instrutor Antony Sewell, engenheiro agrônomo, consultor há mais de 20 anos.

Para participar, acesse:
http://www.agripoint.com.br/curso/silagem/

Ou entre em contato: cursos@agripoint.com.br / 19 -34322199.

Jackson Oliveira

Juiz de Fora - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 29/09/2015

Thiago, muito oportuno esse tópico de discussão.

A silagem de milho é, hoje, um elo importante na cadeia produtiva do leite, pois é a garantia de volumoso de qualidade na época em que as pastagens tornam-se deficientes. Melhorar a silagem significa reduzir os custos de alimentação e aumentar o retorno econômico do produtor. Além das melhorias nas técnicas de ensilagem e no manejo do silo após sua abertura, avanços podem ser obtidos através do desenvolvimento de híbridos específicos para silagem. A empresa que oferecer esse tipo de híbrido ao mercado terá grande chance de consolidar sua marca e dominar uma grande porcentagem de clientes dentro desse segmento que representa aproximadamente 10% da área de milho plantada no país. Essa fatia de mercado é relevante, ainda mais por ser formada por uma categoria de produtores fieis ao plantio de milho. Vou explicar. Nessa safra que está iniciando (2015-2016) houve uma grande queda, pelo menos aqui em Minas Gerais, na venda de sementes de milho. Por que? Porque o preço da soja está muito mais atrativo. Assim, o produtor de grãos está muito mais interessado em plantar soja do que milho. A venda de semente só não foi pior porque a área de milho plantada para silagem no ano passado irá, no mínimo, se repetir esse ano. O produtor de leite sabe que não pode abrir mão da silagem, independente dos custos de produção desse volumoso e do leite. Repetindo, a empresa que produzir um híbrido diferenciado para esse segmento ganhará a confiança do produtor (de leite) e terá grande chance de liderar esse mercado. Pelo menos enquanto outras empresas não lançarem híbridos competitivos para esse segmento...

Com os avanços nas técnicas de plantio e manejo, a produtividade dos híbridos de milho vem aumentando tanto para grãos como para a forragem total, o que não deixa de ser interessante para o produtor de leite. Mas, essa é apenas um lado da moeda...  Muitas características acrescentadas nos híbridos modernos estão no sentido oposto do que se espera de um híbrido forrageiro.

Fica a pergunta, por que as empresas de semente não trabalham para conseguir esse produto? As instituições de pesquisa deveriam ocupar esse espaço?

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