Prévia do IBGE: ano recorde na captação redefine expectativas para 2026

A captação formal de leite alcançou o maior volume da série histórica em 2025, com crescimento de 8% sobre 2024. No entanto, os dados do último trimestre mostram perda gradual de ritmo, em meio à compressão das margens e ao descompasso entre oferta e demanda. Entenda!

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A Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE revelou que 2025 foi o ano com maior captação na série histórica, com um aumento de 8% em relação a 2024. Outubro teve o maior crescimento trimestral (12,5%), mas houve desaceleração em novembro (7,9%) e dezembro (4,5%). Apesar do crescimento acumulado de 8,01%, a oferta superou a demanda, pressionando os preços e reduzindo a rentabilidade no segundo semestre. Para 2026, espera-se um crescimento moderado na captação, refletindo a busca por um novo equilíbrio entre oferta e demanda.

A divulgação dos dados parciais da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE, confirmou o movimento que já vinha sendo sinalizado ao longo do ano: 2025 se consolidou como o ano de maior captação da série histórica. O volume formal registrado ficou 8% acima de 2024, enquanto o quarto trimestre avançou 8,2% frente ao mesmo trimestre do ano anterior, reforçando o ritmo consistente de expansão da oferta visto em 2025.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, outubro apresentou o maior crescimento do trimestre (12,5%). Já em novembro, o avanço foi mais modesto (7,9%), finalizando dezembro com uma desaceleração ainda maior (4,5%).

Gráfico 2. Volume e variação da captação em período equivalente no ano anterior

Volume e variação da captação em período equivalente no ano anterior
Fonte: Prévia IBGE, adaptado por MilkPoint Mercado

Apesar do crescimento expressivo no acumulado do ano (8,01%), esses dados parciais do último trimestre já indicam uma redução no ritmo de captação. Após um longo período de expansão da oferta, somado a outros fatores externos, criou-se um descompasso entre produção e demanda, que pressionou gradualmente os preços ao produtor ao longo de 2025 e influiu diretamente nessa desaceleração observada.

Como consequência dessa redução no preço ao produtor, a rentabilidade foi sendo comprimida ao longo do segundo semestre. Esse movimento fica evidente na trajetória do indicador RMCA (Receita Menos Custo da Alimentação). 

No primeiro semestre, o indicador ainda refletia os preços mais elevados do final de 2024, garantindo margens mais confortáveis e incentivando a produção. Entretanto, ao longo do segundo semestre, o recuo do RMCA reduziu gradualmente o estímulo econômico à expansão da atividade, influenciando as decisões produtivas e corroborando para que o ano se encerrasse em patamares inferiores de rentabilidade e com menor ritmo de captação.

Para o início de 2026, é provável que ainda observemos um primeiro momento de captação sustentada, reflexo direto do ano altamente produtivo que se encerrou. Contudo, considerando o patamar atual de rentabilidade, o crescimento deve ocorrer em ritmo mais moderado do que o registrado em 2025, à medida que o setor busca um novo ponto de equilíbrio entre oferta e demanda.

Entender esse ciclo entre produção, preços e rentabilidade será essencial para antecipar os movimentos de 2026. No Fórum MilkPoint Mercado, esses dados serão aprofundados com análises exclusivas, conectando o cenário macro às decisões estratégicas do dia a dia - garanta seu ingresso aqui!

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Material escrito por:

Julia Nunes Ribeiro

Julia Nunes Ribeiro

Médica Veterinária pela FMVZ-USP e Analista de Mercado Jr. na MilkPoint Ventures.

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