Uruguai: Diagnósticos e propostas da 2ª Conferência das Américas sobre leite escolar

Publicado por: MilkPoint

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De 23 a 26 de novembro, foi realizada em Montevidéu, Uruguai, a 2ª Conferência das Américas sobre "Os benefícios do leite em programas de alimentação escolar".

O evento teve como ponto de partida o reconhecimento dos benefícios do leite para a saúde. Conforme demonstrado em várias apresentações durante a Conferência, os programas de alimentação desenvolvidos independentemente, de acordo com a realidade de cada país, devem adequar-se a certos requerimentos básicos:

1) Deve-se ter uma ampla visão da situação, como recomendado por praticamente todos os tipos de trabalhos;

2) Devem ser feitas ligações apropriadas com a realidade cultural e socioeconômica de cada país;

3) Os programas devem ser sustentáveis durante seu período. Faltou em quase todas as propostas a certeza de que os programas podem ser sustentados e aprimorados ao longo do tempo;

4) Os programas deverão ser ligados ao desenvolvimento das indústrias relacionadas.

Os palestrantes deram um panorama da situação da produção e do consumo de leite nos diferentes países representados. Várias das apresentações descreveram e enfatizaram o papel do leite no desenvolvimento saudável das crianças e em todo seu ciclo de vida. Com relação a isso, foram definidos alguns elementos básicos:

1) O cálcio é um elemento indispensável para a formação da massa óssea, produzida antes dos 30 anos de idade, e é fundamental na contribuição para a melhora e o combate à osteoporose;

2) O cálcio é importante para a prevenção de alta pressão sangüínea na gravidez;

3) Os produtos lácteos são muito importantes devido a sua alta densidade de nutrientes e baixo teor calórico;

4) É importante o uso de leite desnatado em adição aos vários nutrientes.

Também foram realizadas apresentações referentes à introdução do leite nos programas de alimentação escolar de vários países. Após a do Uruguai, apresentaram suas experiências República Dominicana, México, China, União Européia (UE), Brasil e Argentina, demonstrando grande heterogeneidade, devida a fatores como: tamanho particular da nação, com diferenças entre países grandes, como a China, e outros muito pequenos, como o Uruguai; diferentes experiências entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos; (c) história dos programas de alimentação de cada país, começando com o aumento da iniciativa em países como a China, seguindo para a daqueles que há várias décadas desenvolvem esses programas, como é o caso do Uruguai; tipo de financiamento dos programas.

Com relação a este último ponto, foram expostas várias modalidades, diferentes soluções que os países têm usado para desenvolver seus programas. As soluções variam de um formato bastante particular no Uruguai, onde há uma taxa direta que oferece suporte especificamente aos programas de alimentação escolar, até sistemas que promovem pequenos pagamentos para as famílias das crianças envolvidas, ou pagamentos totais, em alguns casos, passando pela situação da maioria dos países da América Latina, onde os programas são absolutamente gratuitos para as crianças nas escolas.

Esse financiamento fez surgir em todos os palestrantes a questão da sustentabilidade do programa, sobretudo dos que tiveram ou terão um importante desenvolvimento, exigindo um fluxo financeiro constante, geralmente crescente.

Outro aspecto relacionado ao financiamento e ao gerenciamento desse programa, incluído em várias apresentações, retratando a situação dos diferentes países, é o envolvimento de serviços de alimentação contratados.

Esta parece ser uma tendência crescente em muitos países, e, nos últimos anos, tem sido considerada como uma solução, em alguns casos, ou complemento aos serviços tradicionais em outros. É o caso do Uruguai, onde, desde 1998, há operação de serviços de alimentação contratados. Há casos como o do Brasil, onde, ainda que a porcentagem seja pequena, tende a crescer a demanda de serviços contratados.

Em alguns casos, foi proposto o envolvimento de uma unidade familiar no desenvolvimento e administração de cantinas escolares; a participação dos pais suplementaria os serviços que a administração oferece.

Outra conclusão tirada das diferentes experiências dos países participantes da Conferência é a preocupação geral com relação ao baixo consumo de leite frente aos níveis considerados satisfatórios.

Além disso, além das possibilidades econômicas dos diferentes países, há uma importante tarefa: convencer a população sobre os benefícios do leite, o que implica um desafio e um processo cultural que afetaria as crianças e sua unidade familiar. Também devido ao pequeno consumo de leite, têm surgido dificuldades na competição com outros produtos, como refrigerantes e itens similares.

Dentro deste cenário, as escolas parecem ser o local ideal para promover a prática de uma alimentação saudável, pois é um local externo ao lar mais familiar do que um local de atividade comercial.

Muitas diferentes apresentações indicaram que os programas de alimentação nas escolas têm aumentado e, em geral, uma característica parece ser o aumento do café da manhã nas escolas.

Outra conclusão tirada da Conferência é que o desenvolvimento e o bom gerenciamento da alimentação escolar, com foco importante em setores mais vulneráveis, seria um elemento fundamental para a redução do abandono/ausência nas escolas.

A importância da incorporação de várias atividades parece ter ficado clara, referida na Conferência nos diferentes desafios para o futuro e o presente, entre eles:

1) Manter o objetivo no tema da educação, no que se refere à prática de alimentação e consumo de leite, itens de consumo em geral, ou alimentos que são saudáveis e benéficos à saúde;

2) Preocupação com a avaliação progressiva dos diferentes programas de alimentação. Todos os palestrantes colocaram uma ênfase especial na avaliação desses programas no que se refere ao seu gerenciamento, em termos gerais, e, em particular, ao controle de qualidade;

3) Outra preocupação crescente é a necessidade de vigilância do estado nutricional da população em geral, e a forma de avaliar os aspectos nutricionais dos diferentes programas em vários países;

4) Preocupação sobre o aumento do consumo de leite, promovendo o melhor acesso às crianças para consumir produtos lácteos;

5) O mais importante desafio - e o mais ambicioso - é a reconciliação dos interesses do Estado, do setor privado e da sociedade civil para direcionar seus interesses no sentido de melhorar e aumentar o consumo de leite.

Os participantes concordaram que o primeiro passo, imediato, no esforço para enfrentar estes desafios seria a proposta de formação de uma rede internacional para a troca de informações sobre programas de alimentação com o suporte da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (Food and Agriculture Organization - FAO). O Comitê Organizador da Conferência propôs, em primeira instância, colocar na Internet suas propostas e conclusões.

Fonte: Dairy Outlook List, adaptado por Equipe MilkPoint
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