UE lança Projeto de Lei para regulamentar fabricação de iogurtes
Publicado por: MilkPoint
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Por trás desses debates, estão defesas entusiasmadas, especialmente na Espanha, onde a indústria de iogurtes lucra milhões de euros por ano. A UE, diante de inúmeras leis nacionais diferentes sobre o iogurte, decidiu que é hora de uma legislação sólida.
Consciente da dificuldade de encontrar uma definição de iogurte aceita por todos, a Comissão Executiva da UE optou pelo caminho mais fácil, permitindo que os Estados-membros mantivessem suas próprias leis, enquanto determinou critérios como gordura mínima e níveis de proteínas.
O Projeto de Lei permite que produtos tratados com calor após a fermentação sejam designados como "iogurte" somente nos estados da UE que já adotavam tal denominação. Caso contrário, terão de ser chamados "leite fermentado". O texto poderá ser mudado antes de a Comissão divulgar o documento como proposta formal.
Para países como Inglaterra, onde o iogurte pasteurizado sem culturas vivas pode ser vendido, o Projeto de Lei não será problemático, mas a França e outros países são mais rígidos: qualquer produto chamado "iogurte" precisa conter bacilos vivos da espécie que se supõe ser benéfica ao funcionamento intestinal.
"A UE, no passado, tentou definir um denominador comum, mas os Estados-membros tiveram diferentes pontos de vista. Não há consenso", disse um diplomata da UE. "O que isso faz é regulamentar a situação".
Espanha não concorda com Projeto
Alguns produtores de leite da Espanha, um dos maiores mercados de iogurtes da UE, estão descontentes com a proposta e disseram que ameaça limitar o comércio e prejudicar os pequenos produtores, muitos dos quais não podem garantir temperaturas baixas até o ponto de consumo.
"A regulamentação proposta é absurda", disse a gerente de regulamentação da gigante espanhola do setor de lácteos, Grupo Leche Pascual, Miriam Izquierdo, dizendo também que "leite fermentado" é um rótulo sem atrativos ao consumidor.
Para ela, a nova lei também forçará muitas companhias européias a renomear seus produtos alimentícios contendo iogurte, à medida que muitos desses itens foram manufaturados usando materiais processados. "Centenas de companhias serão afetadas, além da distribuição de uma ampla gama de produtos alimentícios com iogurte: bombons, barras de chocolate, granolas, cereais para bebês, molhos para saladas, sorvetes, manteiga, margarina e biscoitos", disse.
Em 2002, a Leche Pascual convenceu o governo da Espanha a permitir que suas sobremesas lácteas Longa Vida se chamassem iogurte. Como o produto contendo culturas vivas tem um prazo limitado de validade, a medida aumentou o potencial de exportação da Pascual - e também desagradou produtores franceses, como a Danone, empresa ativa no mercado da Espanha -.
Diplomatas disseram que a discussão sobre as propostas da comissão poderão revelar os medos da Espanha, primariamente da Leche Pascual, sobre eventualmente assegurar o acesso aos produtos pasteurizados da França. "Acho que a Espanha sentiu mais em termos de manter seus produtos no mercado francês. Trata-se de um assunto comercial", disse um dos diplomatas.
Izquierdo negou essa alegação, dizendo que o Projeto de Lei permitirá que cada país nomeie seus produtos de acordo com seus próprios interesses - uma ameaça ao princípio da UE de livre circulação de bens -. "Não se trata somente de um problema particular de comércio entre a França e a Espanha, mas, também, do adequado funcionamento do mercado interno", disse a gerente de regulamentação espanhola.
Fonte: Reuters (por Jeremy Smith), adaptado por Equipe MilkPoint
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