As redes de médio porte e os pequenos supermercados lideraram as vendas do setor no primeiro semestre do ano. O setor acumula uma expansão de 3,68% no primeiro semestre e, enquanto isso, o maior grupo varejista do país, o Pão de Açúcar, fechou o mesmo período com queda de 1,7% nas vendas. O Carrefour cresceu 0,6% no período, abaixo da média.
Existem vários exemplos de médios e pequenos que cresceram acima da média nos primeiros seis meses de 2005. A rede do noroeste paulista Gimenes Supermercados, com 25 lojas em 14 cidades da região, elevou seu faturamento real em 5% nos seis primeiros meses do ano. O Gimenes planeja a abertura de 17 lojas até 2008. A Cooperativa de Consumo (Coop) cresceu 3,23% no período. Contudo, projeta uma expansão de até 7% no ano, contra 2,5% do setor.
De acordo com o presidente executivo da rede Gimenes, José Sarrassini, todas as novas unidades ficarão onde a rede já se encontra, na região noroeste do estado. "Há muito mercado aqui. Além disso, há a questão logística: não precisaremos construir um no centro de distribuição (CD), apenas criaremos mais um turno de funcionamento", comenta o executivo da rede, que tem só um CD. Sarrassini explica que, no interior, a mídia televisiva é muito utilizada pelos supermercados.
"É uma característica e até isso precisamos calcular antes de expandir para outras praças. A demanda publicitária que temos é forte e, com mais lojas faturando, teríamos um ganho de escala também nesse quesito", conta.
A rede Gimenes existe há 47 anos e começou na cidade Sertãozinho (SP). A expansão para outros municípios começou há dez anos. Neste ano, a rede espera faturar R$ 380 milhões. Em 2004 a receita foi de R$ 320 milhões.
Já a Coop, que se insere entre as redes de médio a grande porte, com uma receita de R$ 997,7 milhões e 22 lojas espalhadas pelo Grande ABC (SP) e interior próximo, projeta uma expansão para este ano de 5% a 7% no faturamento real. Neste primeiro semestre, o faturamento da rede cresceu 3,23%, abaixo do número verificado no setor. "Ficamos aquém do que projetávamos. Acreditávamos em 5% de crescimento. Neste segundo semestre, porém, teremos a comemoração do nosso aniversário e faremos uma forte ação de marketing durante o semestre inteiro", informa o presidente da Coop, Antônio José Monte.
A cooperativa investe R$ 1 milhão em marketing de venda, o que inclui envio de cartas aos clientes/cooperados, reforma de lojas, propaganda nas mais diversas mídias e sorteio de 22 automóveis na ocasião do seu aniversário. Monte comenta que esse tipo de ação é importante, principalmente devido à forte concorrência que as lojas ligadas a centrais de compras passaram a impor de um ano para cá.
Entre os pequenos, o crescimento se dá principalmente através das centrais de compras, embora no Estado de São Paulo algumas das principais centrais atravessem um momento de crise. A central capixaba, Rede Show, com 61 uma lojas associadas e presente em mais de 30 municípios, apresentou um crescimento real de 7% no primeiro semestre do ano.
"Esse desempenho é fruto do ganho em eficiência logística que passamos a ter com a formação de um atacado próprio", informa o superintendente da rede, João Francisco de Pinedo Kasper.
Segundo ele, a centralização, num depósito próprio, do recebimento e da distribuição de parte das mercadorias possibilitou uma redução de 15% em média no custo do valor do produto. Para o ano, Pinedo acredita num crescimento real de 4%.
As razões para que os pequenos e médios encabecem a tímida expansão do setor é a agilidade e a familiaridade que possuem com os seus clientes. Além disso, a busca por comodidade leva o consumidor a comprar mais perto de casa, onde normalmente, essas redes e centrais possuem lojas.
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, diz que médios e pequenos crescerem percentualmente mais do que os grandes é um fenômeno que ocorre há três anos. "Eles são mais enfocados, até por serem menores e terem um raio de ação mais estreito", afirma.
O gestor técnico da entidade, Aguinaldo Gomes Marques, diz que essas características permitem aos pequenos e médios agir mais rápido, por exemplo, na hora de realizar promoções em todas as lojas de sua rede. "Por mais que tentem ser ágeis, as grandes redes não conseguem, diante dos médios e pequenos", comenta Oliveira.
Fonte: DCI (por Wagner Hilário), adaptado por Equipe MilkPoint
Supermercados pequenos e médios cresceram mais
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