Ontem, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de Goiás que investiga a crise do setor lácteo ouviu representantes dos supermercados Carrefour, Marcos, Tatico, Moreira, Alô Brasil e Bretas, na tentativa de apurar denúncias de que o segmento trabalha com margens exorbitantes de lucratividade. O relator da comissão, deputado Agenor Curado, admitiu, no final das audiências, entretanto, que os depoentes negaram praticamente todas as acusações colhidas contra os supermercados, principalmente os grandes, desde a instalação da CPI, em setembro.
Segundo Curado, os depoimentos dos diferentes supermercados foram muito parecidos, "como se todos os depoentes tivessem acabado de sair da mesma escolinha." Ele destaca que, pelos depoimentos dos executivos, conclui-se que seus supermercados trabalham no vermelho nas operações com lácteos, pois mesmo quando admitem margens positivas em alguns derivados, argumentam que visam tão-somente repor as perdas com a comercialização do leite longa vida. "Mas vamos ver se provam tudo isso na documentação que terão de encaminhar à CPI, incluindo notas fiscais de compra e de venda de leite e derivados."
Curado esclarece que a documentação exigida dos supermercados permitirá que a comissão estabeleça comparações das margens de lucros dos supermercados nos meses imediatamente anteriores à crise do setor lácteo (junho, julho e agosto), e no período de funcionamento da CPI, desde setembro. Ele diz que também não se deu por satisfeito com a negativa dos supermercados de que exigem bonificações das indústrias sob forma de um percentual dos produtos adquiridos, cujos valores são utilizados para bancar promoções de venda e campanhas publicitárias dos respectivos estabelecimentos.
O diretor do Carrefour, Odair Silvério da Silva, admitiu a existência das bonificações, que até classificou como "muito comuns", mas negou que elas sejam impostas como condição para a aquisição de produtos. "Sempre que há problemas de competitividade nós negociamos essas bonificações com os nossos fornecedores." Silva ressaltou que essas bonificações são repassadas ao consumidor na forma de promoções.
O diretor do Supermercado Marcos, Antônio Henrique Xavier, usou a mesma argumentação de Silva, e disse ainda que trabalha com prejuízo na comercialização do leite longa vida. Segundo ele, o supermercado trabalha com margem bruta de 5% a 10% no caso do leite longa vida, e com até 30% no queijo mussarela. Ele alegou que, como seus custos operacionais são da ordem de 21%, a comercialização do leite fluido resulta em prejuízo, que é reposto no todo ou, em grande parte, pela margem obtida na comercialização do queijo mussarela. Segundo Xavier, no geral, a comercialização de lácteos - como dos demais produtos da cesta básica - não rende lucro ao supermercado, "servindo mais como chamariz para o consumidor."
Para Curado, independente da maior ou menor rapidez na apuração dos fatos, a CPI já começa a apresentar frutos concretos, como a sinalização de uma ligeira recuperação de preços do leite e um maior empenho das indústrias e das autoridades para implementar as exportações de produtos lácteos. Outro aspecto positivo destacado pelo parlamentar foi a decisão de vários laticínios de anunciar com 30 dias de antecedência quanto pagará ao produtor pelo leite in natura.
Fonte: O Popular/GO (por Edimilson de Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
Supermercados não convencem CPI de Goiás
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