As latas de leite em pó do Programa Leve-Leite, cujo rótulo está sendo questionado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, já foram totalmente distribuídas para as 870 mil crianças de escolas e creches municipais de São Paulo. Em circular enviada no dia 9 à Delegacia Federal do Ministério da Agricultura de São Paulo, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), em Brasília, determinava a "imediata apreensão dos produtos contendo rotulagem irregular", segundo reportagem de Mauro Mug, publicada hoje no O Estado de São Paulo.
O secretário municipal do Abastecimento, Jilmar Tatto, disse que um dia antes da divulgação da circular técnicos do ministério tinham estado, "sem comunicação prévia", no depósito da merenda escolar da sua pasta. "Eles retiraram amostra do leite fornecido pela empresa Itambé para o Programa Leve-Leite."
No dia 9, os fiscais retornaram ao depósito, solicitando nova amostra. Apresentaram uma circular, alegando irregularidades nas especificações da rotulagem, como proporção de vitamina A e D não condizente com o descrito, e determinaram a imediata apreensão do produto.
"Não permiti a retirada de nova amostra e mandei que fossem apreender a mãe", reagiu Tatto. "O documento apresentado era uma comunicação interna e não um ofício determinando a apreensão, além de não apontar qualquer irregularidade na qualidade do leite", disse o secretário. "Também não exibiram um laudo de laboratório afirmando que não havia vitaminas A e D."
Tatto explicou que fez um contrato de emergência com a Itambé para o fornecimento de leite em pó integral durante dois meses. "Na licitação não pedi leite enriquecido com vitaminas, por isso não existe nenhuma irregularidade", disse. Os fiscais do ministério questionaram ainda a ausência da advertência "proibida a venda" e afirmaram que os dizeres "indústria brasileira" estavam impressos no lugar errado.
Indagado se a tentativa de apreensão seria uma orquestração política movida por algum fornecedor que sentiu prejudicado, Tatto disse que "os fiscais agiram de maneira, no mínimo, estranha".
O secretário afirmou ainda que a direção Nutril, empresa que fornecia leite à Prefeitura nas gestões de Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (PTN), "está sofrendo da doença da `vaca brava'." "Estão bravos, pois deixaram de ganhar R$ 9 milhões por mês."
A Prefeitura alegou que a Nutril foi substituída porque cobrava R$ 7,63 pelo quilo do leite em pó, enquanto o da Itambé custa R$ 6,00. "Com a mudança de fornecedor, a Prefeitura economizou R$ 4,2 milhões em dois meses". A reportagem procurou a direção da Nutril às 18 horas, mas o expediente já havia terminado.
(Por Mauro Mug, com a colaboração de Marcus Lopos, para O Estado de São Paulo, 16/03/01 )
SP alega já ter distribuído latas do Leve-Leite
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