Setor faz balanço de 2003 e aponta perspectivas para 2004

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Crescimento do setor depende, em certa medida, da conjuntura econômica nacional

O setor lácteo em 2003, segundo representantes do setor, comemorou a queda das importações e o crescimento da produção, mas os preços continuam a incomodar, especialmente as entidades de produtores. Para 2004, eles esperam um aumento das exportações e melhora do consumo de leite no País.

Esta é a síntese das declarações dos representantes da CBCL (Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios), CNPL/CNA (Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Leite Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Leite) e ABLV (Associação Brasileira de Leite Longa Vida), apresentadas a seguir, ao fazerem um balanço do setor neste ano e traçarem as perspectivas para 2004.

Balanço

Vicente Nogueira Netto, diretor do Departamento Econômico da CBCL :


"Quando se avalia o setor neste momento, em que há queda de preço por excesso de oferta, a tendência é fazer uma avaliação negativa. No entanto, 2003 foi um bom ano para a atividade leiteira, de acordo com os principais indicadores de crescimento da produção, estimada pela Embrapa e pela CNA /CBCL, que apontaram para um aumento entre 4,4% e 5%. As exportações bateram recordes mais uma vez, devendo superar US$ 50 milhões, uma cifra espetacular, sobretudo nesses últimos quatro meses, especialmente em novembro, quando, pela primeira vez o setor apresentou balança comercial positiva, com as exportações superando as importações. Do ponto de vista das exportações, passam a ser não-efêmeras, aparecem como tendência, registrando um crescimento constante desde 2000 (13 milhões de litros), 2001 (25 milhões), 2002 (40 milhões) e agora, em 2003, chegamos a 100 milhões de litros, enquanto as importações estão menores que 600 milhões de litros, as menores desde o Plano Real. Em 1998, o Brasil importou mais de US$ 500 milhões em leite.

A única coisa que deixou a desejar foi a questão de consumo, sobretudo de produto de maior valor agregado, como sobremesas lácteas, iogurtes. Quanto às principais commodities, o consumo foi estável em valor absoluto, enquanto o consumo per capita registrou crescimento vegetativo, estimado em 129 litros per capita. Com relação a preços, o comportamento durante o ano foi relativamente estável, como em 2002, com exceção do final do ano, com queda do valor pago ao produtor no mercado spot e das commodities, sobretudo leite longa vida".

Rodrigo Sant'Anna Alvim, presidente da CNPL/CNA:


"Não foi um ano fácil para o setor de produção primária, devido aos altos custos de produção, sem explicação que convencesse o setor em função do que aconteceu durante o ano em termos de preços, especialmente porque, depois, em novembro, o Brasil se tornou exportador líquido de leite. Dizíamos, em outubro, que não enxergávamos motivos para caírem os preços ao produtor e isso se confirmou em novembro. Curiosamente, na audiência realizada no Ministério da Agricultura neste segundo semestre, falamos sobre números de mercado e sobre o mercado em si, o que a indústria sempre fez, mas esta ofereceu uma resposta evasiva, alterando o argumento para a necessidade de mudança de políticas publicas.

Foi um ano difícil para o setor de produção primária. Alia-se a isso a 'bomba' da Parmalat, sobre a qual a expectativa é que resolvam a crise, dada sua importância no país. Houve vitórias em termos de políticas públicas, como a criação da Câmara Setorial do Leite, na qual depositamos uma enorme esperança de que possa contribuir para uma produção mais consolidada, para todo a cadeia, possibilitando, por seu intermédio, elaborar uma política e um projeto para a pecuária leiteira crescer consistentemente, sem altos e baixos. Por outro lado, foi decepcionante o desdobramento da inclusão da PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos) em 2002, pois não tiveram a responsabilidade de assinar a lei, sem a qual não se pode praticar EGF (Empréstimo do Governo Federal), tendo como conseqüência um mercado superofertado.

Agora, estamos acabando de protocolar pedidos de prorrogação dos acordos antidumping com relação a Argentina e Uruguai, os quais proporcionaram o crescimento da produção interna e das exportações. Continuamos a evoluir, mas com reflexos de 45 anos de tabelamento. O produtor ainda reclama que não consegue vender".

Marcelo Costa Martins, assessor da CNPL/CNA:

"A balança comercial surpreendeu em 2003, pois, pela primeira vez na história, tivemos superávit, em novembro. Embora ainda não dê para quantificar a balança de dezembro, existem empresas exportando em quantidades razoáveis. Não achávamos que as exportações seriam maiores que as de novembro de 2002, as quais já considerávamos muito altas. A manutenção das medidas antidumping ajudam a ter competitividade no mercado interno. As importações caíram porque, além da retração de consumo, tivemos uma situação em que o preço no mercado internacional inviabilizava a importação de leite em pó. Quanto ao consumo, caiu o de produtos de maior valor agregado, maior elasticidade-renda, como leite fermentado e queijo suíço, por exemplo, mas a queda de longa vida e leite em pó, por sua vez, não foi tão acentuada. De qualquer maneira, o consumo per capita de 2003 deverá ser menor que o do ano passado.

Os preços preocuparam muitos produtores, pois, enquanto no acumulado de janeiro a outubro os preços ao produtor cresceram 12,2%, no varejo, a alta chegou a 17,24%; a ração subiu 24,8% e os adubos e defensivos, 16,2%. Devido à ausência da PGPM, da qual precisamos para ontem, já vemos excesso de produto com conseqüente queda de preços. Precisamos de EGF para retirar o leite do mercado".

Almir José Meireles, presidente da ABLV:


"O ano 2003 foi horroroso. Não se conseguiu recuperar os preços, as empresas tiveram problemas de recuperação de margem.

Aparentemente, do ponto de vista do setor, houve disputa pela matéria-prima. Os produtores tiveram preços em patamares melhores ao longo do ano, tiveram estabilidade, o que não aconteceu com a indústria. O supermercado pode colocar uma margem maior, o preço ao consumidor pode cair e o do produtor não. A indústria tem de comprar, estocar e, se compra muito e vende pouco, banca o risco da estocagem. A realidade, quando se define o preço ao produtor, é muito mais matizada do que gostariam que fosse. As estatísticas de 2002 mostraram que está todo mundo errando. Diziam que em 2001 o preço era desestimulante, mas para o produtor informal foi ótimo, tanto que ele respondeu.

Não gostei de 2003: tivemos PIB zero; o mercado teve de procurar desagregar valor; o supermercado continuou forte, obtendo financiamentos como o do BNDES ao Grupo Pão de Açúcar, de R$ 260 milhões, para ampliação, ou seja, uma concentração induzida pelo estado; fez exigências cada vez mais absurdas, às quais o setor não tem condições de atender, embora o supermercado reflita o desânimo e a falta de renda da população".

Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil:


"O consumo se retraiu. A partir do segundo semestre, passou a ter importância muito grande no preço, situação que perdurou até o final do ano, agravando-se. Assim, 2003 não foi um ano bom. A cada dia que passa, apesar de dizerem que não tem inflação, o salário compra menos do que comprava no começo do ano, e a depreciação do salário contribui para isso. O leite não concorre mais com leite, mas com todos os outros produtos que cabem no orçamento de quem é consumidor. Qualquer que seja um produto novo - leite, refrigerante, suco -, o consumidor soma menos dinheiro para comprar outras coisas. Se não ficarmos atentos a essa questão de mídia, será difícil. As empresas lançam produtos, fazem mix, a exemplo da 'guerra da cerveja'. O consumo se desvia para outras coisas que não têm nada a ver com leite ou produtos lácteos. É um fator novo. No passado, as pessoas tinham preferência por comprar leite. Hoje, as crianças não se importam de tomar outras coisas em vez de leite. Cada vez mais, precisamos botar a cara de fora.

O que também agravou a situação do setor foi o fato de o EGF não ter saído. Ficou uma sobra de leite, por causa do consumo, que atrapalhou o preço. Veio mais do que o necessário, não havendo dinheiro para estocagem. O produtor paga a conta, o supermercado fica com o lucro e sobra pouco para o consumidor. Quanto aos preços, ficaram estáveis até outubro, mas isso não significa um bom ano. Temos ganhado terreno nas exportações, que superaram as expectativas, mas não é a solução para todos os problemas. As importações, por sua vez, caíram. Em termos de programas sociais, na Prefeitura de São Paulo, tivemos algum avanço, mas continua o leite em pó no Leve Leite, embora a promessa é que tenha de ser leite nacional".

Perspectivas para 2004

Jorge Rubez, Leite Brasil:


"No início do ano, a produção tende a estabilizar-se, não em decorrência da sazonalidade muito forte, mas porque temos propensão de retração em função de preço. É a defesa normal de quem produz, do setor de parafusos ao de leite, pela normalidade da produção condizente ao consumo. A tendência é que os preços se restabeleçam aos patamares do início deste ano. Quanto às exportações, são complexas. O Brasil concorre com países com know-how forte, mas tem leite barato e produtos compatíveis com os de outros países. É um caminho que deve ser bem-trilhado, bem-cuidado, para não perder a oportunidade. Para sermos eficientes, precisamos de qualidade e assiduidade. É uma perspectiva da qual temos de cuidar com carinho. As importações deverão continuar nesse patamar. Os produtos especializados, queijos especiais, também por conta de acordos internacionais, sempre têm compradores.

Em um cenário de ALCA, fim das alíquotas compensatórias, se voltarmos ao que era no passado, sem alíquotas, poderemos voltar à vivida triangulação do Cone Sul, assim, precisamos cuidar muito bem dessa parte. Embora não a veja com muita preocupação, temos de estar atentos à ALCA. Se porventura abrirmos mão e permitirmos que entre subsídio, importaremos subsídio e exportaremos impostos, o que levará a uma desigualdade muito grande.

Também precisaremos ficar atentos a quem fornece leite em programas sociais, como o da Prefeitura de São Paulo, para vermos se não importa, pois é uma quantidade significativa de leite. O programa estadual paulista deverá permanecer da mesma maneira, com possíveis avanços em termos de quantidade. Quanto ao Fome Zero, existe certa promessa, com meta de um milhão de litros no semiárido. Acredito que aconteça, mas não vejo em nenhum dos programas influência no preço para o produtor, nem aumento para o consumidor. As quantidades, apesar de significativas, não são tão importantes. Um milhão de litros por dia no semiárido pouco significa aqui no Centro-Sul e em São Paulo, mas significa em termos de evasão do leite para baixo.

Claro que a pecuária de leite necessita de muita evolução ainda, principalmente em exportação. O ideal é ficarmos cada vez mais independentes do governo, trilharmos um caminho próprio. Creio na junção das cooperativas e no sistema cooperativista como a saída principal para a pecuária leiteira do país. Sistema forte é igual a produtor forte. Acredito na possibilidade de, se voltarmos para o sistema, que já representou 70% da captação nacional e hoje representa 40%, poderemos negociar melhor o leite spot na venda à indústria, não uma ou outra cooperativa vender a um preço vil como vimos acontecer em Rondônia. Isso tem um efeito dominó, provocando queda de preços. Não queremos que a indústria acabe, pois tem produtos de alta tecnologia, fundamentais para o grande varejo, mas temos grandes expectativas na organização do sistema cooperativado, a exemplo do que aconteceu na Nova Zelândia, na Austrália e nos Estados Unidos".

Almir José Meireles, ABLV:


"No mercado, o papel da política econômica é importante em um País como o nosso, de forma que o governo tem anunciado a retomada do crescimento em 2004. Se isso se confirmar - em 2003, não se confirmou e o início anunciado para julho não aconteceu -, se houver esse crescimento, teremos espaço para crescer nesse mercado, pois o leite tem uma elasticidade-renda significativa. Precisamos nos perguntar se o desenvolvimento será via emprego ou se o desenvolvimento industrial será via automação, entre outras questões. Se houver um cenário favorável de crescimento, os produtores terão condições de concorrer e abastecer o mercado. O cenário macroeconômico é significativo, pois ninguém é uma ilha.

Existem bacias leiteiras no Brasil, estados exportadores e importadores. O discurso do produtor de São Paulo é diferente do de Goiás ou do Rio Grande do Sul. Entra aí a guerra fiscal, que poderá alterar a competitividade via imposto maior ou menor fixado pelos governos. No modelo atual, devemos produzir poucos produtos de valor agregado, já que as pessoas buscam produtos mais populares, apesar do discurso do produto de valor agregado. A indústria está preocupada, pois não tem mais a classe média que fazia consumo de massa. Hoje, temos poucos consumidores, precisamos de produtos mais baratos e é justamente aí que a bebida láctea apareceu como alternativa interessante, seja porque a indústria que a fabrica não tem condições de competir com grandes grupos, seja porque a população quer comprar mais barato.

Em 1980, Fernando Homem de Mello dizia que, em 2000, o Brasil demandaria 30 bilhões de litros de leite, e que o País teria de se preparar. Demandou 21 bilhões e estava ótimo. Por mais espetáculo que se espera, calculam-se 4% de crescimento do PIB. Se for maior, comprometerá a balança, a importação subirá, algo impensável em um governo como o nosso, com investimentos externos minguando, no primeiro momento por um eventual descaminho da esquerda, e, depois, em razão da falta de crescimento do mercado. Um país investe por que vai crescer ou porque já é grande. Vejo um crescimento zero. A fome não é zero, mas o PIB é. As atenções se voltam para China, Índia, Rússia. O Brasil, provavelmente, tem condições melhores que as desses países. Não é possível esperar grandes crescimentos, pois os 4% já trarão, segundo expectativas, aumento das importações".

Marcelo Costa Martins, CNPL/CNA:

"Acreditamos que as exportações continuem a subir em 2004, até porque as empresas - Itambé, Nestlé, via DPA - se prepara para tal. As importações deverão manter o mesmo patamar deste ano, pois o preço no mercado internacional não deverá oscilar muito. O consumo dependerá da recuperação da economia. Segundo informações do Banco Central, acredito que o ano que vem será melhor que este, melhorando a relação da taxa Selic, diminuindo juros, o que poderá favorecer o aumento do consumo. No tocante à produção, temos uma preocupação muito grande, devido ao que aconteceu com os preços em 2003. São dois pontos de vista: preço e custo. A reforma tributária, sem redução do Cofins e ICMS para insumos agrícolas, elevaria o custo de produção de leite em 12%. Diante disso, por um lado, a saída é não ter aumento mais que substancial dos custos; por outro lado, ajustar melhor a cadeia para ter uma margem melhor. O produtor precisa adequar a produção ao custo, gerenciar bem, identificar os pontos de estrangulamento, para viabilizar a atividade.

A Câmara Setorial, o Conseleite, o gerenciamento do sistema de produção de leite são mais que fundamentais para otimizar o processo administrativo. O Conseleite é importante à medida que oferece maior identidade à cadeia. A menor oscilação de preço no país foi no Paraná. Mantém-se a oferta com algum embasamento de acordo com o que acontece no mercado, reduzindo a especulação. Acreditamos que a melhor coordenação da cadeia e a organização do setor são o ponto crucial. Embora alguns ajustes sejam necessários, é importante ter um conselho que envolva produtor e indústria. Enquanto a Câmara Setorial discute o setor no âmbito político, é preciso um conselho para fazê-lo no âmbito econômico. O problema é que nem todo mundo quer abrir a 'caixa preta': quem tem margem superior não quer abrir. Finalmente, estamos esperançosos quanto aos programas sociais, principalmente para o desenvolvimento regional de locais mais carentes. É um programa que pode dar certo, pois boa parte dos recursos tem sido alocada nesse programa que objetiva geração de emprego e renda. Entretanto, se não tiver envolvimento do Ministério da Educação, de nada adiantará. É necessário que as pessoas que participam dos conselhos municipais olhem o leite como produto prioritário".

Rodrigo Sant'Anna Alvim, CNPL/CNA:


"Esperamos que, não obstante com o discurso demagogo do Mercosul, o governo promova a abertura defendendo os interesses do Brasil, pois sempre o fizemos de forma a nos prejudicar para favorecer os outros. Esperamos que o presidente Lula pratique isso na realidade e não faça com que a concorrência exclua pessoas da produção. Uma grande indústria já sinalizou, para o leite de janeiro, aumento do preço do leite em torno de R$ 0,01 a R$ 0,02.

Se isso for praticado, 2004 será positivo, com um crescimento mais sustentável da produção em um prazo mais longo. As exportações tendem a aumentar, mas é importante que isso se possa estender mês a mês e o Brasil se torne exportador. O mercado externo favorece, por exemplo, com relação ao preço - o leite da Argentina deverá custar US$ 2,3 mil dólares a tonelada -, no qual o Brasil é altamente competitivo. A grande seca na Europa, a diminuição dos estoques europeus, somadas à inclusão de mais dez países na UE, serão positivas. Queremos que os estoques fiquem por lá mesmo e não ocupem o mercado, que tem países atraentes como os do norte da África e os da Ásia. E que os mercados mais ricos nos deixem entrar. Quanto ao consumo, caso se confirmem as expectativas, o mercado interno poderá crescer e contribuir para a produção. Tudo é uma sanfona, com facilidade de absorver quando o fole se contrai.

Embora a verba para compra do leite pela Conab, no Fome Zero, tenha sido reduzida, a expectativa é muito grande. Na carta de Araxá, da Câmara Setorial do Leite, pedimos ao presidente da República não só a criação de novos programas, a exemplo do Projeto de Lei 41, do senador Hélio Costa, mas a consolidação e concretização dos programas existentes. Porém, uma semana depois, houve redução de 60% da verba. Queremos uma proposta diferente, responsável, pertinente. O tamanho da adesão depende do ajuste da oferta à demanda. A grande preocupação é com a informação séria. Em termos de produção, temos do ministro Roberto Rodrigues a promessa de implementar o SIGSIF, um sistema de informação do produto 'sifado'; em Minas Gerais, o delegado do Ministério disse que caminhará, que receberá computadores. Aguardaremos. Finalmente, com relação ao custo de produção, queremos para 2004 uma proposta de algo mais claro, mais eficiente, em parceria com a Embrapa".

Vicente Nogueira, CBCL:


"As perspectivas indicam que 2004 será um ano bom, alvissareiro. As importações poderão cair mais; as exportações, crescer, bem como a produção. As expectativas para os preços no mercado interno é que sejam mais estáveis; no mercado internacional, nada indica que haverá queda. Acredito que a crise seja efêmera. Quanto ao consumo, um dos aspectos que fazem acreditar que será melhor no ano que vem é que a economia dá sinais claros de recuperação, proporcionando crescimento no mercado de produtos lácteos, devido a sua maior elasticidade-renda. Algumas variáveis indicam para 2004 bons preços internacionais. Os programas sociais poderão aumentar a demanda, mas acredito mais na recuperação da economia, mesmo com programas sociais. Se funcionarem de fato, saírem do papel, serão um motivo a mais".

Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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Antonio Carlos de Queiroz
ANTONIO CARLOS DE QUEIROZ

CASCAVEL - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 13/01/2004

Parabenizo a Equipe MilkPoint pela reportagem e considerações sobre a expectativa do mercado de leite para 2004. Infelizmente nesse inicio de ano, tenho me assustado com algumas informações repassadas pelos laticínios da região oeste do Paraná sobre um recuo significativo nos preços pagos aos produtores, alguns até chegando a afirmar de preços de R$0,25/litro para pagamento em fevereiro, gerando um grave descontentamento, desestímulo e recuo no sistema de produção regional.


Marcos Cesar Rabello Silva
MARCOS CESAR RABELLO SILVA

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 12/01/2004

Estou analisando este mercado há 5 meses e concordo com o Sr. Jorge Rubez quando ele diz que o mercado de leite no Brasil tem que botar a cara para fora. Estou percebendo que a produção de leite no Brasil não mostra grandes avanços nos últimos 5 anos e com certeza isso tem a ver com o baixo consumo de leite per capita no Brasil que ajuda a apertar cada vez mais a lucratividade dos produtores fazendo com que tenhamos substituição de áreas de produção de leite por produção de grãos ou de gado de corte.

As empresas, cooperativas e órgãos relacionados ao leite precisam se organizar e desenvolver uma campanha de marketing intensa estimulando o consumo interno. Como o Sr. Jorge Rubez mesmo disse, as crianças hoje não dão nenhuma preferência ao leite quando querem beber algo. Os Estados Unidos da América passaram pelo mesmo problema que vem sendo revertido com a campanha Got Milk?. Até mesmo celebridades brasileiras participam da campanha norte americana. Eu sugiro que seja formado um fundo entre os cooperativas e empresas ligadas ao leite que financie uma campanha como esta. Este é meu ponto de vista. Obrigado pela oportunidade.
Márcio Machado Ladeira
MÁRCIO MACHADO LADEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/01/2004

Gostaria de comentar que o setor primário relamente apresentou melhora no ano de 2002 e 2003, em relação aos anteriores. Entretanto, quem conhece os custos de produção no Brasil, principalmente os custos dos sistemas intensivos, sabe que a média de preços pagos ao produtor ainda é baixa, apresentando em alguns casos margem líquida negativa. Faz-se necessário uma melhor relação de forças na cadeia produtiva, para que o produtor volte a ter os preços históricos de US$ 0.20 (ou um pouco abaixo). Vale ressaltar que a carne bovina conseguiu no ano de 2003 manter seu preço histórico de US$ 20.00. E ao meu ver, a maneira para melhorar a relação de forças na cadeia seria fortalecer o cooperativismo. Como isto poderá ser feito é difícil de dizer, mas ações governamentais, como juros fixados, podem ajudar, além de um melhor entendimento entre os produtores e a indústria, já que a princípio é o varejo que está mordendo boa parte da fatia do bolo.

Márcio Machado Ladeira
Professor Nutrição Animal
Depto. Zootecnia - Fac. Federais Integradas de Diamantina
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