SanCor analisa encerramento das atividades no Brasil

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SanCor, a empresa de lácteos 100% argentina que mais exporta, analisa seriamente sua saída do Brasil.

A decisão se deve a uma seqüência de maus negócios que teriam sido realizados no País, deixando um saldo devedor de 12 milhões de pesos argentinos (US$ 4,1 milhões, na cotação de 26 de dezembro) no balanço 2002/03.

O mais grave desdobramento seria o encerramento da filial, que apresentou mínima expressão nos últimos meses para a empresa, além de ter recebido um questionamento do Banco Central da Argentina sobre divisas não remetidas ao país em várias operações.

Em outras palavras: a assessoria jurídica da SanCor tem de convencer o BCRa de que a empresa não está infringindo a lei cambial, que exige dos exportadores remeter ao país as divisas resultantes de suas operações desde janeiro de 2002.

Fontes da SanCor admitiram que, desde outubro, receberam inspeções do Banco Central e que foram lavradas atas por uma porcentagem das vendas ao Brasil realizadas nos últimos dois anos. "Não há evasão de divisas, mas sim, maus negócios na filial SanCor Brasil, que chegaram a perdas de 12 milhões de pesos argentinos no último balanço", declarou a fonte. As operações questionadas seriam 300, sobre um total de duas mil anuais a todos os destinos.

Os advogados da empresa têm de demonstrar ao Banco Central argentino a origem da perda financeira. As razões que apresentarão são, por um lado, a desvalorização que o real acumulou nos últimos dois anos, que ocasiou perdas ao trocar menores quantidades de dólares por reais. A isto, deverão somar negócios mal-feitos e clientes brasileiros que acabaram em situação de insolvência. Um importador do Paraná devia recentemente US$ 2 milhões. Antes, outra empresa na mesma situação, no Rio de Janeiro, teria devido US$ 5 milhões, em 1998.

O banco destacou que o caso está protegido pelo sigilo bancário. A SanCor Brasil tinha 100 empregados em 1995, quando exportava 75% do leite argentino a esse destino. Hoje, são 18%, queda que, somada às perdas geradas pela filial, obrigam Miguel Altuna, presidente da empresa, a fechar as portas no Brasil no curto prazo. Hoje, não há depósitos e a equipe é de seis pessoas.

Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
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