Um pacote de investimentos programados para os próximos anos pode resultar na recuperação de pelo menos parte do peso das cooperativas gaúchas na produção e industrialização de leite do Rio Grande do Sul e do país. Desde 1996, quando a Avipal adquiriu os ativos e a marca Elegê da CCGL esta caiu de 55% para cerca de 20%, segundo cálculo de Tarcísio Minetto, consultor da Fecoagro (entidade que reúne as cooperativas agropecuárias do Estado). Os planos atuais prevêem aumento da produção para ampliar vendas no mercado interno e para engordar as exportações de leite em pó.
O projeto mais ambicioso em curso é da própria CCGL. A central, que engloba 18 cooperativas e 30 mil produtores de leite, pretende investir R$ 90 milhões em uma fábrica para processar 1,6 milhão de litros por dia em Cruz Alta. Segundo Caio Vianna, presidente do grupo, as obras devem começar em abril e a planta deve começar a produzir leite em pó para exportação, queijo e soro de leite em maio de 2007.
No primeiro semestre deste ano, o Rio Grande do Sul captou, em média, 6,6 milhões de litros de leite por dia, mais de 20% acima do mesmo período de 2004. No acumulado de 2005, o volume deve totalizar 2,4 bilhões de litros, pouco menos de 10% da produção brasileira. Segundo Eliziário Toledo, assessor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag), 67 mil criadores gaúchos dedicam-se à atividade - 86% de pequeno porte, com volume diário de até 100 litros. "Num prazo de cinco a dez anos o Estado tem condições de dobrar a produção", afirma.
Este avanço é considerado vital para viabilizar a expansão das cooperativas sem aumentar a ociosidade do setor, que hoje tem capacidade instalada para absorver até 9 milhões de litros por dia, conforme Clóvis Roesler, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado (Sindilat).
Neste ano, a Elegê, que sozinha responde por cerca de 50% da produção gaúcha, já dobrou a capacidade de processamento de leite em pó em Teutônia, para 2 milhões de litros por dia, e a Nestlé também deverá anunciar uma fábrica no Rio Grande do Sul. Outras cooperativas, como Cosuel e Coorlac, têm planos de aumentar a capacidade industrial.
Outro problema é a queda nos preços recebidos pelo leite, que recuaram de até R$ 0,58, no primeiro semestre, para entre R$ 0,35 e R$ 0,42 em virtude da maior oferta em tempos de consumo estagnado em 142 litros por ano por pessoa no Estado e em 131 litros na média nacional, comenta Roesler. Além disso, observa, as importações brasileiras de leite em pó, basicamente a partir do Mercosul, cresceram 47,3%, para 28 mil toneladas de janeiro a setembro sobre igual intervalo de 2004.
Fonte: Valor (por Sérgio Alegre), adaptado por Equipe MilkPoint
RS: Setor aguarda novos investimentos
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