Frustrou-se quem esperava que fevereiro trouxesse um alívio no quadro da seca que assola o Rio Grande do Sul desde janeiro. O comportamento climático é o mesmo dos meses anteriores, o que aumenta a preocupação dos produtores de grãos e dos criadores que dependem da matéria-prima para alimentação dos animais.
De quebra, agroindústrias como a do leite sentem os reflexos da estiagem. O exemplo de uma das principais cooperativas de leite do Rio Grande do Sul, a Santa Clara, de Carlos Barbosa, serve de retrato para o que pode ocorrer com o setor nos próximos meses.
A empresa vinha recebendo diariamente 350 mil litros de leite em sua usina, mas no mês de janeiro este volume caiu 50 mil litros. Um recuo de 14,3% graças à falta de chuvas na região. Calculando pelo preço que a cooperativa vende o litro (R$ 1,15), o prejuízo chega a R$ 575 mil.
Para o presidente da cooperativa, Rogério Bruno Sauthier, os associados da entidade estão fazendo "milagre" porque não têm silagem em função das perdas com o milho. Na região, 95% do grão colhido é transformado em ração para vacas.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Vilson Cichelero, a quebra média nas lavouras de milho chegou a 70% em cerca de mil propriedades rurais.
Em função da situação, a Santa Clara resolveu aumentar o valor do preço do litro pago ao produtor associado de R$ 0,52 para R$ 0,55. Sauthier garante que está dividindo o prejuízo com seus fornecedores.
Fonte: Zero Hora/RS (por Jorge Correa), adaptado por Equipe MilkPoint
RS: Santa Clara tem queda de 14,3% na captação
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