RS: CCGL planeja voltar a industrializar leite

Publicado por: MilkPoint

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A Cooperativa Central Gaúcha de Leite (CCGL), que, apesar da manutenção do nome desde 1996, quando vendeu suas fábricas, não atua no setor lácteo, planeja retornar à industrialização do produto. Os planos da CCGL, com atividades que hoje resumem-se à operação de dois terminais portuários para exportação de grãos em Rio Grande, prevêem a construção de uma usina com capacidade para até 1,6 milhão de litros de leite por dia.

Provavelmente localizada no município de Cruz Alta (RS), a planta prevê investimento de R$ 100 milhões. O projeto está em analise no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e BNDES.

A idéia de voltar à atividade leiteira, explica o presidente da CCGL, Caio Vianna, foi provocada pelo desgaste na relação entre os pecuaristas e a indústria em torno do preço pago ao produtor. As cooperativas pediram que a CCGL apresentasse uma proposta que viabilizasse a atividade e melhorasse a renda.

Vianna conta que, para não haver superoferta no mercado interno e com isso depreciar ainda mais os preços pagos ao produtor, o foco da industrialização será o mercado externo.

Na chamada fase um do projeto, programada para entrar em operação no segundo semestre de 2006, a idéia é captar um milhão de litros diários para transformar em leite em pó. Na segunda etapa, 600 mil litros seriam voltados à produção de queijos. O volume de 1,6 milhão de litros é exatamente a produção das 19 cooperativas controladoras da CCGL.

"O mercado mundial é hoje importador", diz Vianna. Ele revela que México, Ásia e Oriente Médio são as regiões com maior potencial de negócios. Segundo afirmou, o Brasil tende a ser protagonista no mercado mundial de leite, em virtude de problemas dos principais blocos produtores. "Já conversamos com traders e eles garantem que tudo o que for produzido será vendido", conta.

A Europa, observa ele, domina 42% do mercado mundial, mas deve perder espaço em função do corte dos subsídios. Austrália e Nova Zelândia não dispõem de território para elevar a produção. A intenção de dar prioridade às exportações tem como fundamento a certeza de que o dólar não irá permanecer no patamar atual.

Renda

A busca de uma renda maior para o produtor, de acordo com o projeto, será obtida de duas maneiras. A primeira é o desenvolvimento de um novo sistema de produção que diminua os custos do pecuarista. O método está sendo desenvolvido pela Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa (Fundacep) e prevê mudanças na alimentação animal e consórcio com a lavoura de soja. A Fundacep, localizada em Cruz Alta, também é mantida pelas cooperativas. O modelo que é adotado até hoje no campo, segundo Vianna, foi importado do hemisfério norte e não seria o mais aconselhável para a realidade gaúcha. A outra forma será uma participação no resultado da usina. De acordo com o projeto, 20% do lucro do empreendimento serão devolvidos aos associados. "Será um novo modelo de produção, industrialização e comercialização", entusiasma-se o coordenador do projeto leite da CCGL, Rubem Wolf.

Segundo Vianna, o Rio Grande do Sul produz hoje cerca de seis milhões de litros de leite por dia. Deste total, 1,6 milhão sai das cooperativas ligadas à CCGL, volume que hoje é, em grande parte, comercializado para as principais indústrias. Mas o dirigente acredita que não faltará leite para as demais companhias, uma vez que o projeto também acabará incentivando o aumento do rebanho e, conseqüentemente, uma produção maior.

A decisão de tocar o projeto ainda depende de uma assembléia geral entre as cooperativas, que deve ocorrer em 30 dias. "A tendência é pela construção", diz Vianna, que se baseia na repercussão alcançada pelo projeto no momento em que foi apresentado aos conselhos de administração das cooperativas no interior.

A CCGL se desfez de suas indústrias de laticínios em 1996 devido à crise atravessada pelas cooperativas na época. Como eram ativos valorizados e lucrativos, foram vendidos para que as associadas fizessem frente às dívidas. As plantas industriais e a marca Elegê foram compradas pelo grupo gaúcho Avipal.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Caio Cigana), adaptado por Equipe MilkPoint
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