Na terça-feira passada (22/03) foi iniciado o 5o Simpósio de Bovinocultura Leiteira, na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" - USP, em Piracicaba, SP.
O simpósio tinha como objetivo elucidar os problemas técnicos e econômicos da produção leiteira, além de levantar sugestões para futuros estudos.
A palestra inicial foi de Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Seu tema era "Mercado nacional e internacional do leite", sendo a palestra dividida em duas partes: cenário atual e potencial de crescimento.
Cenário Atual
Os dados mostrados na apresentação citam que nos últimos 10 a 15 anos, o crescimento anual da produção leiteira foi de 4 a 5%, não havendo nenhuma queda na produção nestes anos. Alvim lembrou também que a sazonalidade de produção vem caindo: em 1991, havia uma diferença de 50% da produção entre a safra e a entre-safra e, em 2003, caiu para 9%.
Quanto à geografia do leite, ele menciona que, apesar das regiões Norte e Nordeste terem uma pequena parcela da produção brasileira, houve um crescimento de 110% entre o ano de 1993 e 2003. O Sudeste vem perdendo participação da produção nacional, enquanto a região Centro-Oeste vem subindo. "A região Centro-Oeste cresceu, principalmente, devido ao boom da produção de Goiás. Este estado será um grande diferencial quando crescermos no mercado internacional", acredita Rodrigo Alvim.
Ele não deixou de citar 2004. "Como diz Roberto Rodrigues: 2004 foi o ano da virada. Tínhamos um déficit de US$ 504 milhões em lácteos em 1998, revertido para um superávit de US$ 11,4 milhões. Fizemos em 10 anos o que não conseguimos em 45 anos de preços tabelados", argumenta ele. Segundo seus dados, os principais importadores, em ordem, foram Iraque, Argélia, Angola, EUA, Venezuela, Chile e Trinidad & Tobago, juntos perfazendo 69% dos valores exportados. Segundo ele, o Iraque possui uma peculariedade: o grande volume de compra de leite em pó realizado pela ONU.
Potencial de crescimento
Mercado Interno
O presidente da comissão de pecuária de leite da CNA diz que um dos maiores desafios internos é a falta de incentivo do produtor, por não ter capital para reinvestimento na produção. Para que isso ocorra, é necessário, além da visão empresarial do produtor, ter um preço do leite que pague o custo custo de produção mais o custo de oportunidade (valor que pago no mercado de capitais). "Nossos dados demonstram que a Nova Zelândia, Austrália e a Índia superam estes custos. No Brasil só se paga o custo de produção, e, portanto, os produtores são desincentivados. Alguns países como os EUA e o Japão não pagam estes custos, porém há um grande subsídio que sustenta este sistema", explica Alvim.
Outros pontos limitantes foram levantados por ele, como a produtividade nacional das vacas (apenas 1.200L/vaca/ano), o consumo interno (apenas 130,5L/pessoa/ano) e a necessidade do fortalecimento do associativismo. "A produtividade da Nova Zelândia é de 3.700L/vaca/ano, que é um número factível para que se tenha no Brasil. Quanto ao consumo interno, há uma expectativa de um crescimento para 134L/pessoa até o ano que vem", argumenta ele.
Todo este cenário depende do governo federal. Ele é quem realiza os programas de incentivos e distribuição de leite pelo país. Ele também regulariza leis, como a Instrução Normativa 51 e o RIISPOA (Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal). Alvim cita como um exemplo positivo do governo que foi o programa que distribuiu leite no estado de Paraíba em 2004, aumentando 262% a produção local. Porém, diz que há muitos problemas e contradições; o mesmo governo obriga a mensagem nas embalagens de leite informando que o produto deve ser evitado por crianças menores de um ano.
Mercado Externo
Segundo dados informados no simpósio, o mundo produz 507,4 bilhões de L/ano, o Brasil é o 6o maior produtor, com aproximadamente 23 bilhões. Desse total mundial são exportados apenas 30 bilhões de L/ano, e as doações são responsáveis por um terço disto. "A comercialização internacional de lácteos ainda é muito pequena, somente 20 bilhões de L de leite são vendidos" comenta Alvim. A Nova Zelândia somada a União Européia participam de mais de 65% das exportações mundiais.
Os desafios do mercado externo citados por Alvim são os subsídios (no total US$ 44 bilhões/ano), as negociações multilaterais (exemplo: o Mercosul e a União Européia) e as promoções de exportações, que dependem principalmente do governo. "O Brasil é um exemplo, para os outros países, pois ela foi responsável pela inserção dos subsídios como um dos temas para a rodada de Doha, realizado pelo ex-ministro Pratini de Moraes. Conseguimos também provar o dumping nas exportações de lácteos por parte da Nova Zelândia, Uruguai, Argentina e Estados Unidos" exemplifica ele.
Com relação às negociações internacionais, ele acredita que caso haja um acordo com o mercado mexicano, poderemos exportar o dobro do ano passado.
"Já estamos preocupando o mundo inteiro com o nosso potencial", conclui Rodrigo Alvim.
Fonte: Equipe MilkPoint
Rodrigo Alvim: cenário atual otimista e potencial de crescimento no setor leiteiro
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 4 minutos de leitura
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