Roberto Rodrigues acredita na união para fortalecer cooperativismo

Publicado por: MilkPoint

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Para ministro, dificuldades do cooperativismo brasileiro estão na lesgilação e nos recursos humanos

A palestra do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no Encontro Cooperativismo x Agronegócios, promoção do Sebrae e SAI (Sistema Agroindustrial Integrado), realizado na Esalq/USP, em Piracicaba, SP, sexta-feira (10), reforçou a tendência mundial das cooperativas do setor lácteo: a união das pequenas em grandes forças, a exemplo do que aconteceu na Nova Zelândia e tem sido verificado em outros países produtores de leite.

O ministro fez tal afirmação citando o caso das cooperativas paulistas de café - 16 -, as quais, para ganhar mercado, concorrem entre si, levando o preço para baixo. "Se forem unidas, serão uma grande cooperativa. O problema é a escolha do presidente. Precisamos reverter esse processo adotando uma prática solidária", destacou, comentando que as cooperativas também precisam abrir espaço para a partipação de mulheres e jovens. "Elas preservam as vitórias obtidas", continuou.

Rodrigues revelou dados que indicam o quanto o cooperativismo brasileiro pode crescer. Tendo presidido a Aliança Mundial de Cooperativas e visitado 79 países pela entidade, informou que, atualmente, 800 milhões de pessoas estão ligadas a cooperativas em todo o mundo. "Considerando três pessoas por família de cada cooperado, são 2,4 bilhões de pessoas, 40% da população do planeta", comentou. No Brasil, o total de cooperados chega a 5 milhões - 15 milhões, considerando as famílias -, menos de 8% dos habitantes.

Os números do agronegócio do país reiteram o potencial da atividade agrícola. De acordo com o ministro da Agricultura, representa 29% do PIB, 37% dos empregos, 42% das exportações. "O Brasil é o maior produtor de café, suco de laranja e açúcar; o segundo produtor de soja, carne de boi e de frango; o maior exportação de café verde - 40% do mercado mundial -, mas responde por menos que 1% do mercado de café torrado e moído, ao passo que a Alemanha, que compra o produto verde do Brasil, detém 22% desse mercado. Nos Estados Unidos, em cada dez copos de suco de laranja, oito são brasileiros", contabilizou, observando que boa parcela da dificuldade de aumentar esses valores está na propaganda e no marketing do agronegócio nacional. Segundo ele, deve-se divulgar a cooperativa e não seu produto.

Uma grande limitação para esse crescimento, segundo Rodrigues, é a legislação superada - a última data de 16 de dezembro de 1971 e há um Projeto de Lei, apresentado por ele em julho de 1989, que ainda não foi votado no Congresso -. Por outro lado, na Constituição de 1988, a OCB conseguiu incluir seis artigos sobre cooperativismo, sendo modelo mundial até hoje.

"O outro problema é gente", declarou, reforçando a necessidade de formar pessoal, desde cooperados até funcionários, passando pelos dirigentes, e citando o trabalho desenvolvido pelo Sebrae e Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo). As lideranças, em sua opinião, precisam ter projetos, vocalizar as propostas e não apenas interpretar os desejos da base. Devem ser ágeis.

Devido às características do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, considerado por Roberto Rodrigues o general que pode comandar os soldados do cooperativismo, essa situação está em via de ser revertida. Para tanto, formou-se uma comissão de 11 ministérios para definir ações no sentido de promover a "doutrina cooperativista". "Em 12 anos, segundo a ONU, o Brasil será o maior país agrícola do mundo, mas podemos chegar a isso antes", animou, dizendo que só ganhará essa "terceira guerra" - a do mercado - quem tem mais soldados e melhor organização.

No caso dos pequenos produtores rurais, que são pouco respeitados na opinião do ministro, o cooperativismo possibilitaria adquirir insumos mais baratos, vender os produtos em melhores condições e agregar valor ao produto. De acordo com Rodrigues, as pequenas cooperativas precisam ter outras atitudes, formando parcerias para diluir o custo fixo e tendo foco e clareza para crescerem. Caso contrário, morrerão.

Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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