Representante dos produtores uruguaios faz críticas ao setor

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"O setor leiteiro do Uruguai funciona como um oligopólio. Isso porque existem duas empresas, a Conaprole e a Parmalat, que dominam esse mercado." A declaração é do produtor de leite e presidente da Câmara Uruguaia de Produtores de Leite (CUPL), Ferber Arocena, insatisfeito com o mercado de lácteos do país.

Apesar de ter sido feito um acordo no país, há um ano, entre todas as entidades leiteiras para lutarem pela livre competição no mercado de lácteos, "até agora não aconteceu nada, pela simples razão de que o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) não fez absolutamente nada", disse ele.

Arocena, cuja propriedade leiteira localiza-se no departamento de Flórida, citou a grande necessidade da livre competição no setor leiteiro, e afirmou a existência de um acordo entre as duas empresas líderes, que limitou ainda mais essa possibilidade. "Houve um acordo entre a Parmalat e a Conaprole, que funcionou muito tempo; não era um acordo de preço, mas diminuía nossas possibilidades de competição". É necessária uma "terceira perna da mesa" que permita uma competição mais justa e mais fluida, disse ele.

Para Arocena, há duas maneiras de se abrir o mercado. Uma é mediante o crescimento das pequenas fábricas que existem no país, "que souberam mostrar no verão um ambiente totalmente diferente do que o que vimos no Sul". A outra possibilidade é que se permita a venda de leite para o exterior. Para Arocena, essa medida seria justa, já que existem outros produtos - como o arroz, o gado em pé, a lã - que têm essa possibilidade. "Essa não é a solução definitiva. Em algum momento será possível, em outros não. Além disso, compreendemos que na situação atual do país, com sua população desesperada por trabalho, vender a matéria-prima sem processar não seria o melhor".

Arocena considera que não é razoável que alguém se coloque contra a Conaprole, porque a realidade mostra que a cooperativa é responsável por 75% do leite uruguaio. "Nessa grande torta que temos, o pedaço do sindicato e os gastos da Conaprole estão cada vez maiores, e o pedaço dos produtores está cada vez menor. Evidentemente, chegamos a um ponto em que esse pedaço não pode diminuir mais".

O presidente da CUPL defendeu o bom funcionamento que a principal cooperativa leiteira do Uruguai teve ao longo dos 50 anos, e destacou forte ligação entre esta e os produtores. "A sorte dos produtores dependia da sorte da Conaprole, e vice-versa. O crescimento da cooperativa dependia do crescimento dos produtores".

A lei No 15.640, aprovada em 1984, estabeleceu a habilitação do regime de abastecimento de leite pasteurizado em todo o país, abrindo assim a possibilidade de que se estabeleçam novas fábricas de abastecimento. A lei determina uma capacidade mínima efetiva de receber e pasteurizar 100 mil litros de leite diários. Esse último ponto é "que leva ao corte da possibilidade de abrir novas portas industriais".

Arocena citou também o esforço que o setor leiteiro está fazendo para conseguir maior efetividade, algo que também traz conseqüências graves. "O produtor está perdendo qualidade de vida por buscar maior efetividade em sua produção. Para produzir mais leite, em muitos casos, produzem-se mais dívidas".

fonte: El Observador (por M. Saporiti), adaptado por Equipe MilkPoint
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