Reduzir oferta do leite não é melhor solução, segundo Silemg

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A queda do preço pago ao produtor de leite nos últimos meses é explicada por um acréscimo de 25% no volume produzido a partir de setembro, em relação ao de julho, aliado a uma queda do consumo do produto, especialmente de leites mais sofisticados e queijos em geral, garantiu o diretor do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira.

Ele avaliou que a solução encontrada pelos produtores mineiros, de provocar uma oferta menor, poderá resolver o problema de imediato, mas não é a melhor alternativa para a questão. Em sua avaliação, deveria haver uma ação conjunta entre produtores e indústria, visando a uma alta efetiva do consumo de leite. "Nós estamos todos no mesmo barco, enfrentando um problema que é cíclico. Baixar a produção só serve para remediar a queda dos preços. Elaborar um plano de marketing para o leite, mostrando a importância do produto na alimentação e tentando mudar o hábito de consumo das pessoas seria mais eficaz".

Ele reafirmou, entretanto, que, com o nível de produção leiteira atual, o preço pago aos produtores deverá permanecer nos mesmos patamares. "Infelizmente não há mercado". Quando a produção cresce, a única maneira que a indústria tem para vender o produto é diminuir o preço final no mercado, tentando atrair novos consumidores. "Atualmente, com juros elevados, é inviável manter estoques. Então, o reflexo aparece na queda das margens de lucro nas indústrias e nos rendimentos do produtor", complementou.

Poder aquisitivo

O economista do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG), Arthur Emílio Reginaldo, acrescentou que a queda do poder aquisitivo da população é determinante para que não haja margens para altas de preços ao consumidor.

Segundo ele, quando a indústria tenta praticar preços mais elevados aos consumidores, acaba sendo obrigada a retomar a valores anteriores porque a procura cai.

Em setembro, por exemplo, houve alta de 2,42% no preço do leite em relação a agosto, mas, em outubro, o preço já ficou praticamente estável (+0,04%) e a tendência é fechar novembro em queda. Isso porque, na segunda quadrissemana, houve retração de 0,46% e, na terceira, de 0,28%. "Hoje, em termos comerciais, ninguém quer estocar e quem sofre com isso é o produtor, que não consegue que as cooperativas paguem mais pelo leite, pois não há como repassar para os preços ao consumidor".

Fonte: Hoje em Dia/MG (por Luciana Resende), adaptado por Equipe MilkPoint
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Elias Camilo Jorge
ELIAS CAMILO JORGE

OUTRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/11/2003

Senhores, sou produtor na Zona da Mata Mineira (Estrela Dalva - MG).

Penso que a solução para minorar este problema de todos os anos, é tentar negociar com as indústrias um preço pré- calculado para a chamada média ou cota.

Qualquer outra solução, como por exemplo, a utópica "diminuição da oferta", seria inviável. A garantia de um preço mínimo, na época das águas, da cota conseguida, permitirá ao produtor um planejamento melhor para sua atividade.

Um abraço,
José Almeida de Oliveira
JOSÉ ALMEIDA DE OLIVEIRA

MAJOR ISIDORO - ALAGOAS - EMPRESÁRIO

EM 29/11/2003

Sr. Celso Costa Moreira: nós, em Alagoas, também comungamos com a FAEMG, diminuindo nossa produção de leite. Argumentam as Indústrias que não vendem, porque não vendem, nós produtores de leite aqui em Alagoas estamos colaborando com o parque industrial lácteo local baixando nossa produção a fim de que aquele segmento "não perca dinheiro". Nós, Sr. Celso, nos acostumamos com estado de coisa, há anos. Mais precisamente, desde o final do Governo Sarney. Defendem alguns o não tabelamento do leite pelo Governo! Mas como enfrentar o "CARTEL" de quatro Indústrias sediadas entre nós que mandam e desmandam, enfrentado Governos, Produtores, Consumidores enfim, toda uma sociedade? Não Senhor Celso, nós que trabalhamos diuturnamente, enfrentado toda espécie de contra-tempo, nós que enpregamos uma plêiade de cidadãos, nós que oferecemos emprego continuamente, nós que oferecemos um alimento altamente precioso à vida. Nós sempre somos o "bode expiatório" do contexto. E o Governo, inerte, não vê a luta dessa classe que ainda tem ouvidos para ouvi-lo dizer que não disse o que havia dito.
Fernando Enrique Madalena
FERNANDO ENRIQUE MADALENA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 29/11/2003

A Cooperativa de Governador Valadares tem um esquema de "Poupança Queijo", em que se faz queijo com o leite da safra para vender na entressafra. Quem financia é o próprio produtor e tem sido altamente lucrativo para ele e para a Cooperativa.

Então, como é que não da para estocar? Gostaria de esclarecimentos dos autores. Desde já muito obrigado.
joselito gonçalves batista
JOSELITO GONÇALVES BATISTA

OUTRO - MINAS GERAIS - EMPRESÁRIO

EM 28/11/2003

O consumidor está sem poder aquisitivo e isto sabemos que é verdade. Mas porque abaixar ainda mais o preço dos produtos se ele não vai consumir mais em função de não ter dinheiro mesmo? Já está comprovado que o consumo não aumenta neste momento crítico do mercado, principalmente porque a queda nos preços é insignificante face à necessidade que o consumidor teria para recuperar seu poder de compra. Exemplo disto é que nos outros segmentos do mercado se oferece até 50% de desconto e os produtos continuam parados nas prateleiras.

Será que daria para diminuir 50% os preços dos lácteos neste momento, para tentar aumentar o consumo e absorver os 25% de crescimento da produção, conforme dito?

Estas pequenas diferenças promovidas nos preços dos produtos só servem de argumentos para despencar o preço do produtor. Esta é que é a verdade.

Mas concordo plenamente com medidas inteligentes e ações de marketing capazes de alavancar vendas e aumentar o consumo dos lácteos. Mas é preciso dizer que elas só acontecerão a médio/longo prazo, como sabemos muito bem disto, não é ?

Gostaria de saber quais as medidas necessárias para este momento crítico de hoje...
Qual a sua dúvida hoje?