Desde a liberação do setor leiteiro no começo dos anos noventa no Quênia, várias unidades de processamento se proliferaram no país, juntamente com uma explosão da venda de leite. Nesse contexto, o Comitê de Lácteos do Quênia (Kenya Dairy Board - KDB) lançou recentemente uma campanha para promover o consumo de leite e produtos lácteos seguros e conter o avanço do leite informal no mercado.
Segundo o diretor gerente do KDB, Machira Gichohi, existe um grande comércio de leite cru informal na região. "Esses comerciantes estão mal-equipados no que diz respeito à segurança do leite e de produtos lácteos. Isso tem levantado sérias preocupações de saúde pública".
Ele disse também que, além dos problemas de segurança, alguns comerciantes de leite informal têm adulterado o leite, adicionando água, farinha de trigo ou de mandioca, margarina e até substâncias químicas prejudiciais à saúde. Assim, o objetivo da campanha é sensibilizar os consumidores sobre os perigos associados ao consumo de leite de qualidade duvidosa.
Gichohi disse que a liberação do setor leiteiro abriu as portas para empresas privadas, que tinham interesse no setor, até então sob o monopólio da Cooperativa de Lácteos do Quênia. "A escala de comércio variou desde pequena - menos de 100 litros por dia - até grande - mais de 100 mil litros por dia -. A diversidade de volumes levou à necessidade da introdução de várias categorias de licenças pelo Comitê, até agora usadas como formas de regulamentação do comércio".
A campanha queniana é baseada no código da indústria para práticas de produção, manejo, processamento e distribuição de leite e produtos lácteos, de forma que essa promoção é uma tentativa de fazer com que a indústria cumpra as determinações do código.
Quando questionado sobre as queixas dos produtores referentes ao não-pagamento pelos processadores, Gichohi disse que o Comitê tem agido com o objetivo de garantir sustentabilidade à indústria para que haja benefícios a todos os participantes. "Em breve, o Comitê introduzirá uma cláusula, que vigorará em janeiro do próximo ano, forçando todos os processadores a fornecer uma indenização (na forma de garantias do banco), cobrindo um período de três meses, a ser usado para pagamento aos produtores caso haja algum problema".
Gichohi disse que, apesar de o KDB ser uma organização pequena, com uma equipe e uma base financeira pequenas, a entidade tem trabalhado para aumentar a eficiência da campanha.
Com relação ao excesso de produção de leite na região, especialmente na estação chuvosa, o gerente disse que o Comitê já concluiu um estudo sobre o manejo da oferta durante a estação chuvosa e a criação de uma reserva estratégica para uso na seca.
Quanto aos pequenos produtores, Gichohi comentou que o KDB tem realizado reuniões em diferentes partes do país com produtores de pequena escala. A principal discussão é estimulá-los a formar grupos que permitam a comercialização de seus produtos. "Estamos estimulando esses grupos a se registrarem como Grupos de Auto-Ajuda ou Cooperativas, que devem realizar o transporte, a refrigeração e a comercialização do leite. Com o estabelecimento de consistentes canais de comercialização, os pequenos produtores estarão aptos a sustentar e até aumentar sua produção".
Fonte: Allafrica.com, adaptado por Equipe MilkPoint
Quênia faz campanha para acabar com leite informal
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