Produtores não vêem motivo para queda nos preços do leite
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Em Goiás, empresas alegam falta de competitividade com indústrias de outros estados. No Rio Grande do Sul, responsabilizam a queda de consumo. Em Minas Gerais, a lucratividade das multinacionais é responsável pela diminuição do preço pago ao produtor. Este é o cenário traçado por representantes do setor diante da redução de preços e até de produção, como indicado por Jorge Rodrigues, presidente da Comissão do Leite da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul).
"O leite entregue em agosto ficou em R$ 0,46, devendo permanecer assim", disse, comentando que, em julho e agosto, o preço caiu cerca de R$ 0,03 ao mês e que não há perspectiva de redução para outubro. "Por outro lado, temos um momento de custos elevados. Como não houve redução para o consumidor, como alegam as indústrias, não se justifica essa queda do preço, pois deveriam reduzir os preços para o consumidor, não ao produtor", ponderou, criticando a capitalização da diferença para indústria e distribuição.
A redução de produção tem sido significativa, segundo Rodrigues, com índices de menos 5% em relação à de 2002 - 70 milhões de litros a menos entre janeiro e final de agosto de 2003 -, tendo como um dos motivos a migração da pecuária para culturas como a soja - "aproximadamente 70% da produção de leite gaúcha estão em região de soja" -. A importação também diminuiu. "Todos os indicativos seriam de favorecimento à elevação do preço", contrariou, comentando que as grandes indústrias têm praticado preços melhores, em torno de R$ 0,53, devido à falta de produto.
A justificativa das empresas goianas para a queda de preços é a falta de competitividade com indústrias de outros estados, como informou Edson Novaes, economista da FAEG (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás). "Em função disso, os custos subiram mais que o previsto e tiveram de reduzir matéria-prima. O setor produtivo acha que não se justifica a queda nesse momento, pois não estamos na safra", destacou.
O mercado em Goiás, de acordo com Novaes, tem praticado valores em torno de R$ 0,45. "As indústrias reduziram os preços em setembro, para recebimento em outubro, entre R$ 0,02 e R$ 0,04. No entanto, as perspectivas são de estabilidade até final do ano, com a chegada das chuvas e recuperação do pasto. Esperamos que essa situação prevaleça até dezembro", observou. Já a produção, deverá aumentar em relação à do ano passado, por volta de 4%, embora, de janeiro a julho deste ano, a captação das cooperativas goianas tenha diminuído 20%, e, no mesmo período do ano passado, 2%.
Eduardo Dessimoni, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da FAEMG (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), confirmou tendência de baixa, forçada principalmente pelas multinacionais e revelou que o leite B chegou a alcançar, em Passos, até R$ 0,54. "É cíclica essa campanha de redução, todo ano forçam a baixa nessa época, justamente quando começa a crescer a produção", avaliou, comentando que os produtores especializados ainda estão produzindo leite e reduzirão na época da chuva, ao passo que os extrativistas aumentarão, contando com as pastagens.
De acordo com Dessimoni, algumas cooperativas tentam manter o preço. "Não há motivo para baixa de leite. As exportações têm aumentado, as importações, diminuído; o consumo continua equilibrado. São sinalizações de que o preço deveria estabilizar-se. Como a pressão vem das empresas, não é possível prever", analisou.
Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
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CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 03/10/2003
Quando se descreve ou fala sobre remuneração de Leite no RS, é preciso não fazer comparações com outros estados uma vez que no RS existe mais de 70% do leite sendo captado por duas grandes empresas, o que torna dificil qualquer projeção. Portanto VIVA OS PEQUENOS CAPTADORES DE LEITE.
SUGIRO PESQUISAS DE DIFERENÇAS DE PREÇOS PAGOS NO RS ENTRE GRANDES E PEQUENOS CAPTADORES.