Produtores mineiros temem não receber da Parmalat

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Termina hoje o prazo para a Parmalat acertar parte de suas dívidas com os fornecedores de Minas Gerais. Os produtores estão ansiosos para receber o pagamento do leite entregue à multinacional italiana nos últimos meses e muitos até estão contando com esse dinheiro para quitar dívidas.

É o caso da Associação de Produtores de Ribeiro Junqueira, distrito de Leopoldina, na Zona da Mata, que até ontem continuava fornecendo leite para a Parmalat de Itaperuna, RJ. "O pessoal está todo apavorado, com medo de não receber o dinheiro, que é o meio de sobrevivência dos produtores da região. A maior parte já está até devendo armazém", disse o presidente da associação, Marco Aurélio Pimentel.

Segundo ele, a Parmalat se comprometeu a saldar hoje a dívida de R$ 179 mil com a associação, sendo R$ 46 mil referentes a novembro e R$ 133 mil a dezembro. A associação continua entregando leite para a Parmalat porque não tem o que fazer com a produção. "Não está tendo jeito de mandar para outra empresa. No momento, ela é a principal compradora. O jeito é torcer para dar tudo certo, mas, quando aparecerem outros compradores, levarei aos cooperados. Está sobrando leite".

A Associação dos Produtores Arrendatários e Meeiros de Tombos, na Zona da Mata, também fornecia leite para a Parmalat até ontem, mas está receosa quanto ao futuro. São R$ 118 mil a ser distribuídos aos 57 pequenos fornecedores, que entregaram 255 mil litros de leite em dezembro.

Depois que eclodiu a crise da Parmalat, muitos produtores deixaram de fornecer leite para a empresa. A Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Verde (Agroverde), em Campina Verde, no Triângulo Mineiro, entregou a última remessa em dezembro (600 mil litros, que correspondem a R$ 235 mil). "Estamos numa crise brutal do leite. Com aumento da oferta, o preço cai muito. O grande problema é falta de recurso para estocagem de produto", reclamou o presidente da Agroverde, Valdir Campos.

A Cooperativa dos Produtores Rurais do Prata (Cooprata), no Triângulo Mineiro, recebeu 80% da dívida de R$ 1,5 milhão em leite em pó, referente à venda de mais de dois milhões de litros de leite para a Parmalat em novembro e dezembro. Para não ter de vender o leite a preços irrisórios, a Cooprata fez acordo com a Parmalat, que continua fazendo a secagem do leite da cooperativa. "O mercado está muito difícil com o aumento da oferta. Foi a melhor alternativa para estocar o leite no momento", disse o presidente da Cooprata, Adelino José Pereira Neto. A cooperativa está estocando o produto para obter preço melhor.

Fonte: Estaminas/Superávit (por Karla Mendes), adaptado por Equipe MilkPoint
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