Recebimento da dívida da Parmalat foi parcial
A Parmalat ainda deve R$ 1,8 milhão a cinco cooperativas do estado do Rio de Janeiro. Na sexta-feira passada (16), a empresa anunciou que havia feito o pagamento devido e que alguns fornecedores iriam receber somente ontem.
Segundo Rodolfo Tavares, presidente da Federação de Agricultura do Rio de Janeiro (Faerj), na sexta-feira (16), a cooperativa de Itaperuna recebeu R$ 1,75 milhão. "Quanto às demais, a cooperativa de Campos e a de Volta Redonda, que recebem pelo Bradesco, receberam. A pendência é com as cooperativas de São Fidélis, Miracema, Itaocara, Santo Antonio de Pádua e Bom Jesus do Itabapuana, que receberiam ontem, pelo Banco do Brasil", explicou.
O diretor de comunicação da Parmalat, Afonso Champi, afirmou que a culpa do atraso é do Banco do Brasil, que reteve R$ 7 milhões do que foi depositado para o pagamento de juros devidos pela empresa. Os juros são referentes a empréstimos contraídos pela Parmalat no banco. Segundo Champi, a Parmalat enviou uma carta pedindo explicações ao Banco do Brasil.
A dívida total da multinacional com as cooperativas fluminenses era R$ 6,7 milhões. A Parmalat ainda deve R$ 6 milhões a produtores de Goiás e, segundo a empresa, não há previsão de quitar a dívida.
De qualquer maneira, o presidente da Faerj informou que permanecem íntegros os projetos definidos pelos fornecedores em reunião há cerca de dez dias. "Provavelmente, teremos uma reunião na sexta-feira (23), com a câmara técnica da Secretaria de Agricultura para definir o andamento das propostas", disse. Ele destacou que, no sábado (17), foi aprovada a constituição de um fundo para contratar, principalmente, um escritório de advocacia e uma empresa que identificará tecnicamente as oportunidades de mercado. "Haverá uma checagem quanto à manutenção das operações da Parmalat em Itaperuna", revelou.
Entre as alternativas dos produtores de leite fluminenses - a exceção é a instalação de uma secadora de leite ao lado da Parmalat, a qual seria inviável devido à grande capacidade de produção da empresa -, Tavares citou a adoção de única marca comercial para as cooperativas do Rio e a reestruturação de uma cesta de produtos que passarão a ser comercializados de maneira comunitária.
"Há uma série de idéias a ser deflagrada a partir desta semana. Eventualmente, poderá necessitar de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e passa principalmente pela elaboração da cesta de produtos. A pretensão é fazer um caminho contrário ao da cooperativa central, gerando emprego e renda no interior e não na região metropolitana. Todo o processo de agregação de valor deverá ser feito no interior do Estado. Apenas a comercialização e a coordenação tecnológica, tanto de controle de qualidade como principalmente da política comercial, deverão partir da nova empresa, a qual poderá ser cooperativa ou ter outra natureza jurídica", declarou Tavares.
Fonte: Mirna Tonus, da Equipe MilkPoint
Produtores fluminenses estudam criação de marca e empresa próprias
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