Produtores dos EUA querem tarifas de importação de proteínas do leite

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores de leite dos Estados Unidos terão perdas adicionais de cerca de US$ 5 bilhões até o final desta década se o Congresso não fizer nada para resolver os problemas criados pelo grande aumento das importações de proteínas do leite no país, de acordo com a Federação Nacional de Produtores de Leite (National Milk Producers Federation - NMPF).

Em uma apresentação feita na semana passada à Comissão Internacional de Comércio, que realizou audiência sobre as controvérsias que cercam as proteínas do leite importadas, o vice-presidente de política econômica da NMPF, Peter Vitaliano, disse que as importações de proteína concentrada do leite (Milk Protein Concentrate - MPC), juntamente com caseína, têm prejudicado os produtores leiteiros dos EUA e sobrecarregado o governo do país com custos extras.

"O rápido crescimento das importações de proteínas do leite pelos EUA tem deslocado uma quantidade equivalente de proteínas do leite produzidas domesticamente, criando uma sobre-oferta grande e artificial de leite em pó desnatado que tem sido vendido à Corporação de Créditos de Commodities (CCC) sob o programa de suporte aos preços. Esse deslocamento tem reduzido a efetividade do programa de suporte aos preços, levando a valores e rendimentos dos produtores de leite significativamente menores e ao aumento dos custos aos contribuintes", disse Vitaliano.

Os dois ajustes, que resultaram em baixa dos valores no programa de suporte aos preços dos produtos lácteos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foram em grande parte resultado dos problemas causados pelas importações de MPC, disse ele, calculando que o rendimento dos produtores de leite se reduziu em US$ 2,5 bilhões desde 2001, devido ao impacto das importações de proteínas.

Durante dez anos, de 1993 a 2002, as importações dos EUA de sólidos totais do leite em todos os produtos lácteos mais que dobraram, de 181,44 milhões de quilos para 385,55 milhões. "As importações de proteínas do leite pelos EUA continuarão a crescer, e a reduzir os preços e o rendimento nas fazendas dos EUA, tornando o programa de suporte aos preços dos lácteos cada vez mais ineficiente, e exacerbando a crescente sobre-oferta de sólidos de leite em pó desnatado da indústria de lácteos dos EUA", disse Vitaliano, sobre estimativas da NMPF.

"Previmos que o rendimento do produtor de leite cairá um total de US$ 4,8 bilhões entre 2004 e 2010 se esta tendência continuar. Esta deterioração econômica não é sustentável e tem prejudicado a estabilidade da indústria de lácteos dos EUA", continuou.

A razão primária pela qual a MPC e a caseína têm sido importadas pelos EUA em quantidades grandes e crescentes, de acordo com a NMPF, é que elas fornecem aos produtores de alimentos uma fonte de baixo custo de componentes lácteos que eles buscariam nos produtores domésticos de leite. Além disso, a razão de as MPCs e a caseína importadas serem tão atrativas financeiramente para os processadores de alimentos dos EUA "é que outros países têm organizado seus programas de lácteos para deixar esses produtos com preços acessíveis. Então, defendem um acesso de 'livre mercado' em que os importadores podem comprar qualquer produto a baixo custo, o que reduz o compromisso dos EUA com a mínima intervenção doméstica e suportes ao sistema global de preços artificialmente baixos oferecidos".

Vitaliano foi um dos vários membros que fizeram declarações à Comissão Internacional de Comércio sobre o impacto das importações de proteínas do leite no mercado dos EUA, e sobre o deslocamento das proteínas domésticas do leite. A NMPF tem buscado uma solução legislativa para o problema na forma de leis do Congresso, que imporiam cotas sujeitas a tarifas nas importações de MPC e caseína. A investigação da Comissão sobre o problema das proteínas do leite, incluindo essa audiência, tem como objetivo informar melhor aos legisladores sobre a extensão do problema.

Vitaliano pediu à Comissão Internacional de Comércio que reconhecesse que as crescentes importações de proteínas do leite pelos EUA são conseqüência de exportações bastante subsidiadas pelos outros países, principalmente União Européia (UE) e Nova Zelândia. "Além disso, a Comissão deveria reconhecer que a necessidade para a maioria desses produtos não está clara e é dependente de preços artificialmente baixos. A importação desses produtos é uma sorte aos processadores que têm ido contra as leis dos EUA, que protegem o rendimento dos produtores de leite do país".

"A realidade da situação é que os mercados mundiais de proteínas do leite, bem como de outros produtos lácteos, estão extremamente distorcidos. Aqueles que encorajam o livre comércio de uma só via e argumentam que os produtores dos EUA não são competitivos devido ao nosso suporte doméstico falham ao notar que os outros países são competitivos somente por causa dos programas de comércio distorcidos", acrescentou.

"Em segundo lugar, a substituição não é um problema. A grande demanda por proteínas do leite, que têm sido importadas, é perfeitamente sustentável usando leite desnatado dos EUA. A maior parte da demanda por esses produtos surge desses preços artificialmente acessíveis, e não de suas propriedades especiais. Além disso, em uma situação onde os fabricantes possam sentir que seus produtos realmente demandam certas propriedades fornecidas pela MPC e pela caseína, o mercado dos EUA é capaz de suprir essa necessidade, fornecendo aos fabricantes o pagamento de um preço justo de mercado a seus produtos. Todas as proteínas importadas já têm sido produzidas pelos EUA ou podem ser produzidas rapidamente", destacou Vitaliano.

Fonte: NMPF, adaptado por Equipe MilkPoint
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