Há 20 anos os produtores de leite B do Vale do Taquari não registram casos de Brucelose - doença que causa o aborto em bovinos, metrites, infertilidade temporária ou permanente, além de menor produção de leite. "A brucelose é de controle fácil. Basta ter boa vontade, com diagnóstico - que pode ser feito via Ring Test pelas indústrias ou com exames sorológicos nos rebanhos, e com vacinação massiva e fiscalização pelo Ministério Público", explica o veterinário Germano Musskopf.
Os produtores do Vale do Taquari realizam testes semestralmente. A sorologia pode ser executada por um veterinário, apenas com uma gota de soro sanguíneo do animal suspeito e outra de antígeno. Em quatro minutos a mistura produz a resposta.
Apesar de haver um programa de controle do governo federal desde a década de 40, a brucelose resulta num prejuízo de US$ 100 milhões/ano à pecuária brasileira, mesmo tendo controle fácil, de baixo custo e basear-se na vacinação, que tem efeito duradouro. "Pesquisas indicam que a vacinação é eficiente em 96% dos casos. É a vacina mais eficiente que existe no mercado, e a única que é feita em apenas uma dose por toda vida do animal", diz Germano. Atualmente, no Brasil, utiliza-se a vacina B19.
A crítica que se faz à vacina B19, usada no Brasil, é que ela dificulta, na hora do exame sorológico, identificar se o animal tem anticorpos contra a bactéria no seu organismo, por ter sido vacinado ou por estar realmente doente. O médico veterinário Fernando Poester, do Centro de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, de Porto Alegre, realizou uma experiência no ano passado, na qual vacinou o gado com os dois tipos de vacina. Poester fez testes sorológicos nesses animais durante um ano. Ele constatou que o gado vacinado com a RB51 - utilizada nos Estados Unidos - não reagiu sorologicamente nas provas convencionais. "A reação provaria que o animal estava realmente infectado, o que dificilmente saberíamos distinguir no caso do uso da B19," diz Poester.
Como a bactéria é passível de transmissão para o homem, através da ingestão de alimentos lácteos de baixa qualidade, recomenda-se ao consumidor que adquira alimentos de qualidade atestada. O leite deve ser pasteurizado; no caso de leite fresco, manteiga e queijos coalhos, a bactéria - Brucella abortus - sobrevive por várias semanas. Os sintomas no homem são inflamação nos testículos, na mulher aborto e inflamação nas mamas. Inflamações articulares (tipo artrites) ou dores no corpo, dor de cabeça e febre intermitente são sintomas comuns tanto em homens quanto em mulheres.
fonte: Larissa Rodrigues, para MilkPoint
Produtores do Vale do Taquari mantêm o gado livre da Brucelose
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