Cerca de 380 a 400 produtores de leite do município de Enéas Marques, no sudoeste do Paraná, que entregam a produção para a unidade da Parmalat em Carazinho, RS, não receberam a fatura de dezembro. É a primeira vez que a crise da indústria de laticínios italiana chega ao Paraná.
Em Carambeí, onde funciona a Batávia, indústria da qual a Parmalat é acionista majoritária, os produtores da região estão recebendo normalmente.
Os produtores de Enéas Marques entregam um volume avaliado em 1,7 milhão de litros de leite por mês para a Parmalat. A fatura de dezembro venceu no último dia 15 e os produtores não receberam. Eles aguardavam que o dinheiro fosse liberado na sexta-feira (16), para quando a direção nacional da indústria prometeu ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) liquidar as faturas em todo o País.
Até o meio-dia da data prevista, os bancos não haviam recebido o dinheiro, informou o presidente da Comissão Técnica do Leite da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ronei Volpi.
A assessoria da empresa reconhece que os produtores que fornecem o leite para Carazinho podem não ter recebido o valor das faturas em função de desentendimentos entre a empresa e o Banco do Brasil. A Parmalat informou que o Banco do Brasil sinalizou que reteve o dinheiro a titulo de pagamento de juros.
Ações e pedidos de falência
No final da tarde de sexta-feira, a Parmalat enviou comunicado à Bovespa explicando que está postergando o pagamento a fornecedores para proteger a operação brasileira.
Com o esclarecimento, as ações da Parmalat do Brasil, que estão com as negociações suspensas, podem voltar a ser negociadas no pregão de hoje.
Os dois pedidos de falência já ajuizados contra a Parmalat permanecerão inativos até quinta-feira (22), por causa do recesso forense, e somente então esse tipo de processo terá andamento. Os dois requerimentos envolvem alegados créditos que somam cerca de R$ 78 mil, representados por títulos vencidos não pagos e protestados.
Auxílio
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse estar disposto a colaborar com um projeto de reestruturação do setor leiteiro.
Segundo o presidente do banco, Carlos Lessa, já há alguns caminhos para a solução da crise gerada pela Parmalat. "O BNDES não pode assistir de camarote a uma situação que pode literalmente tirar o leite das crianças".
O presidente do BNDES afirmou que deveria haver uma operação de crédito de curto prazo para ajudar os produtores, mas que o banco não pode participar disso. "Estamos dispostos a ajudar numa reestruturação", afirmou.
Fonte: Folha de Londrina/PR (por Vânia Casado) e O Estado de S.Paulo (por Priscilla Murphy, Carlos Franco, Thelio Magalhães, Maria Alice Rosa, Sandra Hahn, Adriana Chiarini e Nicola Pamplona), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores do sudoeste do Paraná ainda não receberam da Parmalat
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